É CINEMA. Bianca Zasso, a quarentena por conta do coronavírus e uma ansiedade que dificulta as escolhas

É CINEMA. Bianca Zasso, a quarentena por conta do coronavírus e uma ansiedade que dificulta as escolhas

É CINEMA. Bianca Zasso, a quarentena por conta do coronavírus e uma ansiedade que dificulta as escolhas - bianca-1A estante ansiosa

Por BIANCA ZASSO (*)

Afirmar que nossa sanidade não é alterada, mesmo que por breves momentos, em períodos como os que vivemos agora, em decorrência da pandemia de coronavírus é a maior prova de juízo alterado de um ser humano.

Isolar-se em casa (e essa é a solução, antes que algum leitor venha tentar me convencer que não há motivo para tal decisão) e ter à disposição dezenas de possibilidades de distração graças à tecnologia pode parecer um paraíso para quem quer colocar leituras e filmes em dia. Mas quem disse que nossas estantes, estejam lotadas ou vazias, não podem tornar-se inimigas?

Por conta do trabalho com pesquisa e crítica de cinema, muitos foram os convites que recebi nos últimos dias para dar sugestões do que assistir durante a quarentena. Muitas foram as listas que preparei, algumas horas me dediquei a fuçar nas mais diversas plataformas e canais de TV, além de estar sempre atenta a iniciativas como as dos canais Arte 1 e Telecine e o streaming do SPcine, que abriram suas programações para não assinantes.

Dos clássicos aos mais recentes lançamentos, passando por documentários e produções vindas dos mais longínquos continentes, a sensação é de que podemos mergulhar em um mar de filmes. Só que quando nosso corpo submerge, nos percebemos à deriva.

Sei que estou escrevendo sobre privilégios. Milhares de trabalhadores da saúde, da limpeza pública e autônomos que precisam sair de casa para garantir que a mesa não tenha pratos vazios durante esses dias estranhos, sequer conseguem pensar em distrações. Mas a ansiedade que tomou conta de mim e de alguns amigos próximos também em isolamento diante da sensação de mais tempo de descanso e milhões de dúvidas me fez escrever, que é, desde que aprendi a juntar uma letra com a outra, o meu melhor remédio.

É tanto para aprender que não sabemos se vale a pena começar. Se começamos, lembramos que há uma rotina modificada, que estabelecimentos estão fechados e, o que antes era uma solução rápida, agora precisa ser repensado e planejado com mais dedicação.

Perdi a conta de quantas vezes tive minha imersão em páginas e cenas interrompida nos últimos dias por conta da preocupação com meus pais e avós, que fazem parte do grupo de risco, e de mim mesma, já que carrego uma nova vida no ventre que pode dar a cara no mundo em meio a toda essa confusão.

Eu sei que meu dever como crítica e jornalista seria fazer deste espaço concedido pelo chefe Claudemir a oportunidade de apresentar novos olhares sobre o cinema para os leitores do seu “sítio”. Mas a tal sanidade que citei no início do texto parece ter sido interrompida também por estes pagos e cá estou, desabafando em páginas que deveriam conter o resultado de quase uma década de dedicação à pesquisa em cinema.

Se nem filmes possuem análises exatas, porque nós seríamos diferentes? Só me resta pedir: leitores desta humilde coluna, fiquem em casa, ajudem quem te ajuda a também ficar em casa, lave as mãos e, quando o coração acalmar, escolha um filme ou um livro pelo instinto.

Talvez seja mais fácil seguir em frente assim. Qualquer problema, chama que a gente tem listinha para quase tudo e um bom papo (mesmo à distância) faz sempre bem.

(*) Bianca Zassonascida em 1987, em Santa Maria, é jornalista e especialista em cinema pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Cinéfila desde a infância, começou a atuar na pesquisa em 2009. Suas opiniões e críticas exclusivas estão disponíveis às quintas-feiras.



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