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O jogo da vida – por Bianca Zasso

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Carregar o título de gênio não deve ser tarefa das mais fáceis. Cobrança, inveja e horas de dedicação são apenas alguns dos muitos problemas de ser bom demais no que se faz. Imagine então quando a inteligência está no mesmo nível da incapacidade de lidar com colegas de trabalho. E não estou falando de personalidade forte ou egoísmo, mas sim de uma doença ainda pouco compreendida pela sociedade e presente na biografia de quase todos os grandes homens da ciência: o autismo. O britânico Alan Turing precisou encarar esse obstáculo, além de outros dramas, para criar a máquina que está diante de nós, eu e você, caro leitor, neste exato momento.

O jogo da imitação, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado, poderia ser mais uma cinebiografia sobre um grande homem que não teve vida fácil. Turing, interpretado com competência pelo ator Benedict Cumberbatch, desvendou o código Enigma, utilizado para a troca de informações entre os alemães, e mudou os rumos da Segunda Guerra Mundial. Já seria um feito e tanto para o desenvolvimento de uma trama, mas O jogo da imitação volta seu olhar mais atento não para a máquina criada, mas sobre o homem por trás dela e sua dificuldade de encarar o mundo e suas regras sociais.

Contratado para ser o líder do grupo de matemáticos responsáveis por traduzir as mensagens, ele não aceita trabalhar em equipe, a cobrança de prazos o irrita e sua sinceridade é extrema, em especial quando não deve ser. Sua fama de arrogante começa a mudar com a ajuda de Joan, uma jovem tão inteligente quanto Turing, e que faz das madrugadas de estudos ao seu lado um aula de sobrevivência. Afinal, para fazer Christopher (nome pelo qual Turing chama a máquina) funcionar, é preciso contar com a ajuda de seus colegas e ter jogo de cintura para lidar com seus superiores. Joan também ajuda a revelar o homem traumatizado no amor, mais uma das faces de Turing.

Algumas das melhores cenas são as que contém as gafes sociais do protagonista, que não entende indiretas e não se constrange em revelar a verdade por trás dos gestos de sedução que o cercam. Porém, O jogo da imitação não se preocupa em explicar o autismo ou mostrar o processo de criação dos cálculos de Turing. Seu foco é o homem de conflitos e ideias gigantes por trás do início de uma das grandes revoluções tecnológicas do nosso tempo.

Se vivêssemos em um lugar onde as diferenças e escolhas fossem respeitadas, talvez nosso cientista tivesse visto que fosse uma parte de sua criação ganhar reconhecimento. Ao guardar um segredo de guerra, ele poderia correr riscos. Mas ser homossexual foi considerado seu maior “erro”. Isolou-se para não ir para a cadeia e seguir com seu trabalho, até não suportar o peso de sua pena. Um das regras injustas do jogo da vida que ele tentou aprender a jogar.

O jogo da imitação (The imitation game)

Ano: 2015

Direção: Morten Tyldum

Disponível em DVD, Blu-Ray e na plataforma Netflix

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