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Devagar, janeiro – por João Luiz Vargas

“Enquanto isso, fevereiro surge no horizonte com outro ritmo”

Janeiro chega sempre com passos lentos.
É o mês que parece testar nossa paciência, como se o calendário resolvesse caminhar mais devagar só para nos observar. A gente espera a virada do ano como quem espera um sinal, uma permissão para recomeçar. Abraça o ano novo cheio de promessas, metas e desejos, mas logo no primeiro mês já quer que ele passe rápido.

Talvez seja ansiedade.
Talvez seja o peso das expectativas que colocamos sobre um número que muda no calendário, acreditando que ele, sozinho, seja capaz de transformar tudo.

Janeiro é esse tempo estranho de transição. Ainda carregamos o cansaço do ano que ficou para trás, mas já somos cobrados por decisões, produtividade e resultados. É o mês da esperança em estado bruto, ainda sem forma, ainda em construção.

Enquanto isso, fevereiro surge no horizonte com outro ritmo. Ele parece passar mais rápido, quase escorrendo entre os dedos. Parte dessa sensação vem do clima de festa, do Carnaval, do sol, do mar e da alegria que muitos aguardam. Mas há também algo simples e concreto que contribui para isso: fevereiro é um mês mais curto, com menos dias, como se o próprio calendário ajudasse o tempo a correr.

Talvez o mês passe devagar justamente para nos perguntar se estamos apenas esperando o tempo correr ou se estamos, de fato, construindo o ano que desejamos viver e o país que queremos ajudar a formar.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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