EXTRA. Conversas revelam Moro direcionando Deltan na Lava Jato. Chats vazados para um site internacional

EXTRA. Conversas revelam Moro direcionando Deltan na Lava Jato. Chats vazados para um site internacional

EXTRA. Conversas revelam Moro direcionando Deltan na Lava Jato. Chats vazados para um site internacional - escândalo

Ainda como juiz, Sérgio Moro (D) orientava o Ministério Público, via Deltan Dallagnol. Ação (vazada para a internet) fere a Constituição

Do portal PODER360, com montagem sobre fotos de Fernando Frazao e Antonio Cruz, da Agência Brasil

Conversas obtidas pelo portal The Intercept mostram que havia trocas de mensagens secretas entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol. Nas comunicações, Moro aparece dando orientações sobre procedimentos da Operação Lava Jato, da qual era juiz e Dallagnol é coordenador. Esse tipo de comunicação é considerada ilegal pela Constituição Brasileira.

PARA LER AS MATÉRIAS ORIGINAIS DO THE INTERCEPT, CLIQUE AQUI

De acordo com a publicação, o então juiz antecipou decisões, deu conselhos –como a inversão da ordem de fases da Lava Jato – e até cobrou celeridade da força-tarefa: “Não é muito tempo sem operação?”, questionou após 1 mês sem deflagração de novas fases.

Moro negou que coordenava ações com MPF (Ministério Público Federal): “Eu não tenho estratégia de investigação nenhuma. Quem investiga ou quem decide o que vai fazer e tal é o Ministério Público e a Polícia (Federal). O juiz é reativo”, o disse o então juiz em palestra realizada em março de 2016.

A divulgação das mensagens acontece após o Ministério da Justiça denunciar uma invasão ao celular de Moro. O portal, no entanto, diz que teve acesso às conversas “bem antes da notícia da invasão”. Procurada pelo Poder360, a pasta ainda não se pronunciou sobre as acusações contra o ministro.

Confira mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol expostas na matéria do Intercept:

16.out.2015
Em 1 grupo, procuradores da Lava Jato reagem à notícia da soltura do diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, que acompanhava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagens. Dallagnol abre uma conversa privada com Moro e questiona: “Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. […] Seria possível apreciar hoje?”. Moro responde: “Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia”. O juiz  acrescenta: “Teriam que ser fatos graves”. Então, no grupo, o Dallagnol diz que falou “com o russo [que seria o apelido de Moro]” e os procuradores passam a debater estratégias para reverter a soltura –o que nunca aconteceu.

Nov.2015
Moro envia uma questão a Dallagnol: “Olha está um pouco difícil de entender umas coisas. Por que o mpf recorreu das condenacoes dos colaboradores augusto, barusco e mario goes na acao penal 5012331-04? O efeito pratico é impedir a execução da pena”. Pouco depois, às 14h01, o juiz publica 1 despacho em que chama o recurso do MPF de “obscuro”. Às 14h08, o procurador responde em mensagem privada e é rebatido pelo então juiz: “Na minha opiniao estao provocando confusão. E o efeito pratico sera jogar para as calendasa existência [da] execução das penas dos colaboradores

7.dez.2015
Moro envia a Dallagnol 1 possível pista sobre 1 dos casos de Lula: “Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”.

21.fev. 2016
Moro envia uma mensagem que parece ser sobre o planejamento do Ministério Público. “Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas.” Dallagnol responde, citando problemas  para acatar a sugestão. No dia seguinte, em 22.fev.2016., começa a 23ª fase da Lava Jato, a Operação Acarajé.

27.fev.2016
Em mensagem, Moro pergunta: “O que acha dessas notas malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela ajufe?

31.ago.2016
Não é muito tempo sem operação?”, perguntou o então juiz ao procurador, às 18h44. A última fase da Lava Jato havia sido realizada 29 dias antes. Deltan respondeu “É sim“, mais tarde.

Mar.2016
Moro demonstra irritação com o que considerou 1 erro da Polícia Federal. Não fica claro qual é o erro: “Tremenda bola nas costas da Pf”. Não satisfeito com as justificativas de Dallagnol, diz: “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora

13.mar.2016
Na época, as manifestações contra o governo Dilma tomaram as ruas. 
Dallagnol envia mensagem comemorando: “E parabéns pelo imenso apoio público hoje. […] Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. […]

Moro respondeFiz uma manifestação oficial. Parabens a todos nós.
Depois, complementa: “Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.

16.mar.2016
No dia em que a ex-presidente Dilma Rousseff tentou nomear Lula para a Casa Civil, Moro e Dallagnol conversaram sobre a divulgação de 1 áudio entre os dois ex-chefes de Estado. Dallagnol questiona: “A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeacao, confirma?”. Moro rebate com outra pergunta: “Qual é a posicao do mpf?”. O procurador retorna apenas com “abrir

No áudio, captado após o período de autorização para interceptação, Dilma diz:
Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!

Após a divulgação do áudio, a nomeação de Lula  foi suspensa por liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF. Gilmar alegou que a nomeação do petista poderia representar uma “fraude à Constituição.”

19.mar.2016
Seis dias após a divulgação dos áudios, Dallagnol pergunta a Moro: “A liberação dos grampos foi um ato de defesa. Analisar coisas com hindsight privilege é fácil, mas ainda assim não entendo que tivéssemos outra opção, sob pena de abrir margem para ataques que estavam sendo tentados de todo jeito…”. Moro responde: “nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim”…”

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5 comentários

  1. Massa

    Tão lindo ver as “instituições” trabalhando juntas e integradas(independência é pros fracos e pra quem não tem partido), tudo pra “salvar” o País dos “vermelhinhos” corruptos. E a prova está aí, após esses anos desta tão elogiada e isenta(o Juiz virou ministro, vejam que coisa) operação, o Brasil está indo de vento em popa e finalmente com um governo sério, honesto e muito, extremamente capacitado e com um belo projeto que vai levar o Brasil….. pro brejo.

  2. O Brando

    Faltou uns detalhes. A matéria no The Intercept é assinada por Glenn Greenwald. Figura conhecida.

    https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/377062/Glenn-Greenwald-Bolsonaro-%C3%A9-muito-mais-perigoso-do-que-Trump.htm

    • joao

      “O Brando” está recorrendo a fálacia ad hominem, ao atacar o jornalista ao invés dos fatos publicados ele.

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumentum_ad_hominem

    • O Brando

      Informar quem é o autor não é uma crítica, é uma constatação. Alás, o autor ficou famoso no episódio em que o Wikileaks vazou grampos de diversas autoridades e o marido dele ficou detido num aeroporto na Inglaterra. Alás, o marido do autor é deputado federal pelo PSOL. São fatos, valor cada um coloca o seu.

  3. O Brando

    O mesmo jornalista entrevistou o Molusco na prisão para o mesmo site.

    https://theintercept.com/2019/05/22/lula-brazil-ex-president-prison-interview/

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