Rio de Janeiro: onde os “liberais” batem palmas para o Estado – por Giorgio Forgiarini
Pergunta: “por que um número tão grande de mortos e tão baixo de feridos?”

Ahhh, os “liberais”… sempre eles. Eles que quando conveniente pregam a intervenção mínima do Estado… Eles mesmos.
Aplaudiram, se regozijaram, se refestelaram com a ação do Estado que matou número até agora não sabido de pessoas no Rio de Janeiro.
“Não eram pessoas, eram bandidos”, dizem eles esfregando as mãos. O dizem por que o Estado do Rio de Janeiro assim sacramentou. Se o Governador disse que eram bandidos, então eram bandidos. Ponto!
Sim, o Governador. Governador que não sabe sequer o número certo de mortos, desconhece seus nomes, tampouco suas vidas pregressas. Não sabe nem a circunstância em que se deu cada morte, mas já sabe que todos, indistintamente, eram bandidos.
E os “liberais”, costumeiramente tão desconfiados de tudo o que é público, tão dispostos a erguer seus berrantes para se opor a tudo o que vem de governo, agora se apressam para se alinhar ao discurso do… Governo. Sem reflexão, sem crítica, sem nada.
Dizem os “liberais” que o Estado não tem o direito de monitorar as transações em Pix. Não pode regular as fintechs, nem taxar as bets. Não deve restringir a circulação de armas, mesmo as de grosso calibre. E que não ouse gastar dinheiro com fiscais, auditores ou agentes de vigilância. A prioridade são as “liberdades individuais”, óbvio.
Mas para os mesmos “liberais” pode o Estado matar a esmo em favelas. Se está na favela e correu é bandido. Se não correu também é. Pra quê devido processo legal, ampla defesa e contraditório, presunção de inocência e outras “baboseiras” dos liberais de antigamente?
Mate-se todos de uma vez. Mate-se e evada-se do local. Deixe-se lá os corpos sem isolamento da cena, sem perícia técnica, sem sequer levantar o número exato de mortos ou verificar se remanesceram feridos jogados no chão.
Deixe-se que os moradores procurem e carreguem os despojos de seus filhos, irmãos, parentes e vizinhos. Depois que o fizerem, diga-se que suas roupas foram trocadas, que suas armas foram escondidas e que futuras investigações estão prejudicadas. Insinue-se que na favela, não apenas os mortos, mas também os sobreviventes são bandidos. Todos são bandidos.
Esqueçamos que política e polícia no Estado do Rio de Janeiro têm histórico vasto de confusão entre interesses públicos e privados. De ligação com grupos criminosos. Esqueçamos que o combate a uma facção é muitas vezes utilizado para beneficiar facções rivais. Esqueçamos, inclusive, que a própria ocorrência da megaoperação foi vazada na sua véspera. Esqueçamos tudo isso.
O Estado agora não é opressor. O Estado é herói. É o herói dos “liberais”. É herói por ter feito justamente aquilo que os “liberais” esperam que o Estado faça. Matar gente. Matar gente pobre.
Ao fim e ao cabo, ficam algumas perguntas: por que escolheram a Penha? Operações como essa também vão ocorrer em áreas de milícia? Quanto se gastou com essa operação? Quantos arquivos foram queimados? Por que um número tão grande de mortos e tão baixo de feridos? Quem vai ocupar o Complexo da Penha daqui pra frente? O Estado? Ou outros grupos criminosos com quem agentes do Estado eventualmente venham a se relacionar?
E, por fim, a principal pergunta que fica é: que critérios usam os “liberais” para definir quando uma atuação do Estado é desejável ou não?
São estas perguntas simples, até óbvias, mas que nenhum “liberal” foi capaz de fazer, nem para si, para fins de reflexão, nem para o público, para suscitar um debate minimamente sério.
(*) Giorgio Forgiarini é advogado militante, com curso de Direito pela Universidade Franciscana, é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele escreve nas madrugadas de sábado.





Resumo da opera IV. Qual outro lugar do mundo precisa de dois mil e quinhentos policiais para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e mais 100 de prisão? 30 da justiça do Pará. Lugar nenhum. Em lugares normais não precisa cumprir de batelada, mandam dois ou tres policiais e cumprem um mandado de cada vez. Alas, quantos mil policiais foram necessarios para entrar na Faria Lima?
