A falta da justiça climática na cobertura ambiental – por Claudia Herte de Moraes
Papel do jornalismo e da comunicação precisa ser constantemente questionado

Cada vez mais precisamos pensar na crise climática. Não há um dia sequer que as notícias deixem de circular trazendo informações sobre cheias, secas, ondas de calor. Isso tudo poderia ter sido amplamente mitigado se a ganância na superexploração dos bens naturais não fosse considerada a única forma de a sociedade se relacionar com o meio ambiente.
O resultado é a implantação das monoculturas da mente, como argumenta Vandana Shiva. Para a autora, esse pensamento único impede a percepção de que ao incrementar a concentração de riquezas no mundo, outros milhões passam fome, perdem inclusive a capacidade de produzir seu próprio alimento, perpetuando desigualdades e opressões.
A dinâmica da superexploração está na base da relação entre seres humanos e o planeta. Enquanto o consumismo for o motor da sociedade, a extração excessiva de bens naturais, o aumento da poluição e da emissão de gases estufa não forem problematizados, não haverá transição justa. A grande questão colocada é quem paga essa conta?
Sabemos que nem sempre foi assim, mas após o advento do capitalismo, os modos de vida de comunidades tradicionais e de povos originários foram e ainda estão sob ameaça. São essas comunidades e povos, e países no Sul Global, os primeiros e mais intensamente atingidos pela degradação ambiental, por desmatamento, contaminação de rios, perda de biodiversidade, eventos climáticos extremos.
As pesquisas sobre comunicação e jornalismo ambiental indicam que a crise climática é frequentemente retratada pela mídia de forma isolada, focando em eventos extremos, dados científicos ou negociações políticas, tema que desenvolvi na tese Entre o clima e a economia : enquadramentos discursivos sobre a Rio+20 nas revistas Veja, Isto É, Época e Carta Capital, defendida há 10 anos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, junto ao Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental.
A discussão ainda é atual. Essa abordagem fragmentada do tema continua deixando de lado profundas conexões do modelo de desenvolvimento hegemônico (baseado no consumismo e na exploração), com a degradação ambiental e as injustiças sociais.
A partir do conceito de justiça climática, sob o qual fica evidenciado que “não estamos todos no mesmo barco”, as populações mais vulnerabilizadas são as que menos emitem os gases de efeito estufa que aprofundam o colapso ambiental. O cenário é complexo e nele operam poderes máximos e de interesses econômicos e financeiros, com valores sociais voltados ao consumismo, à normalização da superexploração de vidas na maioria dos setores da sociedade. O papel do jornalismo e da comunicação precisa ser constantemente questionado. O desafio, portanto, é buscar a lente da justiça climática e dos direitos humanos para trazer esse debate e fomentar uma reflexão crítica.
Neste quesito, investigamos como os direitos humanos se conectam com a vulnerabilidade e injustiça climática na circulação das informações nas mídias hegemônicas nos últimos anos. Como regra geral, os direitos à vida, à saúde, à moradia, à alimentação, a um meio ambiente sadio são pouco associados à mudança climática.
No entanto, a falta destes direitos se agrava ainda mais como nos casos de desastres e o que já era difícil fica ainda pior. Na região metropolitana, por exemplo, na histórica enchente de 2024, a mancha da água acompanhou a relação de baixa renda e a cor da pele, como demonstrado nos mapas produzidos pelo Núcleo Porto Alegre do INCT – Observatório das Metrópoles.
Atualmente, junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (POSCOM) na UFSM, desenvolvemos a pesquisa Jornalismo Ambiental: Possibilidades de Engajamento Educomunicativo pela Justiça Climática, exatamente para pensar saídas e o fortalecimento de um jornalismo mais engajado na causa climática. Na pesquisa, no ensino e na extensão, a Universidade tem um espaço potencial para auxiliar no enfrentamento à crise climática.
Um dos caminhos é a educação midiática, pois precisamos ter o desenvolvimento do pensamento crítico quanto às informações cruciais para nossa sobrevivência no planeta. Como tutora do PET Educom Clima no campus Frederico Westphalen, organizamos o grupo para os desafios da comunicação com justiça climática e para o combate à desinformação.
(*) Claudia Herte de Moraes é professora do departamento de Ciências da Comunicação da UFSM/FW e do PPG (Poscom). O artigo acima foi publicado originalmente no site da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (AQUI) e reproduzido com a autorização dele.





Resumo da opera II. Noutro dia um ex-membro do Partido para Socialismo e Liberdade ianque assassinou um casal de jovens funcionarios da embaixada israelense em Washington. Disse que o fez ‘pela Palestina’. Obviamente o efeito no conflito foi zero (como muitos textos por ai). Só terminou com mais tres vidas. Politica tranformada em religião pode virar doença. Pode virar extremismo. Como dizia o traficante no filme ‘Tropa de Elite’: o papo tem que ser sério.
Resumo da opera. Parte da esquerda transformou a politica em religião. Jargão é só para parecer ‘cientifico’.
‘A partir do conceito de justiça climática, sob o qual fica evidenciado que “não estamos todos no mesmo barco”, as populações mais vulnerabilizadas são as que menos emitem os gases de efeito estufa que aprofundam o colapso ambiental.’ Afirmação com base no padrão de consumo. Achar que as populações dos paises desenvolvidos irão baixar o dito padrão por conta de um conceito teorico, sem ofender a capacidade cognitiva de alguém, é no minimo ingenuidade.
‘[…] os modos de vida de comunidades tradicionais e de povos originários foram e ainda estão sob ameaça.’ Das emissões oriundas do setor florestal na India 93% dos gases de efeito estufa são oriundos da queima de lenha. Muito utilizadas em areas rurais e semi-urbanas. Na China e na Africa os numeros devem ser semelhantes. Praticas ‘tradicionais’. https://www.un.org/esa/forests/wp-content/uploads/2018/05/UNFF13_Background_Note_Wood_Energy_in_IndiaTERI.pdf
Vandana Shiva sofreu o processo de canonização secular dos vermelhos. Grande maioria ignora sua existencia e quem dos que conhecem muitos não a levam a serio. É o discursinho fácil e ‘fofo’.
Texto não merece maiores analises. Instituição publica financiada com dinheiro publico servindo como plataforma para disseminar luta de classes, anti-capitalismo, etc. Liberdade academica, de opinião, tudo muito bonito. Mas quando a conversa chega no ‘para resolvermos o problema climatico temos que terminar com o capitalismo e adotarmos o socialismo sob nossa direção’ termina o dialogo. Não é sério. Não vai acontecer. Principalmente partindo do fim de mundo do RS.
Brasil é um pais pobre. Sob o guarda-chuva de ‘ciencia’ muitos cursos são superfluos e desperdicio de dinheiro. Não só jornalismo, contabeis, administração e direito. Ressalva para o ultimo caso, titulação serve como instrumento de marketing e meio para obter honorarios mais polpudos.
Academia virou um esquema de piramide. Não só aqui no Brasil. Enquanto muitos entram nos cursos strictu sensu até como ‘seguro desemprego’, diminuem as vagas para ensino e pesquisa em instituições de ensino superior. Na iniciativa privada maioria das empresas não leva em conta a titulação academica na hora de determinar o salário. Experiencia é mais importante.