ELEIÇÕES. Sem comícios de antigamente ou práticas agora proibidas, todas as fichas no “trololó eletrônico”

Muitos talvez nem tenham notado, mas a campanha já começou faz seis dias e só faltam 40 para o pleito. Em outros tempos, nessa hora a busca ao voto estaria bombando, com bandeiras sobrando e veículos devidamente caracterizados – sem falar nas banquinhas tornando virtualmente impossível a passagem, sem ser notado, no viaduto Evandro Behr.
Com a escassez de recursos, em muito proveniente do fim do financiamento por empresas privadas, combinada com as restrições impostas pela reforminha eleitoral feita pelo Congresso, ano passado, o que se vê é o que não se vê. Isto é, discrição quase total, na comparação com o passado recente. Sem cavaletes, sem muros, sem quase nada – exceto os carros de som, que sofrem incrível rejeição popular.
Aliás, os comícios de antigamente, que eram a forma de mobilização dos militantes e adeptos, e que já não fazem sucesso faz tempo, dadas as novas maneiras de realizar a campanha, de uma certa maneira retornam, sob o rótulo de reuniões mais restritas e aproveitamento máximo de solenidades em que muita gente é envolvida. É o corpo-a-corpo como nunca se viu.
Não é de graça, por exemplo, que a festa do Dia do Vizinho, do jornal A Razão, que teve eventos por toda a cidade, contou com a presença certa de todos os candidatos, em maior ou menor medida, e conforme sua própria capacidade de mobilização e movimentação. E assim será noutras ocasiões massivas que ocorram até 2 de outubro.
Mas, mais que tudo isso, os partidos e coligações, sobretudo no pleito majoritário, estão raspando os cofres e até fazendo dívidas, visando a, a rigor, única forma efetiva de chegar mais organizadamente ao eleitor. Isso mesmo, é o trololó eletrônico. Ainda que limitada a 35 dias, 10 míseros minutos totais (e alguns segundos microscópicos para alguns concorrentes), além de inserções ao longo da programação dos veículos, a propaganda no rádio e na televisão é o que sobrou.
Equipes enxutas de comunicação terão que se desdobrar. Em trabalho e, sobretudo, criatividade. É o que restou. Ou, como disse um líder ao editor, “é o que temos”. Pouco, mas terá que ser suficiente. E seja o que o eleitor quiser.





Campanha eleitoral é problema dos políticos, não da população. Eles não estão lá para divulgar idéias, estão lá para fazer as mesmas promessas furadas de sempre.