Resumo da opera III. Operação carioca foi quase um martelo e bigorna. Tatica consiste em usar um obstaculo natural ou uma força grande como bigorna e uma força menor para tocar o adversario contra ela. Usada desde Alexandre, o grande, passando pelo Vietnã. Não tinha outras forças bloqueando os flancos para pegar as rebarbas. Serviço militar também é cultura. Ao menos era.
Resumo da opera II. Operação daqui duas semanas ninguém mais fala. Vai entrar o meio ambiente na pauta, a tal COP. Que é completamente irrelevante. Bill Gates escreveu para deixar o aquecimento global meio de lado e atacar as consequencias. Alas, muito ‘jornalista’ falando na meta de aquecimento de 1,5ºC. Que já foi ultrapassada.
Resumo da opera. Rato Rouco foi para a Asia encontrar com Agente Laranja. Medo de ir na Casa Branca e levar mijada. Tudo muito ‘bonito’, a imprensa cumpanhera cantou vitória, pesquisas boas, marketagem a mil. Voltou e da reunião saiu outra reunião marcada. Desembarcou no Brasil e já levou um choque de realidade. Imbecis acharam que politica externa marketada iria durar para sempre.
‘[…] para suscitar um debate minimamente sério.’ Vermelhos são pombos enxadristas. Ao invés de jogar xadrez, caga no tabuleiro, derruba as peças e sai voando vitorioso, sem se preocupar com as regras ou argumentos do outro jogador. Debate sério não começa com lacração. ‘Liberal’ no Brasil geralmente é alguém da classe média alta, não servidor publico, que está com a vida ganha. Ou alguém com muita grana. Se fizessem um questionario com assuntos sociais e aplicassem no Calçadão (que anda meio esvaziado) num dia qualquer como em quase qualquer lugar as pessoas vão concordar com os vermelhos em alguns assuntos e com os liberais em outros. Simples assim.
‘[…] para fins de reflexão, […]’. Quem reflete são superficies espelhadas.
‘São estas perguntas simples, até óbvias, mas que nenhum “liberal” foi capaz de fazer […]’. Não fez porque já sabia as respostas.
‘Estado’ é onde um analfabeto funcional pode bancar o ‘executivo’ de um dinheiro que ‘é de ninguém’. Um dinheiro que ele não teve nenhum esforço para ganhar.
‘[…] que critérios usam os “liberais” para definir quando uma atuação do Estado é desejável ou não?’. Acho que tem que dar uma olhada na CF88. Problema é que o ‘Estado’ não é uma entidade etérea flutuando na ar. No Brasil tributa demais, gasta muito, gasta mal, de forma ineficiente, não faz o basico a contento (segurança, saude, educação) e fica se metendo em outras areas que deveriam ser da iniciativa privada.
‘Quem vai ocupar o Complexo da Penha daqui pra frente?’ O CV óbvio.
‘Quantos arquivos foram queimados?’ Teoria da conspiração. ‘Quantos traficantes aproveitaram para acertar contas com desafetos e colocaram na conta da policia?’.
‘Quanto se gastou com essa operação?’ Dinheiro bem gasto.
‘Operações como essa também vão ocorrer em áreas de milícia?’ Falacia. As milicias já não são o que eram no começo. Maioria foi absorvida pelo trafico. Tentativa de iludir os desinformados.
‘Ao fim e ao cabo, ficam algumas perguntas: por que escolheram a Penha?’ Comando Vermelho tentou invadir area do TCP dias antes e dois moradores foram mortos. Nome da operação é ‘Contenção’.
‘ Matar gente. Matar gente pobre.’ Crimes do colarinho branco geralmente não envolvem violencia.
‘Esqueçamos, inclusive, que a própria ocorrência da megaoperação foi vazada na sua véspera.’ Milagre não ter vazado antes.
‘Esqueçamos que o combate a uma facção é muitas vezes utilizado para beneficiar facções rivais.’ Teoria da conspiração.
‘Esqueçamos que política e polícia no Estado do Rio de Janeiro têm histórico vasto de confusão entre interesses públicos e privados.’ Governo Benedita da Silva do PT, dados do ISP, abril a dezembro de 2002, 1195 mortos pela policia.
