CIDADE. Discrepância de premiação entre homens e mulheres, em torneio no ATC, causa grande polêmica

CIDADE. Discrepância de premiação entre homens e mulheres, em torneio no ATC, causa grande polêmica

CIDADE. Discrepância de premiação entre homens e mulheres, em torneio no ATC, causa grande polêmica - avenidaUma grande discussão se travou, inicialmente na internet, ganhou espaço na mídia e ainda repercute fortemente. No caso, a queixa (e o repúdio) de um grupo de mulheres em função da discrepância de premiações para atletas masculinos e femininos em tradicional torneio de tênis promovido pelo Avenida Tênis Clube (ATC). No caso, a Copa Docelina de Tênis.

A seguir, você confere a “Carta Aberta”, com mais de sessenta assinaturas de mulheres, de repúdio à atitude da entidade social e esportiva e, logo na sequência, a posição oficial do ATC,enviada ao site, a pedido deste editor.

Acompanhe, pela ordem:

CARTA ABERTA DE REPÚDIO AO AVENIDA TÊNIS CLUBE

Na última Copa Docelina de Tênis Etapa 1 Super Tênis RS, realizada no Avenida Tênis Clube (ATC), conhecido clube santamariense, nós mulheres nos deparamos, novamente, com a chocante e entristecedora realidade que é ser mulher e atleta: a discrepância nas premiações para primeiro lugar entre homens e mulheres. É sabido que, mundialmente e em diferentes espectros da sociedade, mulheres ganham menos que homens e estão sempre batalhando contra esta absurda desigualdade, porém quando nos confrontamos com uma premiação 28 (VINTE E OITO) vezes menor que a ofertada ao masculino, mesmo pagando igual valor pela inscrição na competição e a entrada para assistir ao evento ser gratuita, vimos uma urgência de escancarar essa situação e repudiar publicamente a posição do clube referente a estas premiações.

No mesmo mês em que as mulheres organizaram, pelo mundo inteiro, greves e manifestações contra o machismo, racismo, LGBTfobia e a exploração capitalista, levantando bandeiras como a desigualdade salarial entre homens e mulheres, o mesmo clube que se preocupou em fazer eventos internos para “participação e protagonismo feminino”, nos desmerece e nos humilha, colocando a nós um prêmio de R$250,00, enquanto homens ganham R$7 mil reais . Nós estamos exaustas de termos nossa pauta roubada para a promoção de um falso protagonismo feminino, enquanto somos 28x MENOS valorizadas. Queremos ser respeitadas durante todo o ano, todos os eventos e todas as competições. Nossa prática esportiva também deve ter o mesmo valor que a dos atletas do “sexo masculino”. Como podemos pensar numa sociedade que incentiva o esporte, quando apenas uma parte das(os) atletas é incentivada a permanecer nele?

É um absurdo que um clube que carrega no nome o Tênis, desconheça a história deste e do início da Women’s Tennis Association (WTA), associação esportiva internacional que organiza competições profissionais de tênis feminino, a qual foi criada por mulheres a partir da indignação das atletas do circuito feminino profissional devido a HUMILHANTE diferença das premiações entre homens e mulheres. É vergonhoso que em pleno 2018 ainda tenhamos que batalhar pelo reconhecimento nesse espaço, que também é nosso, e que possui grandes tenistas como Billie Jean King, ativista feminista lésbica e uma das melhores atletas do mundo, lutando desde a década de 70 por maior reconhecimento e prestígio das mulheres neste esporte. É revoltante e entristecedor, também, que no país de Maria Esther Bueno, vencedora de 19 títulos de Grand Slam, consigamos apenas vislumbrar Guga, detentor de 3 Grand Slams e também grande atleta brasileiro. É de uma infelicidade imensa que grandes clubes propaguem esta negligência em relação ao esporte praticado por mulheres, principalmente por abordar um espectro micro-social que contempla, por consequência, meninas novas e desde cedo reforça a ideia social imposta de que valemos menos que os meninos.

Avenida Tênis Clube argumentou que a diferenciação nos valores da premiação é devida a participação de atletas masculinos profissionais e poucas mulheres inscritas na competição feminina. Mas, a participação de atletas masculinos profissionais é consequência do incentivo da premiação de R$ 7 mil reais e a pouca participação feminina consequência da falta do mesmo. Sendo R$ 75,00 o preço igualitário para se inscrever na competição, mais finanças para viajar até a cidade e se manter durante os dias do evento, é absurdo acreditar que o valor da premiação de R$ 250,00 seja chamativo para tenistas profissionais da categoria feminina se inscreverem e cubra todos os gastos necessários .

