ECONOMIA SOLIDÁRIA. Encontro de Parceiros da Misereor é marcado pelo desafio da continuidade

POR MAIQUEL ROSAURO

A Misereor (entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação ao desenvolvimento na Ásia, África e América Latina) colabora financeiramente com dezenas de entidades do Sul do Brasil há mais de 30 anos. Porém, a forma de parceria bilateral através de aportes financeiros será finalizada. Encontrar novos meios de manter a continuidade dos projetos foi o principal objetivo do seminário realizado entre quarta e sexta-feira, no Instituto São José, em Santa Maria.

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Almute Heider e Annette Roensch (à direita)

O Encontro dos Parceiros da Misereor reuniu 32 entidades provenientes do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e também da Alemanha e Bélgica. De forma geral, os participantes sinalizaram o evento como sendo desafiador.

– O desafio é grande, mas a perspectiva é boa porque devemos ter uma reorganização de nossas ações e uma maior articulação para captar recursos locais – projeta Luiz Costella, da Cáritas Passo Fundo.

A Misereor foi representada no evento pelas alemãs Almute Heider e Annette Roensch. Segundo elas, diversas razões são apontadas para a saída da entidade da cooperação bilateral, como por exemplo, o desenvolvimento social dos Estados do Sul do Brasil, o longo tempo de aporte de recursos e a necessidade de desenvolvimento das organizações.

– Este seminário foi muito criativo. Estamos levantando os desafios que as organizações enfrentam e discutindo novas formas de continuarmos o apoio – explica Almute.

O fim dos investimentos financeiros é visto com preocupação pelo representante do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), Marcos José de Abreu, de Florianópolis, Santa Catarina. Ele inclusive sugere um período de transição, com a continuidade do aporte por um período a ser definido.

– Precisamos de uma transição para que as entidades não fiquem prejudicadas com o fim dos recursos. Nosso projeto tem apenas sete anos e a Misereor colabora em ações pontuais.

No mesmo sentido, Simone Aparecida Pereira, do Centro Vianei de Educação Popular, de Lajes-SC, demonstra receio com a situação.

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Lançamento do 2º Fórum Mundial de Economia Solidária no Instituto São José

– A Misereor é uma dos principais fomentadores em ações que hoje passam pela agricultura familiar. Com esta mudança na parceria ficamos sem perspectivas de continuidade. Precisamos encontrar estratégias conjuntas que busquem uma consolidação do trabalho das organizações.

O Encontro em Santa Maria contou com a mediação do belga Patrick Bodart, da Periferia, entidade situada em Bruxelas. Ele elogiou a transparência da Misereor em tratar a questão em conjunto com todas as entidades cooperadas e também projeta a continuação da parceria.

– A Misereor e seus parceiros aprenderam muitas coisas juntos. Esta experiência pode inspirar muitas ações para o futuro. Neste seminário identificamos projetos que precisam ter continuidade e também pensamos estratégias para o futuro. Temos uma grande probabilidade de construir algo novo.

Em meio às discussões, também houve tempo para celebrar. A Noite Cultural, na quinta (16), movimentou os corredores do Instituto São José. Um concorrido café colonial, uma minifeira e apresentações culturais encantaram os visitantes. A principal atração foi o grupo de capoeira Berimbau, que ao fim do evento colocou todo mundo para sambar.

A Noite Cultural também foi marcada pelo lançamento do 2º Fórum Social de Economia Solidária, 2ª Feira Mundial de Economia Solidária, 9ª Feira de Economia Solidária do Mercosul e 20ª Feira Estadual do Cooperativismo (Feicoop). Os eventos irão ocorrer entre os dias 11 e 14 de julho, no Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, em Santa Maria. São esperados entre 180 mil e 200 mil visitantes nos quatro dias de feira.



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