‘[…] mas também os sobreviventes são bandidos. Todos são bandidos.’ Familiares dos bandidos tem proveito, em maior ou menor grau, do dinheiro sujo do crime.
‘Depois que o fizerem, diga-se que suas roupas foram trocadas, que suas armas foram escondidas e que futuras investigações estão prejudicadas.’ Foi filmada a retirada da farda camuflada de pelo menos um dos mortos. E o transporte da mata para a praça.
‘ Deixe-se lá os corpos sem isolamento da cena, sem perícia técnica,[…]’. Foi uma incursão. Estado não controla aquele territorio. Para manter é necessario efetivo grande. Com possibilidade de confrontos. E mortes de agentes do Estado. Alas, pericia tecnica no mato principalmente e tudo já revirado e contaminado. Ou seja, é o tipo de observação que se faz esfregando a barriga na mesa numa sala com ar condicionado.
‘Pra quê devido processo legal, ampla defesa e contraditório, presunção de inocência […]’. Os que se renderam, está filmado, vão ter tudo isto.
‘Não deve restringir a circulação de armas, mesmo as de grosso calibre.’ Para ter armas é preciso ter dinheiro sobrando. Vermelhos querem colocar na conta dos CAC’s que são altamente fiscalizados e utilizam como cortina de fumaça para o fato que não controlam as fronteiras, armas vem de fora. Até porque as armas dos CAC’s são poucas. Há quem diga que exista só na Rocinha mais de 1500 fuzis. RJ tem mais de 1700 favelas.
‘[…] nem taxar as bets […]’. Empresas pagam 12% sobre a receita descontando os premios pagos. Os ganhadores de apostas pagam 15%. Problema que existe uma crise fiscal se formando e o governo é supergastador. Taxad quer resolver só aumentando receita e não cortando custos. Há muito dinheiro indo para o ralo e um dia a conta chega.
‘ Não pode regular as fintechs,[…]’. Foram criadas por Dilma, a humilde e capaz. Lei 12865 de 2013. O grosso das regulamentações são resoluções do Banco Central. Independentemente do que acham ou deixam de achar. Que é liberdade de opinião diga-se de passagem, livre manifestação do pensamento, CF88.
‘[…] o Estado não tem o direito de monitorar as transações em Pix […]’. Toda movimentação de conta é monitorada, soma de 5 mil reais por mes para pessoa fisica. Há anos. Tem como usar Pix sem conta corrente?
Segurança? Parte do Brasil está mexicanizando. RJ, partes do nordeste e do norte. Havia uma ‘universidade do crime’ no local da operação. Fuzis apreendidos com inscrições ‘tropa da Bahia’ e ‘tropa de Manaus’. Também servia de refugio.
Educação? Nos indices de auto-avaliação ‘melhor do mundo’. Nos internacionais rabeira.
‘E os “liberais”, costumeiramente tão desconfiados de tudo o que é público, tão dispostos a erguer seus berrantes para se opor a tudo o que vem de governo,[…]’. Falacia de sempre. Saúde, educação e segurança. O básico. Como está a saúde? Emergencias e pronto atendimentos do SUS em POA estão superlotadas. Pediatrica do Hospital de Clinicas está lotada, Hospital São Lucas com 300% de superlotação. Mas isto não tem importancia, tem o Ceitec que fabrica ‘chips’. Ultrapassados, mas fabrica.
‘Pergunta: “por que um número tão grande de mortos e tão baixo de feridos?” Chinelagem: ‘era para ter mais feridos então?’. Dez PM’s seguem hospitalizados, 2 em estado grave. Falam em 14 agentes, devem existir policiais civis também.
‘Rio de Janeiro: onde os “liberais” batem palmas para o Estado.’ Lacrou!
Quem duvida que essa operação foi encomendada por milicianos amigos dos “comandantes” do RJ, eu não duvido. Por lá, manda mais quem dá a propina maior. E votos, a política do b****** bom é b****** morto, rende muitos votos, o próprio governador já admitiu isso. Nada muda, só piora.
Nada que uma teoria da conspiraçãom disfarçada de sugestão, ‘adivinhada’ a milhares de quilometros e sem evidencia alguma não resolva.
Ansiosa aguardando pelos comentários do meu amigo Brando 🤭🫶🏻