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Luzes de natal e riscos invisíveis: o perigo elétrico nas festas de final de ano – por Rosito Zepenfeld Borges

“Clima de festas e confraternização não pode vir acompanhado de negligência”

Estamos em época de festas, final de ano, clima natalino. Muitas pessoas viajam, recebem familiares, confraternizam. Iluminam as suas casas, decoram com árvores de natal. Muitas luzes. Porém, esquecem que por trás do espetáculo podem existir perigos ocultos que podem colocar em risco a segurança de toda a família. A pressa de ver tudo funcionando e a ideia de fazer mais por menos leva a comportamentos arriscados.

Segundo dados da ABRACOPEL (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), no ano de 2024 (dados compilados em 2025) ocorreram aproximadamente 2.500 registros de acidentes de origem elétrica no Brasil, com 759 mortes (o maior número da série histórica).

Em relação aos incêndios, acredita-se que em torno de 70% das ocorrências tenham origens em causas elétricas, como curtos-circuitos, sobrecargas e demais problemas relacionados às instalações elétricas. Porém a maior parte dos acidentes e incêndios de origem elétrica são causados pelo mau uso dos equipamentos e das instalações. As famosas “gambiarras” ou, como também são conhecidas por alguns colegas, como “recursos técnicos alternativos”.

A prevenção começa por atitudes simples, mas fundamentais. Utilizar apenas enfeites e equipamentos elétricos certificados pelo Inmetro, respeitar a tensão adequada (127 V ou 220 V), evitar extensões e “Ts” sobrecarregados e jamais improvisar emendas são medidas básicas. Em árvores de Natal, é importante garantir que as luzes não estejam em contato com materiais inflamáveis e desligá-las sempre que a residência estiver vazia ou durante o período de sono. Outro ponto essencial é nunca passar fios por baixo de tapetes, cortinas ou portas, pois o aquecimento pode provocar curtos-circuitos e incêndios.

Além disso, a manutenção das instalações elétricas deve ser encarada como um investimento em segurança, não como custo. Quadros de distribuição organizados, disjuntores adequados, dispositivos diferenciais residuais (DR) e aterramento correto reduzem significativamente o risco de choques e incêndios. Sempre que houver dúvida, a recomendação é procurar um profissional habilitado. O “faça você mesmo” pode parecer econômico, mas muitas vezes resulta em acidentes graves, perdas materiais e até fatalidades.

Em conclusão, o clima de festas e confraternização não pode vir acompanhado de negligência com a segurança elétrica. Por trás das luzes e da decoração, existem riscos reais que precisam ser gerenciados com responsabilidade. Pequenas atitudes preventivas, escolhas conscientes e respeito às normas técnicas são suficientes para transformar esse período em um momento de alegria, e não de tragédia. Afinal, a melhor celebração de fim de ano é aquela em que todos voltam para casa em segurança.

(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.

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