Mídia e midiatas. Respeitar o leitor às vezes é complicado. Principalmente por quem se acha”
Costumo brincar que o único lugar em que são publicadas as críticas feitas por vereadores (na Legislatura passada, pois esta, na prática, ainda não começou) a este (nem sempre) humilde repórter, é exatamente aqui, no www.claudemirpereira.com.br. Pois, brincadeira a parte, posso não concordar em nada do que dizem os edis ou quem quer que queira criticar-me, mas o espaço deles está garantido – desde que não sejam mal-educados.
Digo isso porque me orgulho muito dessa posição. Não sou dono da verdade (bem… só um pouquinho… hehehe), e sempre acho que é possível uma outra opinião ou versão. Agora, olha só o fato contado por Carlos Brickmann na muito boa seção Circo da Notícia, que ele assina semanalmente no sítio especializado Observatório da Imprensa. A seguir:
AUTOR & LEITOR – Isto também faz parte da notícia
Trata-se de um colunista importante, de um jornal importante. Um leitor lhe escreveu, educadamente, para expor sua opinião contrária à do jornalista a respeito da acumulação de reservas pelo Banco Central. O colunista criticava o volume das reservas; o leitor dizia que, agora (em função da crise econômica), se constatou que a acumulação de divisas valeu a pena. E elogiava, de passagem, a seriedade da equipe do Banco Central, criticada habitualmente pelo colunista.
A resposta veio duríssima: na opinião do jornalista, as reservas eram desnecessárias e caras. “E estúpidas, como as ratazanas neoliberais que infestam o BC”. A opinião sobre as reservas, concorde-se ou não com ela, é prerrogativa do colunista; ele tem direito a achar o que quiser, e a dizer o que acha. Mas o insulto aos profissionais do BC, mesmo em carta privada, exigiria uma argumentação muito mais sólida do que o simples xingamento.
O leitor voltou a escrever, dizendo que a resposta o impressionara, por demonstrar falta de isenção e, em vez de avaliar os resultados da política do Banco Central, rotular seus profissionais “de forma leviana e preconceituosa”.
O colunista voltou à carga, dizendo que o leitor certamente não era jornalista. Se fosse, estaria morrendo de dar risada com essa “isenção”.
O jornalista deve ser honesto, deve buscar as várias faces da história. Dificilmente, embora sua tarefa seja procurar a isenção, conseguirá ser isento (tem opiniões, tem formação, tem idiossincrasias). Mas daí a dar risada da isenção vai uma enorme distância. E um jornalista, acima de tudo, deve evitar a burrice: por que agredir um leitor que lhe propõe civilizadamente uma troca de idéias?…





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