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Para refletir.Professora e escritora lamenta que gestores gaúchos encarem educação como gasto

Recebi e publico um articulado texto de avaliação da greve do magistério estadual, enviado pela professora e escritora de livros infantis Iolanda Roos dos Santos. Seria conveniente que os gestores da educação pública gaúcha o levassem em conta com bastante seriedade. Afinal, o que está em jogo não é um governo, mas uma geração. Ou, quem sabe, mais de uma. Leia e reflita e passe adiante, se achar que vale a pena.

 

“A greve dos professores estaduais

 

O sistema de punição aplicado aos professores grevistas, campeia solto pelo estado do Rio Grande do Sul, em conseqüência da mobilização realizada para a manutenção do plano de carreira, uma conquista da categoria. Educadores que, mesmo com baixos salários, salas de aula superlotadas de alunos pela enturmação e vale-refeição de valor miserável, seguem dando suas aulas fazendo com que o Rio Grande do Sul atinja a melhor classificação em nível de Brasil.

 

Esses profissionais muitas vezes constituem-se no único referencial na vida de crianças, jovens e adultos, que em grande parte vivem em condições econômicas desfavoráveis. Eles são a firmeza, o incentivo que não pode faltar, o porto seguro e a demonstração de que estudar vale a pena mesmo diante de todas as dificuldades e descaminhos que a sociedade oferece. Acompanham os passos de muitas gerações buscando realizar com seus alunos aprendizagens significativas voltadas para a formação cidadã.

 

Os professores esmeram-se pesquisando, estudando, planejando aulas, montando projetos e propostas de trabalho buscando atingir cada vez mais os novos paradigmas da educação. Lutam pela inclusão de muitos brasileiros em todas as esferas públicas, mas historicamente são excluídos, segregados de políticas salariais dignas de sua formação superior com especializações, mestrados e doutorados.

 

Pois justo no Rio Grande do Sul, estado-referência em educação, somos hoje obrigados a conviver com gestores que tratam a educação como gasto público e não como investimento e preparação do futuro. Se não bastassem as atitudes desmedidas desse governo despótico, a classe dos trabalhadores é exposta publicamente a todo momento. As escolas que estão paralisadas e as que não estão são divulgadas pelo governo como forma de intimidação. Assim como se a paralisação é total ou parcial. Só falta e vir a público o nome dos educadores mobilizados.Parece que em nosso estado só quem faz greve são os professores. No decorrer do ano aconteceram greves em diferentes setores da esfera pública e em nenhum momento foi exposto à sociedade seus quadros de adesão ou não ao movimento como é feito com os grevistas em educação.

 

A ciranda continua embalada pelos sons das sinetas. Está na hora do corte dos salários e Maria entrega Paulo e Paulo entrega fulano e, de repente, entregam toda a categoria e aos poucos a ciranda vai se desfazendo. Será que o Rio Grande do Sul está virando outro país dentro do Brasil, que hoje é um exemplo de democracia e de respeito às diferenças de opiniões? Frente ao autoritarismo espraiado pelo nosso estado, os educadores retornam às aulas com suas cabeças quase decepadas e voltam porque sabem que a ignorância só interessa aos arrogantes ou aos ditadores.

 

Iolanda Roos dos Santos – professora da rede estadual e escritora de livros infantis“

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