A razão. Pobres são menos pobres. E muitos até subiram de patamar. Eis porque Lula é pop
Pode-se fazer muita elocubração em torno da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E até crítica ao método dele. É da política. Mas, observando com menos restrição os dados disponíveis, é perfeitamente possível entender as razões por que o comandante da Nação é tão popular – como demonstra a pesquisa divulgada nesta quinta, pela CNI e pelo Ibope (confira a nota imediatamente anterior). Mais, certamente, entre os mais pobres. Mas não apenas entre eles.
Quanto a mim, prefiro acreditar no óbvio: as pessoas estão mais felizes porque podem consumir mais, ao mesmo tempo em que melhoram suas próprias condições de vida. E isso se explica pela política, obviamente. Mas, sobre tudo, pelo desempenho econômico. E a reportagem a seguir, de Márcia De Chiara, publicada nO Estado de São Paulo, pode ser um bom início para entender o fenômeno pop em que se tornou Lula. Confira:
Com 86 milhões de pessoas, classe C já é maioria da população brasileira
Expansão em 2007 resultou do aumento da renda nas classes D e E, mas uma parcela menor veio das classes A e B
A classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior.
A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.
Isso é o que revela a pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs. Na terceira edição da enquete, foram ouvidas 1.500 famílias em 70 cidades e nove regiões metropolitanas do País em dezembro de 2007. Os entrevistados foram classificados não só pela renda, mas também pelo nível educacional e pela posse de bens, este o item de maior peso.
O elevador social funcionou, afirma Franck Vignard Rosez,diretor de Marketing e Novos Negócios da financeira. Ele atribui esse resultado a uma combinação favorável de fatores: crédito farto com prazos longos e juros menores, preços em queda dos bens duráveis, crescimento do emprego e os programas sociais que colocaram mais recursos no bolso das camadas que estão na base da pirâmide populacional.
O aumento expressivo da classe C nos surpreendeu, diz o presidente da Cetelem no Brasil, Marc Campi. Segundo ele, em apenas um ano esse estrato social aumentou o equivalente a duas vezes a população de Portugal.
Animado com os números, Campi conta que a financeira vai entrar no crédito de veículos neste ano e avalia a estréia no crédito imobiliário mais para frente. Apesar do entusiasmo, ele pondera que, se os prazos dos financiamentos forem reduzidos e os juros subirem, a mobilidade social acelerada das camadas de menor renda poderá perder fôlego.
De acordo com o estudo, o bem-estar da sociedade brasileira passa por uma pequena revolução. Com o grande número de pessoas que migrou da classe D/E para a classe C, quase dobrou a renda média mensal familiar dessa população no último ano, de R$ 580 para R$ 1.062. Apesar disso, a renda média familiar da classe C no último ano teve um ligeiro recuo, de R$ 1.162 para R$ 1.062. Segundo Rosez, isso ocorreu porque normalmente quando as pessoas ingressam numa outra classe a entrada ocorre pelas faixas salariais mais baixas, o que puxa a média de renda do estrato social para baixo…
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da reportagem Com 86 milhões de pessoas, classe C já é maioria da população brasileira, de Márcia De Chiara, nO Estado de São Paulo.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.