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Águas roqueiras – por Bianca Zasso

Ser surpreendido pela nossa música preferida é um prazer e tanto. Ouvir uma canção que nos emociona ou diverte pode não salvar o dia, mas ajuda muito a aliviar o peso das horas. E para quem gosta do bom e velho rock’n’roll, os momentos de surpresa e alegria serão muitos ao assistir Os Piratas do Rock.

O filme, dirigido por Richard Curtis, não é nem um pouco inovador em sua forma, mas o conteúdo tem um brilho único. Seguindo a tradição das elegantes comédias inglesas, mas com uma boa dose de pimenta típica do cinema americano, Os Piratas do Rock conta a história do jovem Carl que, depois de ser expulso da escola, é mandando pela mãe para viver num barco no meio do oceano. Mas não é qualquer barco. A embarcação é a casa da Radio Rock, uma rádio pirata dedicada exclusivamente ao rock’n’roll e comandada por DJs que são um show a parte.

Em 1966, ano em que se passa a trama, o Reino Unido vivia o auge do seu rock, com bandas talentosas surgindo por todos os cantos. Porém, as estações tradicionais não dedicavam seus horários mais nobres para a divulgação do “ritmo da juventude”. A sede de rock era saciada nas rádios piratas, que davam espaço tanto para os clássicos como para os novos talentos.

Apesar das grandes descobertas e mudanças se darem com o personagem Carl, Os Piratas do Rock não tem um protagonista específico. O roteiro foi construído de um modo que cada morador do barco se mostre um pouco. O charmoso capitão Quentin, interpretado por Bill Nighy, segue a tradição de Peter Sellers, criando um roqueiro nonsense e cheio de boas tiradas. Philip Seymour Hoffman, o nome americano do elenco, está um tanto quanto apagado, mesmo seu personagem Conde sendo o centro das atenções da maioria das cenas do filme.

Atores e atuações a parte, Os Piratas do Rock não é nenhuma obra-prima e, o mais importante, não aspira ser uma. É um filme bem feito, com bons personagens, diálogos cheios de referências e que em nenhum momento julga o rock e sua postura. Só por isso ele já merecia ser visto. Mas há algo que merece uma atenção especial. A trilha sonora de Piratas do Rock é uma coleção de ótimas bandas dos anos 60 e, diferente da maioria dos filmes que se passam na icônica década, não se prende apenas as músicas mais conhecidas.

The Who, The Mamas and the Papas, The Supremes, The Kinks, Beach Boys e The Hollies são apenas alguns dos nomes que espalham seus acordes ao longo do filme. Um mar de lembranças para quem viveu a época e uma oportunidade única para descobrir novos sons para quem não era nem projeto naqueles tempos.

Os Piratas do Rock é o que eu chamo de filme relax, que deve ser assistido com prazer e sem preocupação com trama, continuidade e roteiro. Aliás, ele capricha em todos esses quesitos. Mas não é nenhum pecado se dar ao desfrute de curtir o filme de olhos fechados. Afinal, é rock, baby!

Os Piratas do Rock (The Boat That Rocked)

Ano: 2009

Direção: Richard Curtis

Disponível em DVD

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