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FEICOOP. Projeto inovador da UFSM fortalece e descentraliza ações da economia solidária

Feicoop vai bem além do que se percebe no Centro de Referência Dom Ivo

Integrantes do projeto Fomento à Economia Solidária na região Central do Rio Grande do Sul, no Feirão Colonial

Da Assessoria de Imprensa da Feicoop / Por Maiquel Rosauro (texto e foto)

O que você imagina quando ouve falar em Feicoop? Feirantes expondo produtos ou debates sobre sustentabilidade, comércio justo, agroecologia e agricultura familiar? O seu pensamento está correto, porém a Feira Internacional do Cooperativismo vai muito além das ações desenvolvidas nos pavilhões do Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, em Santa Maria. A partir da Feira são desenvolvidas ações que beneficiam dezenas de comunidades.

Desde o início de julho, o Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural e o Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenvolvem o projeto Fomento à Economia Solidária na região Central do Rio Grande do Sul. O objetivo é fortalecer as iniciativas de Economia Solidária organizadas pelo Projeto Esperança/Cooesperança.

Todas as manhãs de sábado, dezenas de acadêmicos e professores da UFSM se reúnem no Centro de Referência de Economia Solidária para planejar e executar o projeto. No local, ao mesmo tempo, ocorre o Feirão Colonial, onde feirantes da região expõem seus produtos. 

Na amanhã do último sábado (5), por exemplo, durante a abertura da Feira da Primavera, a professora Gisele Guimarães, responsável pelo projeto, salientou que UFSM está presente em todas as atividades da Economia Solidária.

“Desenvolvemos um trabalho técnico, social e ambiental com muita prioridade neste espaço atuando junto aos feirantes, agricultura familiar, fomento a biodiversidade, resgate de sementes crioulas. Acreditamos na formação profissional com humanidade e, portanto, com respeito a sociedade e a natureza como recurso da transformação social”, comentou Gisele.

A coordenado do projeto Esperança/Cooesperança, irmã Lourdes Dill, comemora a excelente recepção que os feirantes tiveram com o trabalho desenvolvido pela UFSM.

“Este é um projeto muito importante, com atuação direta com os produtores. Todos os sábados pela manhã há dezenas de jovens universitários trabalhando no Feirão Colonial junto aos feirantes”, disse irmã Lourdes Dill.

A proposta de Fomento à Economia Solidária também se diferencia por interagir com outros projetos que já estão em curso na região e que levam acadêmicos e professores de diversos cursos da UFSM para dentro das comunidades. Desta forma, as ações são descentralizadas e ajudam a fortalecer diferentes iniciativas que possuem a Feicoop como ponto de convergência. 


Sementes crioulas
Um exemplo desta interação ocorreu no dia 29 de agosto, no Feirão Colonial, quando ocorreu a distribuição das sementes crioulas a partir do Projeto Milho Crioulo, coordenado pela professora da UFSM, Liziany Müller. Na ocasião, foram doadas sementes para produtores que participam do Projeto Esperança/Cooesperança. 

“Foram distribuídas sementes crioulas a todos os feirantes que tiveram interesse em manter vivo esse espírito de Economia Solidária, de continuar disseminando esta cultura”, explica Liziany.

Entre as variedades de milho doadas estavam palha fina, sertanejo, cateto branco, caiano roxo e trincado amarelo. As sementes foram produzidas por guardiões de sementes crioulas do município gaúcho de Ibarama, que recebem apoio do Grupo de Pesquisa em Agroecologia, Educação do Campo e Inovações Sociais (Girassol), da UFSM.

Conforme o professor José Geraldo Wizniewsky, diferente do milho transgênico e híbrido, as variedades crioulas foram evoluindo ao longo dos anos devido à seleção feita pelos povos originários de Ibarama. 

“O milho foi sendo selecionado e se adaptando. Os guardiões foram identificando qual milho é melhor para fazer farinha, qual é o melhor para óleo e assim por diante. Eles descobriram, por exemplo, que os cachorros gostavam de comer determinada variedade,  o que indica alto teor de óleo”, explica Wizniewsky.

Os agricultores que receberam as sementes, em troca, se comprometem a plantar, respeitando o cultivo orgânico e todos os cuidados necessários para evitar cruzamento de variedades. Além disso, os produtores, após a colheita, doam parte da semente colhida, garantindo assim a cultura de troca e disseminação das sementes crioulas.


Horta Comunitária
As ações desenvolvidas pela UFSM no fomento à Economia Solidária não se restringem apenas aos pequenos agricultores. No Residencial Dom Ivo Lorscheiter, na periferia de Santa Maria, a instituição apoia uma horta comunitária onde são cultivados alimentos para dezenas de famílias. 

