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Comando da arbitragem e tabelas mudadas, mas e a CBF? – por Anderson Santos

Coluna Além das 4 linhas –  edição da semana de 31 de agosto de 2012 – por Anderson Santos

 

Pensando sobre o que escrever numa semana em que o presidente da CBF, malufista de carteirinha, afirmou que é “de todos os clubes” ao visitar o novo estádio do Palmeiras e vestir a camisa do clube apesar de ser são-paulino… É, não faltavam alternativas.

Primeiro, bastou o Corinthians ser prejudicado no Brasileiro, ainda que com um “triplo impedimento”, que se resolveu mudar a Comissão de Arbitragem. Quer dizer, será que mudou mesmo? Depois, foi confirmado o calendário brasileiro para 2013, com mudanças já anunciadas. Para finalizar, Juca Kfouri informou que Ricardo Teixeira antecipou a assinatura de contrato para administrar os amistosos da Seleção até 2022!

Sempre os árbitros

Já tratamos aqui sobre este assunto. Dentre todos que trabalham dentro de campo, os árbitros são os únicos que fazem isso de forma amadora, tendo que enfrentar estádios sem estrutura, partidas em que praticamente têm que pagar para trabalhar, fora a tradicional pressão de diretores, jogadores e torcedores.

Mas se há algo de errado dentro de campo, a responsabilidade vai para ele como se fosse o profissional que mais recebesse dentre todos ali.
É claro que “errar é humano” – e também é “coisa do Mano” -, porém sempre há momentos com mais erros que outros. O primeiro turno do Campeonato Brasileiro foi recheado deles, mas até então nada de informação oficial da CBF para mudar algo na Comissão de Arbitragem.

Bastou um erro do assistente Emerson de Carvalho, que numa jogada com três impedimentos seguidos de jogadores do Santos não marcou nada, para que isso mudasse. A partida era contra o Corinthians. Primeiro, o bandeirinha foi afastado pela Comissão; depois, toda a Comissão foi remanejada. Sim, esta é a palavra, remanejada.

O presidente da CBF José Maria Marín resolveu mudar toda a Comissão Nacional de Arbitragem, sob o argumento de que precisariam distinguir “erros naturais de dolosos” – sim, para ele, pode ter havido premeditação nos erros para prejudicar um e beneficiar outro time.

O ex-árbitro-assistente da FIFA Aristeu Tavares, coronel da reserva da Polícia Militar do Rio de Janeiro – como gostam de policiais… – assumiu o posto prometendo mudanças. Ele era ouvidor da CBF, cargo agora ocupado pelo xe-membro da comissão de arbitragem da CBF Jorge Paulo Alves.

Por isso, o comentarista de arbitragem da Rede Globo, Arnaldo César Coelho, não admite que houve mudanças, mas apenas uma “dança das cadeiras”. Arnaldo deixou isso claro nas partidas que comentou na semana passada:

– A direção da CBF mudou a comissão de arbitragem como se muda a casa, pega os móveis do quarto e bota na sala. As pessoas são as mesmas, só foram remanejadas. Foi inoportuna a substituição nesse período. Poderiam esperar um momento, não logo após o Corinthians ser prejudicado com aquele gol. Hoje, por exemplo, o Atlético-MG vai mostrar que houve falta (no lance do gol do Cruzeiro) e vão querer mudar o quê? De novo muda a comissão?

Se até alguém da parceira – ou da “amiga gângster, como diria Andrés – criticou a decisão, uma pessoa que apitou final de Copa do Mundo FIFA (1982), o que nós podemos falar a mais?

Novo calendário

Tratando-se de CBF, sempre podemos falar mais, e pior. Esta semana foi divulgado o novo calendário do futebol brasileiro, com estreia em 2013. A Copa do Brasil foi ampliada, como prometido, até novembro; permitindo que os times brasileiros eliminados da Libertadores ainda tenham chance numa competição de mata-mata e criando uma provável confusão sobre quem irá para a Sul-Americana.

O pior fica para os times que disputam os Brasileiros das Séries C e D. Os campeonatos começam no dia 02 de junho, têm outra rodada no dia 09 e param por quase um mês por conta da Copa das Confederações. Imagina-se como irão sobreviver os “pequenos” clubes do Brasil durante esse período…

A outra novidade da tabela refere-se à volta da Copa do Nordeste, com 16 clubes de sete dos nove Estados que conformam a região. Com doze datas, a existência do Nordestão irá modificar a tabela destes sete Estaduais, que terão que possuir uma nova fórmula, que permita a participação destes clubes apenas a partir de março.

Ainda assim, é uma grande notícia para o futebol da região. Vale lembrar que da tentativa de ligas regionais, aplicadas em todo o Brasil em 2002, só a Liga Nordeste teve sucesso de público, de renda e de patrocínio – em parceria com a Coca-Cola.

O acordo foi rompido unilateralmente por CBF/Globo no ano seguinte, que marcou o início da “era dos pontos corridos” no Brasileirão. De lá até cá, os clubes, conformados pela Liga do Nordeste, seguiam na Justiça para receber pelos contratos quebrados, na casa dos milhões de reais. Até que saiu um acordo para a volta do torneio, que foi esvaziado em 2010, mas que pode voltar com tudo agora em 2013. Torcemos para que sim!

Verdade dita, Marín preferiu jogar para si esta decisão, ao afirmar que:

– Há muito o Nordeste merecia uma competição nesse formato, o que contribuirá para que mais clubes ganhem uma maior dimensão nacional, pela visibilidade que o campeonato terá. Tenho certeza de que a Copa Nordeste será um sucesso de público e fico muito feliz por tê-la criado no primeiro ano da minha administração.

Genial esse Marín, hein! Um campeonato que, neste formato, existiu da década de 1990 aos anos iniciais do novo século, com uma formação de uma Liga de sucesso logo a seguir, virou “presente” do “Zé das Medalhas”.

Ainda tem mais, e de Teixeira

Juca Kfouri soltou na Folha de S. Paulo, comentou na CBN e republicou em seu blog no UOL – é, um jornalista que trabalha para donos diferentes, coisa difícil…

– No dia 15 de novembro de 2011, quatro meses antes de renunciar à presidência da CBF, Ricardo Teixeira assinou, em Doha, no Qatar, um novo contrato com a International Sports Events (ISE), dando à empresa da Arábia Saudita, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, o direito de organizar amistosos da Seleção Brasileira até o final da Copa do Mundo de 2022.

Sede em paraíso fiscal, acordos estratosféricos que só são anunciados muito tempo depois, e porque alguém foi “catar” a informação, e a participação de nomes como Sandro Rosel, amigo de Teixeira e atual presidente do Barcelona. Mesmo fora do país, ainda bem que ele não para de ser assunto.

Em lugar que nos forçam a ter memória curta, precisamos sempre lembrar os feitos e desfeitos de certos dirigentes, ainda mais dele, que ficou por 23 anos no comando da CBF e deixou todos estes que vemos por aí. Ainda que mais afeito a entrevistas, o “bom velhinho” Marín pode ter sido a maior maldade de Teixeira. Alguém para lembrarmos que sempre pode ser pior.

(Para quem quiser nos ajudar criticando e/ou sugerindo novas propostas e assuntos, entre em contato através dos e-mails [email protected] e [email protected])

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos ([email protected])

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

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