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Experiência Educativa – por Liliana de Oliveira

A reorganização do ensino estadual promovido pela Secretaria da Educação do Governo do Estado de São Paulo tem como objetivo fechar escolas e cortar gastos, incluindo demissão de professores e trabalhadores. A Secretaria de Educação pretendia fechar 25 escolas estaduais na capital e, ao todo, 94 escolas de todo o estado seriam fechadas e usadas para outro destino. Os prédios onde ficam estas escolas a partir de 2016 seriam usados por outros equipamentos educacionais, como se tornar diretoria de ensino, núcleo pedagógico ou ser entregue ao Centro Paula Souza para virar Etec ou Fatec, ou ainda para a Prefeitura de São Paulo.

Entretanto, a mobilização da comunidade escolar por parte de alunos, pais, professores e todos aqueles que se solidarizaram com o fechamento das escolas garantiu a suspensão do fechamento (ainda que temporário) das escolas. Jovens ocuparam as escolas, no contra fluxo, policiais militares invadiram as escolas com armas e fuzis. Jovens enfrentavam os fuzis com cartazes, canções e manifestos (*).

Quando vi os jovens ocupando suas escolas, passei a acreditar na educação. Explico. Educar não é transmitir conteúdos, ensinar a tradição ou exercitar memória e repetição. Os processos educativos pressupõem partilha, encontros, vivências, experiências. Por isso, muitas vezes se dão no contraturno ou no contratempo da escola. Os processos educativos se dão muito mais nos espaços coletivos de partilha do que nos espaços de sala de aula.

Os processos educativos se dão nas cantinas, nos corredores, nos jogos, nos recreios, nos intervalos entre as paredes ou fora delas. Pensando assim, fico imaginando uma escola que tenha menos disciplinas obrigatórias e promova mais encontros. Encontros que permitam a leitura, a escrita, a comunicação, a expressão, a formação política, o exercício da cidadania.

Os alunos da Escola Estadual Antônio Viana de Souza, de Guarulhos, fizeram uma emocionante releitura e interpretação da música “Cálice”, de Chico Buarque, como forma de protesto. Fico imaginando como isso se deu. Reuniram-se coletivamente, ouviram Chico Buarque, reinterpretaram uma linda canção usava na ditadura militar contra o silenciamento e violência e produziram sua forma de protesto contra o governo atual. Jovens educados.

Tenho convicção de que a experiência de ocupar a escola e enfrentar o estabelecido produziu uma experiência política, cidadã e educativa muito mais significativa do qualquer aula sobre teoria política.

Ver: https://www.youtube.com/watch?v=T7MUd11laTI&feature=share

(*) O mais impressionante é que tudo o que li sobre as manifestações nas escolas em São Paulo, li de modo independente na internet. Não vi nenhuma notícia na grande imprensa. Nenhuma palavra sobre a gestão Alckmin.

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