Confronto ideológico marca eleição no DCE/UFSM
A velha briga esquerda x direita. Ainda que os conceitos, hoje, sejam cada vez mais difusos, o antigo confronto retorna na eleição da próxima semana, para saber quem vai mandar no Diretório Central de Estudantes da UFSM.
É verdade que desde Cláudio Langoni, em meio aos anos 90, e que chegou a presidência da UNE, e hoje é secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, não surgiu uma liderança expressiva sequer estadual, quanto mais nacional, no movimento estudantil santa-mariense. E atenção, não se está aqui a fazer juízo político de Langoni. É apenas uma citação.
Isso, no entanto, não diminui o antigamente apelidado ME. Ao contrário, em qualquer tempo, continua a ser uma excelente escola de lideranças, e sobretudo de militância política. E, claro, partidária também.
Talvez a memória se perca, mas no fim dos anos 70, início dos 80, quando militei na Universidade, havia muito mais paixão. Saudosismo, por certo. Mas escudado no óbvio: havia muito por que lutar, à época. Faltava um ingrediente fundamental no país, a democracia. Mesmo que formal. A luta era contra o autoritarismo. E unia muita gente que internamente se digladiava. Era o tempo dos partidos clandestinos: PCB, PC do B, MR 8, para citar os maiores. Depois, suas dissidências, da qual o PRC era a mais notória. E forte, no caso de Santa Maria.
Querem saber quem militava naquele momento histórico e que hoje ainda está em evidência no meio político? Alguns nomes: o vice-prefeito Werner Rempel, o coordenador regional do PTB, Mosar da Costa, o deputado estadual Estilac Xavier. O ex-vereador e deputado estadual e federal Marcos Rolim. Também é daquela época, e militava apenas no Centro de Ciências Rurais, o deputado federal pelo PFL, Onix Lorenzoni.
Veja: já naquela época as diferenças ideológicas eram óbvias. Mas não se machucava ninguém. Ao contrário, se aprendia. Enfim, não há muita novidade no fato de haver participação de militantes partidários no movimento estudantil. O que há, de novo, se é que se pode falar assim, é que se escancarou. Isto é: então, havia a preocupação com o segredo; em tempos atuais, não.
Você pode perceber facilmente isso no relato do jornalista Thiago Buzatto, na reportagem sobre o pleito no DCE, que o jornal A Razão está publicando nesta segunda-feira. Não se esconde nada. Antes, o próprio presidente da Comissão Eleitoral afirma existir o confronto ideológico. O que não é ruim, não. É bom. O exercício da militância é fundamental para quem deseja participar.
Pessoalmente, só desconfio de uma coisa. Fala-se muito que a entidade não será aparelhada pelos partidos. Mmmmmm… Será? Leia a reportagem e tire tua própria conclusão:
Esquerda x Direita no DCE
Chapas, que contam com integrantes de partidos, gartantem presença de ideologias, mas não de aparelhamento
Parece a disputa para o governo do Rio Grande do Sul. Ou para a prefeitura de Santa Maria. Pode parecer coincidência, mas as diferenças ideológicas que tomaram os últimos pleitos estaduais e municipais estão refletidos na eleição da maior entidade do Movimento Estudantil santa-mariense. As disputas entre PT, siglas identificados com movimentos sociais de esquerda, contra partidos como PMDB, PSDB, PDT se refletem na ideologia das duas chapas inscritas para a eleição do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Santa Maria, que acontece no dia 13 deste mês.
As chapas não negam. Há sim acadêmicos ligados a siglas políticas na nominatas das duas chapas concorrentes. A Chapa 1, Em Movimento, é formada, entre outros, por componentes egressos da Roda Viva, que presidiu a entidade em 2004, da atual gestão, Em frente, e da Mosaico, que perdeu o pleito do ano passado. Parte de seus integrantes está ligada ao PT e PSB.
Já muitos dos líderes da Chapa 2, Cinética, são identificados com PMDB, PDT, PSDB e, afirmam, até com o próprio PT e Psol. Alguns dos líderes da Chapa 2 participaram anteriormente da Identidade Acadêmica, que foi derrotada no pleito em 2004 e não concorreu no ano passado.
