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Uma resposta necessária para quem produz – por Luís Henrique Kittel

“Defender o agro é defender empregos, renda... e o futuro das nossas cidades”

Nesta quinta-feira, quando esta coluna chega aos leitores, os gaúchos possivelmente já terão acompanhado mais uma etapa decisiva da tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023 no Senado Federal. A proposta trata da securitização das dívidas rurais e prevê uma linha especial de financiamento para produtores afetados por eventos climáticos. A votação, aguardada com expectativa e apreensão por agricultores e pecuaristas de todas as regiões do Estado, representa, para milhares de famílias, a busca por uma saída concreta para uma crise que se arrasta há anos.

Caso seja aprovado pelo Senado, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados para análise final antes de eventual sanção presidencial. Independentemente do resultado desta etapa, a mobilização em torno da matéria demonstra a dimensão do problema enfrentado pelo setor produtivo gaúcho.

O Rio Grande do Sul vive uma situação excepcional. Em um curto espaço de tempo, enfrentamos estiagens severas, enchentes históricas e outros eventos climáticos extremos que provocaram perdas sucessivas no campo. Muitos agricultores e pecuaristas viram sua capacidade produtiva ser comprometida ao mesmo tempo em que os custos aumentaram e as dívidas se acumularam.

É nesse contexto que a securitização das dívidas rurais ganhou força e passou a mobilizar entidades do agronegócio, cooperativas, prefeitos, parlamentares e produtores. Até o momento, o que se observa é que as medidas apresentadas pelo governo federal não foram suficientes para enfrentar a dimensão do problema.  Por isso, o que está sendo defendido não é um privilégio ou benefício ao setor, mas uma medida compatível com a dimensão da crise enfrentada por quem produz alimentos, gera empregos, movimenta a economia e ajuda a sustentar milhares de municípios brasileiros.

A realidade no campo demonstra que muitos produtores continuam sem uma alternativa capaz de restabelecer sua capacidade de investimento e garantir segurança para permanecer na atividade. Os agricultores acompanham cada movimento em Brasília com a preocupação de quem sabe que seu futuro depende das decisões que estão sendo tomadas. Há propriedades que enfrentam dificuldades para manter investimentos, renovar crédito e planejar as próximas safras. Sem uma solução adequada para o endividamento, cresce o risco de desestruturação econômica em centenas de municípios.

O agro não é importante apenas para quem vive no campo. Em regiões como a nossa, a agricultura movimenta o comércio, fortalece cooperativas, impulsiona a indústria, gera arrecadação e cria oportunidades para toda a população. Quando o produtor rural prospera, os benefícios alcançam toda a comunidade. Quando ele enfrenta dificuldades, os impactos também são coletivos.

O Rio Grande do Sul sempre encontrou forças para superar os momentos mais difíceis de sua história. Mais uma vez, será necessário união, diálogo e compromisso com aqueles que ajudam a sustentar nossa economia. Defender o agro é defender empregos, renda, crescimento e o futuro das nossas cidades.

Porque, no fim das contas, quando o campo avança, o Rio Grande avança junto.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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