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KISS. Na linha de frente ou nos bastidores do júri, o dedicado trabalho dos profissionais do jornalismo

Durante 10 dias, eles transmitiram as informações para os santa-marienses

Os primeiros profissionais do Diário na capital, em frente ao Foro. Depois, outros se incorporaram ao grupo (foto Divulgação)

O material abaixo foi produzido e publicado pelo portal especializado Coletiva.Net. Ele focou no trabalho realizado pelos jornalistas de Santa Maria, na linha de frente ou nos bastidores do julgamento dos quatro reus da Kiss. Originalmente disponivel na segunda-feira, 6, o site optou por “segurá-lo” para publicaão no final do júri popular. É o caso, agora. Acompanhe:

Jornalistas de Santa Maria dividem o trabalho entre Porto Alegre e a cidade palco do incêndio

Há uma unanimidade entre os jornalistas de Santa Maria que participam da cobertura do julgamento do caso da Boate Kiss: todos gostariam de estar na cidade de origem. Isto por ser palco do incêndio que vitimou 242 jovens e feriu mais de 600 pessoas na madrugada de 27 de janeiro de 2013. A razão da troca de local, em setembro de 2020, foi o chamado desaforamento, que é a transferência do julgamento de um crime doloso contra a vida pelo Tribunal do Júri.

O julgamento em duas frentes

A rádio Imembuí é um dos veículos de Comunicação da cidade que mantém uma equipe em Santa Maria e outra acompanhando o julgamento na Capital. O repórter Renato Oliveira, que transmite as informações na tenda instalada na praça Saldanha Marinho, a poucos metros do Boate Kiss, lamenta o desaforamento: “A população esperava que o julgamento fosse em Santa Maria, mas houve a troca de cidade, o que frustrou a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Todos clamam por justiça.” 

Desde 2013, Renato se debruça sobre o caso, ou seja, cobre protestos organizados pela AVTSM, acompanha investigação e a tramitação processual. “Jornalisticamente não me sinto de fora, pois acompanho em tempo real o julgamento”, afirmou o repórter que considera fundamental o andamento do júri, ainda que acredite que o desfecho não se dará agora. “Com tantos anos de Kiss, a gente sabe que ainda vem recurso do recurso após a decisão do tribunal agora.” 

De Porto Alegre, o repórter Fabrício Minussi é o responsável por passar as informações e fazer as entradas ao vivo sobre o dia a dia do júri para os ouvintes da rádio Imembuí. 

Renato Oliveira, da Rádio Imembuí. A base do repórter foi em Santa Maia, no estúdio ou na Tenda da Vigilia (Foto Divulgação)

“A Kiss não é uma escolha, a Kiss é nossa obrigação”

Diretora de Jornalismo do Diário de Santa Maria, Fabiana Sparremberger, 46 anos, é o elo entre os profissionais que atuam nas quatro plataformas: jornal, TV, site e rádio CDN, esta última há apenas três meses no ar e com a missão de estar totalmente integrada e em sintonia com as demais plataformas. Com mais de 25 anos de profissão, Fabiana estava no comando da Redação do Diário quando a tragédia ocorreu e, nesses quase nove anos, contribuiu com a equipe de 40 jornalistas ao tomar as decisões em relação ao caso Kiss. “Deslocamos quatro experientes repórteres para esta cobertura em Porto Alegre. O grande diferencial deles é estarem totalmente vinculados ao caso da boate Kiss, desde 2013”, explicou a gestora. 

Para Fabiana, ter a oportunidade de acompanhar o desfecho do caso provoca comoção dentro da Redação, que reflete no bom trabalho em grupo. “É bonito ver a equipe inteira se disponibilizando para entregar ao leitor, ouvinte e telespectador o melhor do nosso trabalho. Eu nunca precisei chamar os jornalistas para a missão, na época do incêndio, desde a madrugada de 27 de janeiro até hoje, eles sempre entenderam a importância desta pauta. Chegaram a trabalhar 14 horas por dia”, contou a jornalista, que é categórica ao afirmar: “A Kiss não é uma escolha, a Kiss é nossa obrigação.” 

