CongressoPolítica

ARTIGO. A incapacidade leva Bolsonaro a atacar o Congresso e até o Supremo, escreve Paulo Pimenta

Um país à deriva

Por PAULO PIMENTA (*)

O atual presidente da República nunca escondeu seu ódio à democracia. Mas agora, diante da incapacidade de dar alguma notícia boa para o povo brasileiro e sem ter como explicar a nefasta política de destruição de direitos – a começar pela proposta de exterminar a Previdência Social pública e, com ela, os mecanismos de proteção aos mais pobres – Jair Bolsonaro mostra desespero e aprofunda o ataque às instituições.

Elegeu o Congresso Nacional e até o Supremo Tribunal Federal como alvo, dançando perigosamente com a desestabilização institucional, a fim de agradar o consórcio de poder que ajudou em sua eleição: o mercado financeiro, representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes; os lavajateiros comandados por Sérgio Moro e seu projeto de poder à parte; e os filhos que se utilizam das redes sociais para atacar quem lhes questione, alimentando o caos e a instabilidade.

Na verdade, Bolsonaro é fruto de uma irresponsabilidade histórica de uma elite que o colocou no poder em nome de um irracional antipetismo. Essa elite praticou um vale-tudo para eleger Bolsonaro, que, como contrapartida, se comprometeu com uma agenda que agora não tem condições de entregar.

No plano internacional, Bolsonaro envergonha o país ao submeter nossa soberania aos desígnios de Washington, colocando em risco a estabilidade política da América do Sul e a nossa posição de destaque no comércio internacional.

A proposta de Reforma da Previdência (PEC 06/2019) não tem apoio nem da bancada governista no Congresso, em consequência da incapacidade de articulação do governo e da mobilização popular em todo o País, que não aceita a destruição de direitos garantidos na constituição. Esta proposta é um prêmio aos banqueiros e um crime contra o povo.

Incapaz de coesionar o seu governo, de controlar os ímpetos de seus filhos e de dialogar com supostos aliados, Bolsonaro critica agora a “velha política” e tenta jogar o povo contra o Congresso. Ora, ele ficou 28 anos como deputado federal, sem nenhuma proeminência, e ainda jogou na política seus três filhos, todos enriquecidos por meio de atividades suspeitas. Não tem moral para falar de política, pois sua prática é a das oligarquias, se utiliza de ameaças contra as instituições, chegando a insinuar o uso da força para garantir sua pauta.

A crise aprofunda-se, mas a família Bolsonaro continua sem explicar suas ligações com o Fabrício Queiroz, ex-assessor do atual senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) que é acusado de movimentações milionárias em suas contas sem comprovação de renda. Não explicam também as suspeitas de envolvimento com o ex-PM Ronnie Lessa, acusado de assassinar a ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

A família Bolsonaro é capaz de tudo, menos de reduzir a instabilidade e o caos, ou mesmo de unir o país em torno de um projeto de desenvolvimento justo. Por isso, o momento atual exige unidade ampla de todos os setores que defendem a democracia, a nossa soberania e a manutenção de direitos históricos do povo brasileiro.

(*) Paulo Pimenta é Deputado Federal, líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a foto que ilustra este artigo é de Dorivan Marinho/Divulgação STF.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Tua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo