Mulheres no trabalho: conquistas, desafios e a busca por ambientes mais seguros – por Rosito Zepenfeld Borges

Datas temáticas costumam carregar significados importantes. O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem nesse ano um contexto forte, pesado… Face aos crescentes números de violência contra a mulher registrados no Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul. Mas também é uma oportunidade importante para refletir sobre os avanços e desafios da presença feminina no mundo do trabalho. Nas últimas décadas, o Brasil passou por mudanças significativas nesse cenário. A participação das mulheres na força de trabalho cresceu de forma consistente, resultado de transformações sociais, maior acesso à educação e da busca por igualdade de oportunidades.
Hoje, milhões de brasileiras estão presentes em praticamente todos os setores da economia. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que mais de 40 milhões de mulheres estão ocupadas no país, demonstrando a relevância da força de trabalho feminina para o desenvolvimento econômico e social. Ainda assim, desafios persistem, como a diferença salarial em relação aos homens e a conhecida dupla ou tripla jornada, na qual muitas mulheres conciliam trabalho profissional com responsabilidades domésticas e familiares. Muitas vezes sem nenhuma ajuda ou rede de apoio.
Ao mesmo tempo, observa-se um avanço importante na ocupação de espaços de liderança. Em diversos setores, mulheres têm assumido posições estratégicas e de grande responsabilidade, inclusive como diretoras e executivas de grandes empresas. Essa presença crescente em cargos de decisão representa não apenas um avanço na igualdade de oportunidades, mas também uma transformação na forma como organizações são conduzidas e geridas.
Quando se discute a participação feminina no trabalho, também é necessário abordar um aspecto fundamental: a segurança e a saúde ocupacional. Historicamente, muitos ambientes de trabalho foram estruturados com base em um perfil predominantemente masculino. Isso pode gerar situações em que equipamentos, ferramentas ou postos de trabalho não estejam plenamente adaptados às características físicas e às necessidades das mulheres.
Questões como ergonomia inadequada, equipamentos de proteção individual desenvolvidos com base em medidas masculinas e a exposição a riscos psicossociais — como assédio e sobrecarga mental — evidenciam a importância de incorporar a perspectiva de gênero nas políticas de segurança do trabalho. A própria mudança da CIPA, que desde março de 2023 passou a significar Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio representa uma nova forma de pensar. Promover ambientes seguros significa considerar as diferenças e garantir que todos os trabalhadores tenham condições adequadas para desempenhar suas atividades.
Refletir sobre o papel das mulheres no mundo do trabalho é, portanto, também refletir sobre a construção de ambientes mais justos, seguros e inclusivos. Valorizar a participação feminina não é apenas reconhecer conquistas históricas, mas também fortalecer uma cultura de prevenção, respeito e cuidado que beneficia toda a sociedade.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





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