E a carga traz muita responsabilidade na hora de passar a informação. “Cobrimos todos os eventos e demos voz aos sobreviventes, pais e membros da AVTSM, mas sabemos que não dá para tomar lado, o nosso cuidado é redobrado porque, além de tudo, moramos todos na mesma cidade”, esclareceu Fabiana. 

Retorno da audiência

A gestora se diz impressionada com o alcance da cobertura, principalmente, fora da cidade de Santa Maria. A redação tem produzido lives, com a participação de pessoas-chave no processo. Hoje, por exemplo, o delegado Sandro Meinerz, um dos que conduziu a investigação em 2013, era um dos convidados. A audiência cruza fronteiras e vai da Suíça ao Macapá. Durante a live, um seguidor escreveu: “Vocês que são de Santa Maria podem transmitir as informações por uma perspectiva diferente do resto do País. Sou de Minas Gerais”. A diretora considera este depoimento um exemplo da importância do papel deles.

As mensagens de apoio e incentivo ao trabalho da equipe são confirmadas pelos números do Facebook do Diário. Segundo a diretora de Jornalismo, fora de Santa Maria, o crescimento chega a 141%, passando de uma média de 29 mil impressões/dia para 70 mil impressões/dia. “No segundo dia do júri, por exemplo, o consumo de conteúdo em vídeo no Facebook do Diário aumentou 2.629%, passando de uma média de 16 mil minutos de consumo médio para 3,2 milhões de minutos. O número de usuários/dia no site do Diário cresceu 98%, ultrapassando a média de 40 mil usuários/dia”, comentou Fabiana, que acredita que o aumento reflete na confiança que os santa-marienses e também o público de fora têm no veículo.

Acompanham o júri na Capital os jornalistas Gabriela Perufo, Jaiana Garcia e Pamela Rubin Matge, além do fotógrafo Pedro Piegas. Ainda nesta semana, mais dois profissionais se juntarão à equipe em Porto Alegre: Dandara Flores Aranguiz e Felipe Backes. Todos contam com o suporte da redação integrada em Santa Maria.

Grupo da TV Ovo, mais direcionado ao olhar dos familiares das vítimas, também na cobertura do julgamento (foto Divulgação)

Olhos voltados aos familiares 

Outros cinco profissionais de Santa Maria acompanham com atenção os dias de julgamento. Eles integram a equipe da TV OVO – coletivo audiovisual, sem fins lucrativos, que trabalha com o registro da memória da cidade palco da tragédia em 2013. Diferente das lentes das câmeras das demais emissoras, o interesse da equipe está mais direcionado ao olhar dos familiares nos dias do julgamento.

Entre 2015 e 2018, a equipe produziu o documentário ‘Depois daquele dia’, que foi exibido no quinto ano da tragédia da Boate Kiss em telão instalado na praça Saldanha Marinho, no centro do município. O filme apresenta uma investigação sobre os impactos e aprendizados deixados pela tragédia em Santa Maria, as cicatrizes que marcaram a comunidade e as relações criadas entre as vítimas, os familiares e a própria cidade.

Dirigido pela jornalista santa-mariense, Luciane Treulieb, irmã de João Aloísio Treulieb – uma das vítimas da tragédia. O vídeo narra a história pela sua perspectiva pessoal, por ter vivido com proximidade os acontecimentos e efeitos que vieram depois daquele dia. “O João era gerente do bar da Kiss, em março, Patrícia, esposa dele, deu à luz Joana, pouco mais de um mês depois do incêndio, então o filme conta um pouco a história dessa família, a irmã conta sob a ótica dela e das transformações na cidade”, relembrou a diretora de produção da TV OVO, Neli Mombelli

“Para nós tem sido bem importante estar aqui, apesar da extensão do trabalho, pois temos longos dias pela frente”, resumiu Marcos. A equipe da TV OVO é constituída pelo assistente de fotografia, Alan Orlando, o diretor Marcos Borba, diretora de produção, Neli Mombelli,  diretor de  direção de fotografia, Rafael Rigon e no som, Victor Mascarenhas. Os profissionais seguirão captando imagens do julgamento para produzir um novo documentário.” 

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