Os Monstros da República – por Marcelo Arigony

Lembro vagamente – acho que era um personagem de um desenho dos anos 80, os Super Amigos.
A memória falha no contorno, mas não na lógica.
Era um vilão sem forma definida: o monstro da energia.
Quanto mais apanhava, mais forte ficava.
Força contra força, ataque contra ataque – e cada investida virava combustível.
Parecia só um desenho infantil.
Hoje já nem sei.
Porque, como canta Cássia, eu era criança – e não conhecia a verdade.
Há figuras da República que funcionam assim.
Apanham todos os dias.
Críticas, ironias, redes em ebulição.
E assim crescem.
Se fosse comigo, não aguentaria.
Uma briga mal resolvida pesa por dias.
Sou o oposto desse metabolismo.
Mas há personagens públicos que se alimentam do conflito:
quanto mais atacados, mais vivos.
Nem todo ataque corrói.
Alguns nutrem.
E esse ciclo foi favorecido pelo nosso tempo.
Mídia tradicional e mídia assimétrica aprenderam rápido: conflito vira clique.
A mesma cena reciclada por dias – não para resolver, mas para render.
O monstro agradece: cada manchete, um gole.
Lá em casa existe um pacto inegociável: ninguém dorme brigado.
Nem eu e minha mulher.
Nem eu e minhas filhas.
Nem elas entre si.
A conta sempre zera antes do sono.
Conversa, ajuste, reparo.
Dormir em paz é regra.
Porque, no fim, não é o embate que resolve.
É o abraço – não o de palco, mas o que encerra o conflito e corta a circulação da energia ruim.
Entramos num ano político falando em ciclos.
O otimismo é contido.
Mas a expectativa permanece…
(*) Marcelo Arigony é Advogado e Professor, ex-Delegado da Polícia Civil e atual Diretor da ULBRA Santa Maria. Ele escreve no site às quartas-feiras.





Resumo da opera. Banco Master. Jhonatan de Jesus. Médico. De igreja pentecostal. Acusações de desvio de verbas durante a pandemia. Centrão. Foi para o TCU com apoio do Centrão. Sucedeu Ana Arraes, filha de Miguel Arraes. Viva a Res Publica!
Resumo da opera. Do alto da sua ‘superioridade moral’ não quer que as pessoas briguem por conta de diferenças politicas no ano eleitoral. Humildemente usou a propria familia como ‘exemplo’. As vezes quem quer bancar o ‘adulto’ é o mais infantil. Natureza humana muda muito devagar. Não por conta de textos. E ‘energia ruim’ não tem metafisica que explique.
Dos bastidores da Corte em BSB só se fica sabendo menos de 1%. Jornalistas divulgam muitos boatos, meias noticias e disse-que-disse. Nem todos por má fé ideológica, as vezes é o que a casa tem para oferecer. Se tem tres fontes na Camara são 3 em 513. Tres senadores são 3 em 81. Um ministro do Supremo Tribunal Cumpanhero é um em 11. O que divulgam como ‘brigas’ as vezes não passa de irritações passageiras, os ‘protagonistas’ nem dão importancia ao asssunto como é divulgado.
Noutros tempos Ulysses Guimarães dizia que em politica até as brigas são combinadas caso contrario seria coisa de amador. Em certa medida vale hoje. Nas reuniões de liderança no Congresso todos falam com todos. A imagem externa envolve um certo grau de teatralidade.
De um desenho animado mal lembrado para dinamica familiar e dai para BSB. Globo e vc, tudo a ver.