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Brasil perde até R$ 1 trilhão por ano com ineficiência pública. É hora de falar sério sobre governança – por Marionaldo Ferreira

“Não se trata apenas de cortar gastos. Trata-se de gastar melhor”

Entre R$ 300 bilhões e R$ 1 trilhão. Esse é o valor que o Brasil desperdiça todos os anos por causa da ineficiência na gestão pública. Pode parecer apenas um número grande, mas ele representa algo muito concreto: escolas sem professores, hospitais com filas intermináveis, creches que nunca abrem as portas, estradas inacabadas e vidas prejudicadas.

A perda é invisível no orçamento, mas dolorosamente real no cotidiano de milhões de brasileiros. É dinheiro que deveria melhorar a saúde, a educação, a segurança e os serviços essenciais – mas se perde por falta de planejamento, má gestão de contratos, burocracia sem sentido e decisões políticas que ignoram critérios técnicos.

Mas o problema tem solução. E o nome dela é governança pública.

Governança não é só mais uma palavra da moda. É a capacidade do Estado de planejar bem, executar com responsabilidade, monitorar resultados e prestar contas à população. É saber onde se quer chegar e garantir que os recursos públicos cumpram seu propósito.

Hoje, boa parte das decisões públicas ainda é feita sem planejamento de longo prazo. Projetos começam e não terminam. Compras são feitas sem estudo de demanda. Recursos são mal alocados. E a população paga essa conta todos os dias.

A governança muda esse cenário ao trazer três pilares fundamentais: planejamento estratégico, controle de resultados e transparência. Municípios e estados que adotaram boas práticas de governança já colhem frutos. Cidades que redesenharam processos internos conseguiram economizar milhões em contratos de alimentação escolar, transporte e obras públicas — e usaram essa economia para ampliar serviços essenciais.

Não se trata apenas de cortar gastos. Trata-se de gastar melhor. De entender que cada centavo público precisa gerar valor para quem mais precisa: o cidadão.

O Brasil já tem leis e instituições capazes de apoiar essa mudança. O que falta é compromisso político e técnico para colocar a governança no centro das decisões públicas. E isso começa pela formação de gestores, pela valorização de servidores com perfil técnico e pela cobrança da sociedade.

Governança não é uma ideia abstrata. É uma escolha prática. E, diante dos desafios que enfrentamos, é a única capaz de transformar desperdício em resultado.

Chegou a hora de parar de tratar a ineficiência como algo normal. Porque cada real mal gasto é um direito negado a alguém. E o Brasil já perdeu tempo (e dinheiro) demais.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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8 Comentários

  1. Resumo da opera II. Rodrigo Zeidan, um professor da Dom Cabral, apareceu num programa da CNN ontem. WW Especial. Contou a historia de uma conferencia para lideres que deu em Angola. O motorista/segurança dele comentou de um prédio bonito e novo na frente do qual passaram em frente. Nova faculdade de engenharia. Comentou que precisavam de faculdades de outros cursos. Só não precisavam de advogados. Porque o numero de causidicos que os portugueses deixaram era um estupor. Burocracia. Bacharelismo.

  2. Resumo da opera. Falar em governança e fingir governança é facil. Dificil é fazer esta tigrada largar o osso. Ainda mais que existe o direito adquirido. Se alguém perguntar todos irão reclamar do que recebem e das condições de trabalho.

  3. Nas policias não é raro acontecer o regime 24 horas de trabalho por 72 de descanso. Que acabam sendo gastos trabalhando noutra coisa, uma empresa no nome de algum parente citrico, bicos, etc. Também muito longe de ser raro o regime de plantão para auditor fiscal de tributos. Que já tem normalmente um salario supimpa e muitas vezes gratificação de desempenho. Parecido com a sucumbencia nas carreiras juridicas. Pois bem, o regime de plantão deste povo é trabalhar 24 horas e 120 horas de descanso. Que podem ser contadas consecutivamente ou não. Criaturas podem acabar trabalhando quatro dias por mes.

  4. Tecnico-administrativos. Em muitos lugares a exigencia no concurso é ensino médio. Muitos tem curso superior. Reivindicação bastante comum. Reconher nivel superior na carreira para conseguir uma gratificação. Alas, outro assunto, já existe muita gente com curso superior trabalhando em cargo tecnico administrativo na iniciativa privada, mas lá a porta da rua é serventia da empresa.

  5. Universidades Federais. Existe um problema estrutural, é verdade. Têm que ter ensino, pesquisa e extensão. Contratam, majoritariamente, para cargo de adjunto, já com doutorado. Teoria é de que pesquisando ensinariam mais ou melhor. Problema é que muitos lecionam 4 horas por semana e é o que a casa tem para oferecer.

  6. Santa Rosa criou ha muito tempo uma fundação para cuidar do assunto no municipio. Canoas copiou pela metade. Criou a fundação e não extinguiu a secretaria. Acabou instalando-se o caos, dinheiro que deveria ir para atividade fim foi parar no bolso de burocratas. Alas, é coisa que gente no Cabideiro da Vale Machado defende. Alas, no mesmo lugar criaram cargo para mais um(a) cabo eleitoral.

  7. Porque falar só nos militares? Porque são mais fiscalizados, transparencia é maior. Nas prefeituras não é raro colocar-se um(a) politico(a) no cargo de secretário(a). Mais do que comum, conhecimento tecnico ou experiencia zero. Logo é necessario existir um(a) secretario(a) adjunto(a). E mais duas ou tres superintendencias.

  8. Primeiro problema a ser atacado. Burocracias se comportam de maneira semelhante. Tem a tendencia a inchar. Não importa o lugar. Ditado popular: mais caciques do que indios. Secretaria do Homeland Security ianque determinou a diminuição de 25% dos ‘almirantes’ da Guarda Costeira. Marinha britanica, que ja foi base de um imperio, tem 19 navios de guerra e 34 almirantes. Existe um projeto no Congresso, não sei se esta engavetado, que criaria o cargo de general de brigada nas policias militares. Sendo que coroneis da PM facilmente ganham mais que generais de exercito no EB.

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