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O incêndio da COP30 e o constrangimento mundial – por Rosito Zepenfeld Borges

A COP 30, realizada em Belém, coleciona vexames desde a sua concepção. A tentativa forçada de fazer um encontro global na Amazônia escancarou problemas regionais, falta de infraestrutura e desorganização. Basta lembrar a falta de vagas para hospedar um público tão grande e os valores absurdos cobrados para abrigar os conferencistas.

Isso é grave, mas fica em segundo plano comparado com o incêndio que atingiu as suas estruturas na tarde de 20 de novembro. Em uma das áreas principais da conferência o fogo se alastrou com velocidade, provocando a necessidade de evacuação do evento e paralisação das atividades. Podemos sim, dizer que por sorte (isso mesmo, sorte) não houve vítimas fatais. Pois se as vidas das pessoas dependessem da segurança contra incêndios demonstrada aos olhos do mundo, estaríamos noticiando uma catástrofe.

Segundo relatórios preliminares da organização do evento, as causas do incêndio estão ligadas à energia elétrica: curto-circuito ou falha em um gerador. De qualquer forma, expõe a precariedade das instalações elétricas em um evento global. Atualmente no Brasil, mais de 70% dos incêndios são devidos a causas elétricas. Essa estatística, por si só, já seria motivo suficiente para reforçar a prevenção nesse quesito, com profissionais especializados monitorando em tempo real a qualidade e desempenho das instalações elétricas.

Outro ponto que chamou muito a atenção foi a rapidez que as chamas tomaram conta do ambiente, propagando-se através do pavilhão. Cada estado da federação apresenta sua própria legislação de prevenção e proteção contra incêndios, mas acredito que algumas questões são pacíficas: Um evento temporário deve obrigatoriamente apresentar laudo de controle de materiais de acabamento e revestimento. Existem materiais certificados disponíveis no mercado que garantem eficiência técnica na redução da ignição, propagação de chamas e produção de fumaça.

O despreparo dos profissionais que fizeram o atendimento de primeira resposta também ficou evidente. Inabilidade na utilização dos extintores de incêndio e nos procedimentos de abandono do local. Antes de estarem preparados para a resposta, deveriam estar atentos à prevenção. Prevenção é a antecipação de eventos adversos. Mesmo que a estrutura estivesse comprometida e as instalações estivessem inadequadas, um bom prevencionista daria atenção especial para esses aspectos. O sinistro não acontece no dia do sinistro. É necessária uma cadeia de eventos que, associados, acabam por gerar um evento adverso. Logo o incêndio ocorre no momento que alguém decide não se preparar.

Vivemos a cultura do barato… do jeitinho. Gastamos muito em qualidade de desempenho, em estética, mas investimos pouco em segurança. A segurança só passa a ser importante quando os gastos com sinistros se tornam significativos. No caso da COP30, há custos com a estrutura, tratamento dos atingidos, decorrentes do atraso de agenda, e principalmente o custo de imagem.

Na segurança contra incêndios o ROI (retorno sobre investimento) é alto. De acordo com especialistas, em cada dólar investido o retorno é de dez dólares, em média. A COP30 poderia ter sido uma vitrine para boas práticas de segurança. Em vez disso, tornou-se um lembrete de que prevenção não é custo — é investimento. E quando negligenciada, a conta chega em escala global.

(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.

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Um Comentário

  1. Evento era propaganda eleitoreira. Vender internamente a imagem de ‘grande estadista’ do Rato Rouco e ‘liderança global’. Padrão tupiniquim. Um monte dinheiro jogado em cima, um monte de improvisações (jeitinho?) e tudo na base do ‘é o que a casa tem para oferecer’. Muito marketing para vender a imagem de ‘sucesso’. Não se admitem criticas. Com carta da ONU. Chanceler alemão recebeu os rotulos usuais, xenofobo, racista, etc. Incendio? Só a cereja do bolo. Não conseguem montar um evento que preste e querem salvar o planeta. Padrão vermelho.

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