Dessa forma, nós mulheres exigimos que nossa história no Tênis seja respeitada pelo Avenida Tênis Clube. Queremos uma retratação pública e um sincero pedido de desculpas para as mulheres tenistas e não tenistas por essa desrespeitosa desvalorização de nossa prática enquanto atletas. Exigimos também que nos futuros circuitos e competições o clube se comprometa a estabelecer um prêmio igualitário para ambas as categorias, sem nos desvalorizar em relação aos competidores homens. Chega de termos nossa prática esportiva desmerecida. Somos mulheres e somos atletas.

Assinam esta carta:

Luiza Pires Roos
Andressa de Mello Cabistani
Milena Martinbianco
Alice Carvalho da Silva dos Santos
Ana Carolina Drehmer Santos
Stéfani Carine Bender
Kauane Andressa Müller
Gabriela Freitas
Nathana Diska
Laura Gusman
Cibele Felin
Isabela Quevedo
Vitória Maurente Nascimento
Natália Lavarda
Laura Antunes Gomes
Maithê Saldanha
Lorrana Pozzatti
Cristielle Roatt
Gabriela Hennig Osmari
Echi Lima
Julia Zeni
Isadora Carpes
Bruna Cogo Borin
Nathalia Cogo Borin
Carolina Cogo Borin
Francine Molinari
Ana Luiza Lopes Koech
Tamara Finardi
Renata Dalla Porta Fraga
Andressa Santos
Valéria Rossimar Goulart Rosa
Jessica Noll
Laisa Santana Cides
Mariana Moura
Ana Cláudia Smaniotto
Gabriela Salamoni
Carolina Bergenthal
Julia Possebon Santi
Liliana Souza De Oliveira
Liane Vellozo
Emanuelli Aguiar de Lima
Charlene Guareschi
Andyara de Freitas
Bruna Berger
Bianca Cordeiro Manfrin
Giovana Cardoso Kümmel
Roberta Trindade Rocha
Aline Londero
Bruna Fagundes Pacheco
Rafaela Pszebiszeski
Emanuela Winckler Martins
Esther Costa Faria
Raíra Bohrer dos Santos
Hortência Noronha dos Santos
Maria Cecília Pereira da Rocha
Caroline Siqueira Flores
Greice Laura Kemper
Cíntia Oliveira
Susy Ataíde dos Santos
Maria Eduarda Brendler Nosvitz
Daphne Carús
Raisa Nunes
Luiza Nascimento Leite
Caroline Sobotyk de Oliveira”

Para quem quiser conferir a íntegra, no original, e for usuário do Feicebuqui, clique AQUI.

A SEGUIR, A POSIÇÃO OFICIAL DA DIREÇÃO DO AVENIDA TÊNIS CLUBE

Posicionamento ATC sobre premiação da 26ª Copa Docelina de Tênis

A premiação é definida, em partes, de acordo com o número de participantes de cada categoria. Nos últimos anos, observamos que, enquanto mais de trinta atletas se inscrevem na 1ª Classe Masculina, em média quatro atletas disputam na 1ª Classe Feminina. Além do fator comercial, a questão técnica também influencia na premiação. Nesta competição (Copa Docelina), os atletas que disputam a 1ª Classe Masculina são de nível muito próximo ou igual ao profissional, enquanto que as atletas que disputam na categoria Feminina estão muito longe do nível profissional.”

 



2 comentários

  1. O Brando

    Pouca grana resolveram priorizar o masculino.
    Conselho executivo do clube tem 11 integrantes, duas mulheres: no jurídico e no social.
    Diretores de departamento têm uma exceção: diretora do departamento de sauna feminina.
    Conselho fiscal é masculino. Conselho deliberativo só homens.
    Conclusão: Tênis é o clube da bolinha e do Bolinha.

  2. O Brando

    Dando uma olhada no blog de José Brenner encontra-se isto: “primeira diretoria: presidente, Stellita Mariense de Campos, autora da ideia; vice-presidente, Aracy Pinto de Azevedo; 1ª secretária, Docelina de Arruda Gomes; 2ª secretária, Dorvalina Gomes da Costa; tesoureira, Odette Appel Lenz. Estavam presentes Georgina Brenner, Violeta de Arruda Gomes e Maria Becker Pinto. Todas essas e mais Zilda Morsbach Haeffner são as nove jovens que podemos citar como fundadoras do Avenida Tênis Clube, cujas idades variavam de 15 a 18 anos.”
    Conclusão: as bisavós mereciam ganhar o mesmo ou até mais do que os homens. As bisnetas merecem ganhar menos mesmo, só sabem “chorar as pitangas” e esperar as coisas caírem prontas do céu.

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