UFSM. Sindicato dos Docentes, em artigo, denuncia ‘tentativa de desconstruir’ instituição e suas entidades

ufsm documentoA acusação de “antissemitismo”, que alcança escalões superiores da Universidade Federal de Santa Maria, tem recebido, deste sítio, o espaço necessário e, claro, com a posição de todas as partes envolvidas no episódio. Além de, evidentemente, noticiar os fatos dela decorrentes.

Agora é a vez da Seção Sindical dos Docentes. Seu presidente, Adriano Figueiró, e o integrante da assessoria de imprensa, Fritz Nunes, assinam artigo enviado à mídia. É o que você confere a seguir, na íntegra:

A tentativa de desconstruir a UFSM e suas entidades

A forma distorcida e até maldosa como tem sido tratado o caso referente à solicitação de informações sobre o convênio entre a UFSM e a empresa de tecnologia militar Elbit, encaminhado ainda em agosto de 2014 à reitoria, nos leva a refletir sobre o papel nefasto das redes sociais na propagação de inverdades, bem como da postura autoritária de alguns formadores de opinião nos meios de comunicação. As pessoas, entidades, movimentos sociais, são condenadas de forma categórica, valendo a versão em sobreposição ao fato.

Quem acompanha a história da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm) e das demais entidades e dos demais movimentos sociais que estiveram à frente dessa iniciativa, sabe o quanto tem sido caro um amplo trabalho voltado à defesa das minorias, dos direitos humanos. Olhando o passado recente se percebe a atuação em favor da comunidade indígena, da comunidade negra, dos direitos das mulheres, da solidariedade incansável, desde os primeiros momentos, aos familiares dos atingidos pela tragédia da  Kiss.

A Sedufsm também tem protagonizado, ao longo de seus 25 anos, importantes jornadas de debates abordando temas como a ditadura militar, o nazifascismo, sempre em oposição a qualquer ideia de totalitarismo. Portanto, torna-se estranho que, um pedido de informações sobre possíveis relações entre a UFSM e uma empresa privada de origem israelense, sendo esta uma contribuidora para a violência do Estado israelense contra o povo palestino, possa ser interpretado como um ato discriminatório.

É preciso lembrar que o sindicato tem tido papel fundamental na luta contra a privatização da universidade, seja pela tentativa de sucessivos governos, ou através do avanço de projetos privatistas desenvolvidos dentro da instituição, que muitas vezes só são percebidos depois que escândalos como o do caso Fatec/Detran vêm à tona.

Dessa forma, refutamos qualquer tentativa de nos associar com visões discriminatórias e autoritárias. Os 25 anos de história estão recheados de atos e fatos em favor da democracia e da justiça social, o que, aliás, foi o que nos levou a nos mobilizar em favor da causa palestina, em agosto do ano passado, quando a população da região de Gaza morria às centenas, bombardeada por mísseis do exército de Israel. Jamais partiu ou partirá dessas entidades, atitude de cunho racista a qualquer etnia, muito menos ao povo israelense, com seu histórico de sofrer perseguição.”

Por ADRIANO FIGUEIRÓ (Presidente da Sedufsm) e FRITZ NUNES (Jornalista da assessoria de imprensa da entidade)



9 comentários

  1. José

    Parabéns,adoraram a divulgação porque conseguiram seu objetivo de afastar as partes… mesmo que para isso tenham exposto pessoas idôneas. Vai saber se quem divulgou não foi outro que assinou o pedido.

  2. Zureta Komaroff

    Seção Sindical dos Docentes da UFSM e da Causa Palestina = SEDUFSMCP. Que se ajustem às causas, então.

  3. Mauro Bianco

    Ok, mas afinal com que propósito querem monitorar israelenses na UFSM? Acham-se no direito de boicotar pesquisas na área da guerra ops "defesa"? Vão fiscalizar também convênios da UFSM com os EUA, Cuba, China, Rússia, países neoimperialistas europeus etc? Vão monitorar simpatizantes do ISIS e do Hamas? O povo quer saber.

  4. Jack Baranhas

    Como associado, acho vergonhoso esse texto da SEDUFSM. Vergonhosa uma entidade que deveria estar agindo para proteger professores e a educação dar uma explicação dessas.

    Não é função da SEDUFSM. Não é o objetivo da SEDUFSM.

  5. Pedreira

    O documento encaminhado pela SEDUFSM pergunta, entre outras coisas, se:
    " A UFSM tem algum relação com pessoas jurídicas israelenses…";
    "Há,no momento, ou alguma perspectiva de a UFSM receberalunos/professores/autoridades/profissionais israelenses…?"

    Não se tratava, portanto, de "informações sobre o convênio entre a UFSM e a empresa de tecnologia militar Elbit". Envolvia si, informações sobre israelenses em geral. A administração errou, e muito, ao encaminhar o pedido, e erra mais ainda ao se esconder atrás da Lei de Acesso a Informação para se justificar. Mas, mente quem diz que a administração distorceu o pedido originado da SEDUFSM. O pedido é discriminatório, basta lê-lo para perceber isso, e espero que haja a devida responsabilização por tal atitude.

  6. O Brando

    @Pedreira está certo. Requerimento era:"Há, no momento, ou a perspectiva, de a UFSM receber alunos/professores/autoridades/profissionais israelenses? Se positivo, a convite/proposta de quem?".
    Diferente de "Existe, ou há possibilidade de ocorrer, convênio entre a UFSM e qualquer empresa, nacional ou estrangeira, vinculada ao setor de defesa?"
    Como um sujeito que tem visão androcentrica do mundo, diz que não é machista, mas quando vê uma barberagem no trânsito grita:"só pode ser mulher!". Politicamente correto só para os outros.

  7. marcelolv

    Não entendi… que me interessa informação sobre pessoas (alunos e docentes) se este sindicato quer saber informações sobre um convênio??? Agora querem fugir da culpa. Ministério Público e PF contra o SEDUFSM, ASSUFSM e até contra o DCE. Pelo menos devem investigar quem assinou a carta.

  8. Jack Baranhas

    Pra ti ver Fritz como foi infeliz essa artigo. Nunca tinha visto tanta gente concordar com um único ponto aqui no site do Claudemir.

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