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O mundo em múltiplas vozes – por José Renato Ferraz da Silveira

“Infelizmente, muitas delas são silenciadas em diversas partes do mundo”

Bom dia Internacionalistas! Cumprimento ao palestrante Prof. Dr. Issam Rabih Menem. A Comissão organizadora que promoveu esta semana histórica. A todos e todas presentes neste evento que abre a XIII Semana Acadêmica de RI-UFSM. O MUNDO EM MÚLTIPLAS VOZES.

Infelizmente, muitas vozes são silenciadas em diversas partes do mundo. Vimos em Gaza. Vimos na Ucrânia. Vimos na Europa. Vimos nos Estados Unidos e vemos todos os dias no Brasil. Vozes de negros, pardos, idosos, mulheres e crianças.

Lembrei da inesquecível música “The Sound of Silence” (O Som do Silêncio). É de 1964, de Simon & Garfunkel, que simboliza a alienação social, a superficialidade nas relações humanas e a dificuldade de comunicação. A letra descreve uma sociedade onde as pessoas “falam sem dizer nada” e “ouvem sem escutar”, simbolizando a desconexão apesar da proximidade física. A música também critica a adoração moderna ao materialismo e à tecnologia, representados pelo “deus de néon”.

A música trata da Falta de comunicação: retrata um mundo onde as pessoas se comunicam sem realmente se conectar. As palavras do narrador, que tentam alertar para o perigo da situação, se perdem no ar, pois a sociedade está “presa” e “acostumada” ao seu estilo de vida.

A Crítica social: O “deus de néon” representa o consumismo e os valores superficiais que substituem as relações humanas autênticas. A frase “o silêncio cresce como um câncer” mostra como a falta de diálogo e empatia pode se espalhar de forma destrutiva.

Mensagens ignoradas: as “palavras dos profetas” (mensagens importantes e críticas) estão escondidas “nas paredes do metrô, nas salas dos cortiços”, indicando que a sabedoria e a verdade são marginalizadas e ignoradas pela maioria. A solidão é algo terrível. Vivemos um mundo que estamos todos juntos e estamos tão sós. O fenômeno das redes sociais nos trazem para um mundo mais angustiado, frio e solitário.

Os casos de suicídio aumentaram no Brasil nas últimas décadas e anos recentes, uma tendência que contrasta com a média global de queda nas taxas. Dados específicos mostram um crescimento significativo: houve um aumento de 43% no Brasil em uma década. Em 2022, o país registrou um aumento de quase 12% no número de mortes por suicídio em comparação com o ano anterior, totalizando mais de 16.000 óbitos.

Entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano. As notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos também aumentaram 29% anualmente no mesmo período. Vivemos uma época de crise de identidades, institucional, de valores e de sentidos.

Um dos principais literatos do mundo, o filósofo coreano Byung-Chul Han, na sociedade do cansaço (Burnout Society), analisa as maneiras pelas quais o paradigma neoliberalismo extremo afeta o bem-estar psicológico nos tempos atuais. A sociedade atribui ao ser humano as qualidades de um computador (multitarefa, velocidade e desempenho).

Han diz que o século XX foi marcado por doenças como virais e bacteriológicas. Apesar da pandemia que vivenciamos, os males do século são caracterizados por distúrbios neuronais, como depressão, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, transtorno de personalidade bordeline, síndrome de burnout, que é esgotamento mental causado pelo excesso de trabalho, entre outros.

Han considera a sociedade atual a superação definitiva da sociedade da disciplina descrita pelo filósofo Michel Foucautl, na qual os indivíduos se sentem obrigados e influenciados pelos próximos. É o fim da sociedade da disciplina. Hoje vivemos a sociedade do desempenho. Vivemos e queremos ser aceitos. É a sociedade do filtro de fotos, dos likes, dos comentários positivos, dos compartilhamentos e de estar bem com a rede e não ser cancelado.

É o mundo de ser aceito, amado, querido.

Caros alunos e alunas, eu parabenizo a escolha do título dessa XIII Semana Acadêmica. Vamos aproveitar e aprender muito. E eu quero que vocês se lembrem desse dia 10 de novembro de 2025. A abertura dessa magnífica semana Acadêmica. 

E peço gentilmente que ouçamos as nossas vozes, a dos nossos professores, a dos nossos colegas, a dos nosso pais também, enfim, a dos nossos próximos e dos nossos distantes.

Eu quero e desejo um excelente e maravilhoso evento para todos e todas.

Vamos OUVIR TODAS AS VOZES POR UM MUNDO MELHOR, MAIS AMOROSO, MAIS EMPÁTICO E MAIS PACIFICO! EU ACREDITO NISSO E AGRADEÇO O ESPAÇO E A OPORTUNIDADE.

(*) José Renato Ferraz da Silveira, que escreve às terças-feiras no site, é professor Associado IV da Universidade Federal de Santa Maria, lotado no Departamento de Economia e Relações Internacionais. É Graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP e em História pela Ulbra. Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Colunista do Diário de Santa Maria. Participou por cinco anos do Programa Sala de Debate, da rádio CDN, do Diário de Santa Maria. Contribuições ao jornal O Globo, Sputnik Brasil, Rádio Aparecida, Jornal da Cidade, RTP Portugal. Editor chefe da Revista InterAção – Revista de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (ISSN 2357- 7975) Qualis A-2. Editor Associado da Scientific Journal Index. Também é líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).

(**) Acréscimo do editor: o texto acima é o discurso do autor, na aberturada XIII Semana Acadêmica de Relações Internacionais da UFSM, iniciada na manhã passada, e que tem como tema geral “o mundo em múltiplas vozes”.

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