Tanto a Chapa 1 como a 2 traduzem o ingresso de militantes como polarização ideológica no tratamento dos assuntos estudantis. O estudante Vinícius Dalbianco, filiado ao PT, um dos coordenadores gerais da Em movimento considera como opção política o envolvimento dos integrantes da chapa com siglas políticas. Integrantes do partido estão presentes. É uma opção política. Muitos também não se envolvem porque não querem, afirma. No entanto, ele confirma que não é coincidência a formação das chapas por pessoas de partidos com ideologias diferentes. Quando se milita num partido, se leva a ideologia, como é levada para dentro da chapa, revela, lembrando, no entanto que isso não significa que a chapa é aparelhada. O acadêmico conta que em alguns momentos o Movimento Estudantil já foi aparelhado por partidos, e que a solução é estabelecer fóruns democráticos, como assembléias, congressos e conselhos de diretórios acadêmicos para aumentar a participação de outros estudantes.
Já o acadêmico Eduardo Vargas, da coordenação geral da Chapa 2 e filiado ao PDT, concorda ser normal a participação de estudantes filiados a partidos na direção do DCE. Quem se interessa por Movimentos Sociais, pela política, geralmente tem interesse no Movimento Estudantil, acredita. Vargas também concorda que a ideologia se reflete na composição das chapas. Tem diferenças na maneira de trabalhar. O grupo deles é mais fechado, enquanto o nosso está aberto para todo mundo, critica.
Acusações e divergências à parte, o discurso dos concorrentes é semelhante também no que se refere a receber verbas para material gráfico de candidatos ou partidos políticos. Uma campanha para o DCE custa em torno de R$ 2 mil. Dinheiro de candidatos é migalha, porque se recebe R$ 200 e tu se compromete para sempre, explica Eduardo Bacin, da Chapa 2. O financiamento partidário é complicado por causa do compromisso que tu assume afirma Vinícius Dalbianco, da Chapa1, lembrando que a maioria dos participantes não são filiados a partidos e que não compartilham da mesma opção partidária.
Para o presidente da Comissão Eleitoral, Laimar Pedroso, não permitir participação de acadêmicos com ligações partidárias seria uma forma de exclusão. E admite que há um confronto ideológico na eleição que se aproxima. No DCE, não são partidos que estão concorrendo. O que se coloca é a divergência clara entre esquerda e direita, encerra.
Participação de militantes de partidos no DCE é natural
A presença de acadêmicos ligados a partidos políticos nas chapas envolvidas na eleição para o DCE é considerada pelo presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFSM, Diorge Konrad, como normal. Também ligado ao Movimento Estudantil quando era acadêmico de História, o professor garante que este não é um privilégio dos estudantes ou da atual conjuntura.
Se for feito levantamento dos movimentos sociais do Brasil, faz parte da história e da democracia a participação de pessoas ligadas a partidos políticos nos movimentos sociais, explica Konrad, que acredita que esta configuração não chega a ser um problema, desde que haja autonomia da entidade em relação às siglas. Qualquer uma das chapas que concorre ao DCE que disser que não está vinculados a partidos estará omitindo. É legítimo que seus integrantes participem dos partidos, faz parte da democracia.
O presidente da Sedufsm lembra, também, que o DCE santa-mariense sempre foi um celeiro para o desenvolvimento de lideranças partidárias. O Movimento Estudantil sempre foi um centro importante de construção de lideranças políticas. As grandes lideranças do Movimento Estudantil em Santa Maria se tornaram lideranças partidárias afirma. Entre os nomes citados por Konrad estão Cezar Schirmer, Paulo Pimenta, Tarso Genro, Osvaldo Nascimento, Cláudio Langoni.
O professor de História da UFSM destaca ainda a…
SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço www.arazao.com.br, ou na versão impressa, nas bancas nas primeiras horas desta segunda-feira.





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