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ARTIGO. Giuseppe Riesgo e a conversa necessária para garantir saúde e a economia, contra a Covid-19

Entre a economia e a saúde: diálogo

Por GIUSEPPE RIESGO (*)

O Rio Grande do Sul se prepara para flexibilizar as medidas de isolamento social e, assim, seguir o gradualismo no combate à pandemia do coronavírus. Após mais de um mês de restrições na circulação das pessoas, aos poucos, tentaremos voltar para alguma normalidade. Mas será que estamos no caminho certo? A despeito do avanço da doença em nosso estado, as pressões sociais para a reabertura do comércio e a volta do funcionamento da economia, certamente, pesaram na análise dos prefeitos e do nosso governador na tomada dessa decisão.

Desde que estabelecemos a (falsa) dicotomia entre saúde e economia, sempre defendi o diálogo e a racionalidade. A saúde precisa de equipamentos, remédios e trabalho. Logo, é um bem econômico também. Por isso nunca me pareceu adequado separá-la da economia. Se o país não vai bem os serviços de saúde tendem a colapsar. Não há como separá-los. Ao mesmo tempo – sabemos -, respeitar as medidas sanitárias e aumentar o distanciamento social ajuda os países a achatar a curva de contágio, evitar o colapso do sistema de saúde e, consequentemente, salvar vidas. O lockdown total intensifica o achatamento do contágio, mas cobra seu preço com o colapso econômico, principalmente dos mais vulneráveis.

Ontem, a Universidade Federal de Pelotas apresentou nova rodada do estudo de campo encomendado pelo governo do Rio Grande do Sul para compreender a taxa de prevalência da COVID-19 em nosso estado. O objetivo é compreender a incidência populacional do vírus e seu avanço através de testes em uma amostra aleatória da população gaúcha. O estudo é análogo à estratificação social feita nas pesquisas eleitorais, por exemplo.

Atualmente, aponta o estudo, a prevalência da doença no Rio Grande do Sul é baixa. Teríamos pouco mais de 15 mil contaminados ou ainda uma pessoa infectada para cada 769 habitantes. A incidência demográfica no estado também se mantém menor do que a média nacional (12 casos para 100 mil habitantes. No Brasil esse índice é de 34,2) e o nosso sistema de saúde experimenta uma demanda moderada evitando, por enquanto, o colapso (66,2% dos leitos de UTI estão ocupados). Atualmente, apenas 27% das cidades gaúchas apresentam casos de coronavírus e ainda que a expansão demográfica da doença atinja 75,5% da população, a maioria das nossas cidades poderia estar controlando a doença de forma menos traumática para a economia e a manutenção dos empregos.

Conduzir bem a economia significa propiciar uma boa oferta de serviços para a população, incluindo a saúde pública. Nosso estado adotou medidas duras que, provavelmente, auxiliaram para que, ao final de abril, ainda tenhamos uma incidência baixa da pandemia no RS. Agora, precisamos ter a coragem de encarar a vida e a realidade. Se precavendo, educando e cuidando da nossa gente, principalmente os idosos, que são os mais afetados pela letalidade dessa doença. A decisão não é fácil, mas necessária. Com boas práticas e solidariedade ao próximo, tenho certeza, iremos poupar empregos e a nossa economia. Consequentemente a saúde ganha e o vírus perde. Equilíbrio e diálogo associados a um distanciamento coordenado por regiões; é disso que precisamos, agora, para seguir em frente com saúde, emprego e tranquilidade para nossa população.

(*) Giuseppe Riesgo é deputado estadual e cumpre seu primeiro mandato pelo partido Novo. Ele escreve no Site todas as quintas-feiras.

Observação do editora imagem que ilustra este artigo é uma reprodução da internet.

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