Tarifaço de Trump corrói o prestígio político do ex-presidente Bolsonaro – por Carlos Wagner
“No meio da confusão só existe uma certeza: a preservação da democracia”

Na opinião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 44 anos, a aprovação pelo Congresso do “pacote da paz” proposto pelos parlamentares ligados ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 70 anos, semearia a tranquilidade na sociedade brasileira. A proposta tem três pontos principais. Anistia ampla, geral e irrestrita para todos os envolvidos na tentativa de golpe que está sendo julgada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O impeachment de Alexandre de Moraes, 53 anos, ministro do STF e relator do processo sobre a tentativa de golpe. E, por último, uma mudança na lei, retirando o fórum privilegiado, com julgamento no STF e transferindo para a Justiça comum, dos processos envolvendo ex-parlamentares.
Na terça-feira (5), parlamentares bolsonaristas ocuparam as mesas diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados com o objetivo de colocar em votação no plenário o “pacote da paz”. Houve negociação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), 35 anos, e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), 48 anos, e os parlamentares encerraram a manifestação na noite de quarta-feira (6) – há uma abundância de matérias disponíveis na internet.
Não vou comentar sobre o protesto porque os jornais diários estão fazendo um bom trabalho, com abundância e qualidade de informações. Vamos conversar sobre “o pacote da paz”. O ex-presidente está cumprindo prisão domiciliar. E a previsão é de que até o final de setembro esteja concluído o julgamento na Primeira Turma, onde Bolsonaro e outros 33 ex-ministros e funcionários de alto escalão do seu governo respondem por formação de uma organização criminosa com o objetivo de dar um golpe de estado.
Os parlamentares bolsonaristas sabem que o “pacote da paz” não irá rolar. Por vários motivos. Vou citar os que considero os mais importantes. Pesquisas de opinião pública mostraram que 61% dos brasileiros são contra a anistia. Um segundo motivo é que o impeachment de ministros do STF é um processo muito complicado. E, por último, a retirada dos casos dos ex-parlamentares envolvidos em crimes do fórum privilegiado para a justiça comum significa apostar na impunidade. Porque um juiz de primeira instância é muito mais vulnerável a pressões que um ministro do STF.
Então, por qual motivo estão fazendo todo este barulho com o “pacote da paz”? É simples. Para mobilizar as suas bases e, com isso, alimentar o prestígio político do ex-presidente. É justamente este prestígio que mantém o poder de Bolsonaro. Por ter sido considerado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele deverá indicar o seu substituto nas eleições presidenciais de 2026.
Até o mês passado, o ex-presidente estava no controle da administração do seu prestígio político. Pelos menos sete candidatos estavam na fila, disputando a sua indicação, entre eles os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), 44 anos, de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), 60 anos, e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 50 anos, que é considerado ficha número um da fila.
O que aconteceu? No início de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), 78 anos, decretou um tarifaço contra o Brasil, taxando em 50% a importação de produtos brasileiros para o mercado americano. Trump exigiu, para negociar a tarifação, a anistia para Bolsonaro e seus seguidores. Quem convenceu Trump a ligar a anistia ao tarifaço foi o deputado federal por São Paulo Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente que se licenciou do seu mandato e mudou-se para os Estados Unidos, onde montou um eficiente sistema de lobby na Casa Branca.
Eduardo colocou a digital dos bolsonaristas na decisão de Trump. Ainda na quarta-feira, o jornal O Globo publicou uma matéria com o título: Eduardo Bolsonaro diz que trabalha por mais sanções de Trump e que pode passar décadas “exilado”. Por ser uma decisão que causará um enorme prejuízo para a economia brasileira, a ligação do tarifaço com os bolsonaristas está corroendo o prestígio do ex-presidente.
Não foi por outro motivo que o governador gaúcho, Eduardo Leite (PSD), 40 anos, durante uma entrevista à GloboNews, na tarde de quarta-feira (6), responsabilizou Bolsonaro e seu filho Eduardo pelo tarifaço. Aqui é seguinte: responsabilizar a família Bolsonaro pelas pesadas tarifas impostas ao Brasil significa correr o risco de perder votos.
Por que Leite está correndo este risco? Simples. Ele e Ratinho são do mesmo partido e disputam a indicação para concorrer à Presidência da República. E Ratinho disputa com Zema e Tarcísio a indicação de Bolsonaro para substituí-lo nas eleições de 2026. Dentro deste contexto, Leite aposta na corrosão do prestígio do ex-presidente e se coloca como opção para o partido.
O que ninguém sabe é a velocidade com que o tarifaço está corroendo o prestígio político de Bolsonaro. Mas uma coisa é certa. A estratégia de associar o tarifaço com a anistia foi um tiro que saiu pela culatra. Os bolsonaristas estão tentando solucionar o problema radicalizando cada vez mais as suas ações, com foi o caso da ocupação das mesas diretoras da Câmara e do Senado.
Arrematando a nossa conversa. Há muitas variáveis soltas no ar no ambiente político do Brasil nos dias atuais. No meio desta confusão só existe uma grande certeza. A preservação da democracia brasileira, que é jovem, mas tem musculatura suficiente para resistir os ataques golpistas como os que aconteceram em 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas que estavam acampados diante dos quartéis das Forças Armadas quebraram tudo que encontraram pela frente no Palácio do Planalto, no STF e no Congresso. Isto é um fato.
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(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.
SOBRE O AUTOR: Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.





Resumo da opera. Preservar a ‘democracia’ de aparências. De emendas a coligação Executivo-STF, tudo é disfuncional. A olhos vistos. O resto é cascata.
‘Um segundo motivo é que o impeachment de ministros do STF é um processo muito complicado.’ Crime de responsabilidade é facil de achar. Proferir julgamento quando por lei for suspeito. Comportar-se de maneira incompatível com o decoro da função, vide mostrar o dedo do meio. Problema é que o Brasil é o Brasil, mesmo com maioria de direita no Senado a turma do ‘deixa disto’, ‘não vamos chacoalhar o barco’, prepondera. E, dizem as más línguas, tem muita gente com o rabo preso no foro privilegiado. Basta desengavetar e fazer correr alguns processos.
Kassab, raposa velha. Se Tarcisio mudar de ideia é candidato unico da centro-direita. Caso contrario vai ter meia duzia de candidatos no primeiro turno e se reunem no segundo.
Tarcisio é o candidato que mais ameaçaria os vermelhos hoje. A candidatura dele é o que a midia e os vermelhos ‘vendem’. Tem Kassab como secretario. Que mudou o discurso de uma certa forma. Mas diz o mesmo. ‘Se Tarcisio mudar de ideia’. ‘Existem duvidas quanto a eleição dele a presidencia, só com uma condição muito favoravel’. Disse Kassab que não existe preferencia no partido, pode ser Ratinho ou Milk. Olhando daqui é conversa de raposa velha. Milk tentou candidatura no pleito anterior, não rolou e teve que voltar com o rabo no meio das pernas. Elegeu-se governador mais por conta da rejeição de Pretto do que outra coisa. Pergunta que fica, o que aconteceu desde o pleito anterior que tornaria a eleição de Milk a presidencia mais possivel? Nada.
Cavalão está preso, praticamente incomunicavel e inelegivel. Não deve mudar até a proxima eleição. Não tem nada a perder. Não estando no proximo pleito corre o serio risco, mesmo que a situação se reverta, de perder o ‘bonde da historia’. Apesar disto ainda tem algo entre 20 e 30% dos votos e militancia engajada.