A área onde está localizada a horta comunitária era um depósito de lixo e havia uma proposta de ser criado um galpão crioulo no local. Porém, o diretor da associação dos moradores, Luiz Antonio Loreto, conhecido como Mestre Militar, era contra a ideia e sugeriu a criação de uma horta. 

Em dezembro de 2016, a irmã Lourdes Dill apresentou o Mestre Militar ao zootecnista e servidor técnico-administrativo da UFSM, Juarez Felisberto. Do encontro, surgiram as primeiras discussões para a criação da horta. Em julho de 2017, em uma roda de conversa na 24ª Feicoop, ocorreu a discussão sobre o processo burocrático da parceria com a UFSM. No ano seguinte, iniciou o plantio.

“Conseguimos recursos com a UFSM para implemento e trator. Essa terra era toda de aterro e, para conseguir produzir tivemos que trazer solo de outras áreas. Foram cerca de oito ou dez caçambas”, lembra Juarez.

Hoje, dezenas de famílias plantam no local cerca de 25 espécies de hortaliças na Horta Comunitária Neide Vaz. A meta é seguir aumentando e, acima de tudo, oportunizar culturas que, até então, não estavam ao alcance da periferia. 

“Não cobramos nada do pessoal e a Associação também não ganha nada. Mas damos benefícios às pessoas. Temos espaço para reunião, banheiro, composteira e cisternas para captar água da chuva. A ideia é que o pessoal não apenas plante aqui, mas também reutilize o lixo orgânico”, relata Mestre Militar.


No local, são produzidos, por exemplo, brócolis, acelga, couve chinesa, couve de Bruxelas, alface, rúcula, radite, couve-rábano, coentro, beterraba, repolho, couve-flor, jiló, ervilha, peixinho, coentro, cebola, cebolinha, quiabo, entre outras.

“Cada um planta um pouco e cada um tem o seu canteiro. O que tem mais ajuda o que não tem nada. E funciona. Alguns vêm todos os dias, outros no fim de semana ou à tardinha. A maioria trabalha e todos se ajudam. Funciona de verdade”, garante o presidente da horta comunitária, Adahir Flores Lopes.

Com o início do projeto de Fomento à Economia Solidária, novos acadêmicos estão atuando no local. É o caso, por exemplo, do engenheiro florestal e mestrando em extensão rural pela UFSM, Rayan Scariot Vargas.

“Estamos construindo uma espécie de agrofloresta, buscando colocar verde (água) porque é um local que pode passar por estiagem. No meu canteiro fiz uma linha dupla de cana, já que cresce rápido e promove água”, relata Vargas. 

Quem comemora a chegada dos novos acadêmicos é a coordenadora da Câmara Temática da Agricultura Urbana e Periurbana do Conselho de Segurança Alimentar de Santa Maria (Consea), Isabel Lopes. Ela considerada a horta comunitária uma iniciativa revolucionária em virtude da recuperação do solo promovida pelos moradores. Com o maior envolvimento da UFSM, ela acredita que a comunidade do bairro terá ainda mais benefícios.

“Os acadêmicos do projeto da professora Gisele atuam direto com a horta, então vamos usar as informações do que eles estão produzindo para criar um programa de gestão de resíduos domésticos”, explica Isabel.

Cavalos
Junto à horta comunitária também é produzido um projeto piloto para produção das mudas de hortaliças no próprio local e, ao mesmo tempo, cultivar mudas para pasto de cavalos. A preocupação com os equinos é constante no bairro, já que diversos moradores atuam com reciclagem e utilizam carroças.

“Precisamos acabar com a ideia de que basta soltar o cavalo em qualquer lugar e ele vai se alimentar bem. O que nem sempre é verdade”, aponta  o professor Adriano Rudi Maixner, da área de zootecnia da UFSM.

O objetivo é realizar a semeadura em pequenas bandejas. O preparo inicial é feito com um substrato melhor e adubação mais pesada para que elas desenvolvam uma boa estrutura. Depois, a mudinha é levada para o canteiro e segue o ciclo natural da planta.

Feicoop
A Feicoop teve início em 1º de dezembro e segue até o dia 15 deste mês. Devido à pandemia de covid-19, a maioria dos eventos ocorre de forma online e são transmitidos pela fanpage https://www.facebook.com/feicoop.

O evento é organizado pelo Projeto Esperança/Cooesperança e Banco da Esperança, braços da Arquidiocese de Santa Maria; Cáritas Brasileira e Cáritas Regional Rio Grande do Sul; Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Instituto Federal Farroupilha (IFFAR) e Prefeitura Municipal de Santa Maria, com apoio de diversas entidades e instituições.

Vaquinha
Para bancar os custos da edição on-line do evento, foi desenvolvida uma vaquinha virtual. Qualquer pessoa pode colaborar a partir do link:     https://www.kickante.com.br/campanhas/apoie-feicoop-2020

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