COMPORTAMENTO. Três opiniões: até que ponto a mídia influencia no modelo “ideal” de corpo humano

COMPORTAMENTO. Três opiniões: até que ponto a mídia influencia no modelo “ideal” de corpo humano

Por BRUNA MILANI (com fotos de Arquivo Pessoal), Especial para o Site (*)

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Psicóloga Andressa Rocha da Cas e a influência na mídia entre as pessoas

Seja magro ou gordo, baixo ou alto, o corpo humano ao longo da história da humanidade sempre foi assunto para ser debatido, entre a roda de amigos ou familiares, vindo a ser discutido em palestras. Na história, o corpo tem uma importância significativa dentro do contexto social e filosófico, já que autores como Sócrates e Platão tentavam compreendê-lo. Por sua vez, na idade média, os corpos considerados “bonitos” não eram aqueles que esteticamente serviam de atração. Nessa época, o corpo gordo representava saúde e para as mulheres isso significava que ela seria uma boa reprodutora e uma boa mãe.

Com o surgimento das revistas e da televisão, o corpo exposto fez com que o público, em grande parte o feminino, preocupa-se com a estética e a adquirir os novos planos de dietas, pílulas que emagrecem, comidas light e low carb, ou seja, sem carboidratos, cosméticos e cirurgias plásticas.

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Jornalista Gabriela Martins enfatiza as redes sociais como influenciadoras

A psicóloga Andressa Rocha da Cas explica que os meios de comunicação de uma maneira geral utilizam as imagens para simular a realidade do cotidiano na tentativa de influenciar a identificação das pessoas com os personagens. “O problema é que, mesmo quando ocorre alguma identificação, há um padrão já estabelecido pelos personagens no modo de se vestir, de se comportar, de se relacionar e explícito ou não esse padrão condiz com o que está na moda”.

Durante as consultas, Andressa nota que as mulheres costumam relatar insatisfação com o corpo e a aparência. “Os relatos estão sempre acompanhados de comparações feitas entre as mulheres e a preocupação com as críticas das outras pessoas e percorrendo a história de vida dessas mulheres, identificamos que muitas vezes as críticas começam dentro da família”, comentou.

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Estudante Harrison Marques: comentários da pré adolescência sobre o corpo

Para a jornalista Gabriela Martins, 22 anos, atualmente a mídia vem exercendo uma influência significativa na vida das pessoas através das redes sociais, como o Instagram. “Antigamente, o padrão de beleza era o da protagonista da novela das 21 horas e hoje em dia com o alcance das redes sociais já não podemos definir um único biótipo desejado”, argumentou.  Conforme Gabriela, as mulheres são ainda o público mais afetado com a mídia. “É comum vermos as pessoas opinarem mais sobre o corpo feminino. A cobrança parte muito por parte da mulher, pois ela tem que ser magra, ter o cabelo hidratado, estar sempre maquiada”.

O estudante de inglês da Universidade Federal de Santa Maria, Harrison Fernandes Marques, 24 anos, acredita que através das propagandas na televisão, novelas, filmes e séries é mostrado apenas um modelo de corpo, ou seja, o magro. “A pessoa que é mais gordinha vai se sentir intimidada e não representada por aquilo que está sendo apresentado para ela, fazendo com que essa pessoa queira combater essa imagem ou ela vai tentar de alguma forma chegar a esse corpo que está sendo apresentado para ela”, disse.

De acordo com o estudante, a mídia tem o poder de persuadir as pessoas e somos seres influenciáveis. “Eu tenho uma lembrança de quando eu era pré-adolescente, lá pelos doze anos, que a minha família me chamava de gordo e eu vendo fotos hoje em dia, percebo que nem chegava perto de ser gordo, pelo menos não como eu sou hoje. Acho que grande parte disso, sim, foi influência da mídia”, relembrou.

(*) Bruna Milani é acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana e faz seu “estágio supervisionado” no site



1 comentário

  1. O Brando

    Critica construtiva. Na idade média obviamente não havia mídia, mas o padrão ‘gordo’ representava saúde, boa capacidade reprodutiva, etc. Problema é que as condições naquela época eram completamente diferentes. Condições de higiene, alimentação deficiente, doenças, expectativa de vida perto de 35 anos e assim por diante. Ou seja, gordura poderia significar em determinados contextos maior chance de sobrevivência. Resumo da ópera: não é tão simples.
    Últimos tempos apresentam uma tendência ideológica de ‘inclusão’, de acomodar todo mundo. A mídia imporia um padrão e os que se afastassem desta média estariam sendo prejudicados de alguma forma. O problema seria externo, não das pessoas que se acham subrepresentadas ou não conseguem lidar com a própria aparência (minoria, diga-se de passagem, mais uma escolha ideológica).
    Pois bem, noutra ponta a mídia também bombardeia com a necessidade do exercício físico e da alimentação saudável. Não é de graça. Sobrepeso é fator de risco para diabetes tipo 2. Geralmente é acompanhada de sedentarismo, outro fator de risco. Diabetes é uma das 10 principais causas de morte no país, fora amputações e complicações diversas. Também aumenta os casos de doenças vasculares, AVC e infartos que causam muitas mortes. Conclusão óbvia é que o ‘padrão’, ao menos em parte, não está errado.

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