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ENTREVISTA. “Minha meta são mil abraços”, diz irmã Lourdes Dill, sobre a sua despedida de Santa Maria

As palavras em vídeo da religiosa que é um sinônimo de Economia Solidária

Por Maiquel Rosauro / Da Assessoria de Imprensa dos Eventos da Economia Solidária

A irmã Lourdes Dill, 70 anos, vive seus últimos dias em Santa Maria. Após 35 anos de atuação no município, coordenando o Projeto Esperança/Cooesperança, ela partirá segunda-feira (2) para Barra do Corda, no Maranhão, onde iniciará um novo trabalho pela Congregação das Filhas do Amor Divino. Antes disso, na manhã deste sábado (30), será realizado no Feirão Colonial o Dia do Abraço, que marcará a despedida da religiosa.

“Meu último Feirão Colonial. Minha meta são mil abraços. Vou visitar cada banca, vou acolher consumidores, parceiros e amigos que vão lá visitar”, afirma a irmã.

A transferência para o outro lado do país foi anunciada em 21 de dezembro do ano passado, o que provocou uma grande comoção tanto em Santa Maria quanto fora do município. Grupos ligados à Economia Solidária promoveram uma mobilização para que a religiosa permanecesse na cidade, mas o trabalho não surtiu efeito.

Irmã Lourdes relata que entrou na congregação sabendo que não ficaria sempre no mesmo lugar.

“Eu tenho certeza, hoje, me sinto feliz em ter vencido essa etapa. Eu sei que muita gente se entristeceu por eu não ter dito ‘não, eu não vou’. Não podia fazer isso. Se dissesse, teria que tomar outros rumos. Eu não entrei na Congregação das Filhas do Amor Divino por causa de pessoas, entrei por causa do Reino de Deus e isso é o que alimenta a minha fé e a minha vocação”, explica.

Refletindo sobre tudo que ocorreu nos últimos meses, a irmã revela um único arrependimento.

“Foi um tempo difícil. A única coisa que eu, hoje, se tivesse que optar de novo, eu lutaria para ficar um ano, eu lutaria de mãos e pés para ficar um ano, mas foi me negado, não vou dizer por quem. Teria facilitado um pouco a transição, que foi legal e foi madura, mas teria ajudado a preparar a última Feicoop, o que é quase que um direito”, disse a irmã.

A próxima edição da Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) ocorrerá entre os dias 15 e 17 de julho, em Santa Maria. A participação da religiosa é incerta. A única certeza da irmã é de que o evento terá continuidade, conforme prometeu a ela o arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin, que tomou posse em agosto do ano passado.

“Pedi, insisti e Dom Leomar prometeu que não vai mexer no Projeto Esperança/Cooesperança, no Feirão Colonial e na Feicoop, que durante 35 anos foi a essência do meu trabalho”, afirmou.

Uma das principais críticas que se ouve a respeito da irmã é sua aproximação com lideranças políticas. Durante anos ela buscou articular emendas parlamentares com deputados de esquerda a fim de tirar do papel projetos de Economia Solidária e nunca se cansou de dialogar e cobrar políticas públicas dos prefeitos, sejam eles de esquerda ou direita. Ela defende que a política pública é direito do povo.

“Não tenho vergonha de dizer e digo com letras de ouro: no meu sangue tem o DNA também da política pública. Quem está no poder, no governo, governa com o povo e para o povo. Os recursos que eles administram é dinheiro nosso. Não podemos ser alienados políticos. É uma coisa que para alguns é um problema, para mim não é. Minha família, no dia da eleição, colocava a melhor roupa e fazia a melhor comida”, relata.

A irmã afirma que sai tranquila de Santa Maria e sem medo de ir para um lugar novo, como fez há 35 anos quando chegou ao Coração do Rio Grande. No Maranhão, ela projeta que seguirá atuando na organização dos pobres a fim de que tenham cidadania, democracia e autogestão, para que prosperem de forma coletiva e colegiada.

“Acho que o principal legado é a história construída não por mim, mas por todo esse coletivo. É um legado que não volta atrás, é um legado da fé, coragem, esperança, interação, consciência desse outro mundo que é possível”.

Assista a entrevista na íntegra:

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