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UFSM. Entidades questionam o que consideram a falta de diálogo no processo à sucessão da reitoria

Pesquisa de opinião com comunidade universitária está marcada para quinta

Prédio da Reitoria, no campus de Camobi, onde se localiza a Administração Central da Universidade (foto Divulgação/UFSM)

Por Fritz R. Nunes / Da Assessoria de Imprensa da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm)

Na quinta, 24 de junho, das 7h às 22h, os três segmentos da UFSM – docentes, estudantes e técnicos (as) – poderão participar de uma pesquisa de opinião, virtual, para referendar a única chapa inscrita para o processo de sucessão à reitoria da universidade. Após a realização dessa pesquisa, o resultado será encaminhado para avaliação dos conselhos superiores, que têm o papel de encaminhar a lista para o governo federal definir quem será nomeado (a). O modelo desenvolvido na universidade foi discutido e aprovado em sessão do Conselho Universitário, sem que representações das entidades tenham sido chamadas a opinião. 

Esse é o melhor formato, a melhor alternativa?

Para o vice-presidente da Sedufsm, professor Ascísio Pereira, a forma como foi definida essa metodologia de consulta à comunidade (pesquisa de opinião) criou um problema, que é “o da falta de envolvimento da comunidade com o processo, ou seja, dos três segmentos”. E, isso, segundo ele, acarretou um desinteresse.

“O formato de pesquisa de opinião foi pensado de uma forma fechada, dentro de pequenos grupos e depois encaminhado ao Conselho Universitário. Por que os segmentos não foram convidados a discutir essa metodologia?”, questiona Ascísio. “Até se considera que os nomes que compõem a única chapa que se inscreveu à pesquisa são respeitados”. Contudo, ele entende que a forma como o processo foi encaminhado levou a uma “desmotivação”, o que afeta a democracia interna.

Tânia Flores, da coordenação geral do sindicato dos (as) técnico-administrativos (as), Assufsm, vinculada à Fasubra, também critica a falta de interação com as entidades. Na avaliação dela, o “processo está comprometido, pois o próprio conselho está encaminhando a ‘pesquisa’ e, posteriormente, a eleição. Infelizmente, as entidades, que normalmente encaminhavam a pesquisa, de forma paritária, e posteriormente comunicavam o resultado ao Colégio Eleitoral, não foram ouvidas”. E complementa: “um retrocesso em relação a outros processos”.

Precedente perigoso

Luiz Eduardo Bonetti, da coordenação do DCE da UFSM, também reclama da falta de diálogo. “Por mais que possa aparentar ter pouca importância a curto prazo, a falta de diálogo com as entidades representativas da UFSM, na construção da proposta para o processo de sucessão terá um preço caro a ser pago a médio e longo prazo”, avalia o estudante. Na visão do DCE, a forma como foi encaminhado o processo “gera um precedente perigoso, que restringe, ao invés de ampliar, a democracia universitária. Num cenário de intervenções como o atual, caso tenhamos uma intervenção pelo governo Bolsonaro na UFSM, este com certeza será um respaldo para uma lógica antidemocrática”, destaca Bonetti.

Contudo, para o representante estudantil, ainda é cedo para fazer uma análise sobre a estratégia adotada. “Um dos pontos centrais para essa análise será a legitimidade do processo perante a comunidade. E isso se dará apenas após o resultado da pesquisa, e ainda, dentro das discussões no Conselho Superior”. De qualquer forma, diz ele, a pesquisa é, na realidade, apenas uma das etapas necessárias. “Ainda é necessário avaliar qual será o movimento feito dentro dos Conselhos Superiores para garantir que a lista seja formada, conforme a decisão tomada pela comunidade acadêmica”, pondera Bonetti.

“No nosso entendimento, não foi a melhor solução, pelo fato de que esse formato não tem conexão com os cargos-Reitor e Vice, aos quais a consulta se propõe”. Essa avaliação é de Clovis Senger, da seção sindical da Atens na UFSM (Sindicato dos Técnicos de Nível Superior das Instituições Federais de Ensino). Essa situação, segundo ele, “poderá acarretar confusão, pois as pessoas não saberão efetivamente para qual cargo estarão elegendo as pessoas da chapa”.

Alejandro Lezcano Schwarzkopf, que é secretário de Administração do Sinasefe/Santa Maria, analisa que a questão (do formato) não pode ser julgada como certa ou errada e, sim, como “a única capaz de apresentar alguma resistência diante do contexto de intensificação do autoritarismo sobre as instituições produtoras e promotoras de conhecimentos científicos e técnicos, como são as Universidades Federais e os Institutos de Federais de Educação Científica e Tecnológica”.

Para o dirigente do Sinasefe, “as relações estruturantes/estruturadas destas/nestas instituições compõem um dos importantes espaços sociais de produção e de ressignificação de saberes, estimulando a autonomia das comunidades nas quais estão inseridas, pois é a liberdade de pensamento, de opiniões e de ações que ‘assombra’ o atual governo que, para manter uma base de apoio doutrinada, nega a ciência e, o que é pior, os benefícios sociais por ela produzidos”.

Autonomia atacada

Uma dúvida assola a todos e todas. O formato desenvolvido na UFSM, de realizar uma pesquisa de opinião, e também de promover inscrição por chapa (com 3 nomes do mesmo grupo político) será suficiente para “driblar” a postura autoritária do governo de Jair Bolsonaro?

A coordenadora da Assufsm, Tânia Flores, afirma que “de forma alguma”. Ela ressalta que “a comissão eleitoral foi nomeada no conselho e as entidades não tiveram espaço para discutir nem mesmo o regimento eleitoral, que já estava pronto”. E acrescenta: “já tivemos exemplos iguais em outras universidades. Apesar de a autonomia universitária, consagrada na Constituição, estar sendo atacada diariamente por este governo, isso parece não estar preocupando os gestores. Prova é essa ‘tentativa’ de se adequar”, critica Tânia…”

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Um Comentário

  1. Resumo da ópera é simples: com o intuito de negar o governo equino jogaram fora a criança com a água do banho. Ainda abriram a discussão ‘Reitor serve para quê mesmo?’.
    Parabéns a todos os envolvidos.

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