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CÂMARA. Relatora divulga Nota e anuncia intenção de judicializar a extinção da primeira CPI da Corsan

Helen Cabral contesta manifestação feita em entrevista do presidente da Casa

Helen Cabral, inconformada com a decisão da Mesa Diretora, anuncia intenção de judicializar (Foto Luísa Monteiro/Câmara)

Na manhã de sexta-feira, o presidente da Câmara de Vereadores, Admar Pozzobom (na companhia do Procurador Jurídico Lucas Cassol), concedeu entrevista coletiva acerca da extinção, pela Mesa Diretora, da CPI da Corsan. Conforme o material produzido pela assessoria de imprensa do Legislativo, as manifestações de Pozzobom se deram “com o objetivo de levar luz aos fatos e restabelecer a verdade para que eventuais ‘narrativas falaciosas e equivocadas’”.

No mesmo dia, inconformada com o que foi dito, a relatora da Comissão, Helen Cabral, divulgou Nota em que contesta as palavras presidenciais, traz outras informações com sua versão e anuncia a intenção de judicializar a extinção. Confira, a seguir:

A verdade sobre a extinção da CPI da Corsan

Diante das recentes declarações do Presidente da Câmara de Vereadores de Santa Maria, Admar Pozzobom (PSDB), e do Procurador Jurídico da Casa, Lucas Saccol, em entrevista à imprensa nesta sexta-feira, 27 de junho, cumpre à Vereadora Helen Cabral (PT), relatora da extinta CPI da Corsan, esclarecer a verdade dos fatos à população santa-mariense.

A verdade é que, provocado pela investigada Corsan/Aegea, o Presidente Admar Pozzobom — irmão do ex-prefeito Jorge Pozzobom, um dos principais alvos da investigação — decidiu extinguir a CPI da Corsan.

Se alguém ainda tinha dúvidas dessa manobra, a sessão plenária de ontem (26/06) não deixa espaço para equívocos: se haveria nova CPI, o governo queria chamar de sua, para poder blindar a Corsan/Aegea, o governo Rodrigo Decimo e o ex-prefeito Jorge Pozzobom. Em síntese, trata-se de uma tentativa explícita de capturar um instrumento legítimo de fiscalização para esvaziar seu conteúdo investigativo.

A CPI NÃO ESTAVA FORA DO PRAZO: O PRAZO ESTAVA SUSPENSO

A alegação de que a CPI “havia expirado” ignora o que determina o art. 163, § 6º, do Regimento Interno da Câmara de Santa Maria, que afirma:

“§ 6º Em se tratando de proposições que tramitam no âmbito das Comissões, o pedido de informação, até o dia de seu atendimento, suspende os prazos estabelecidos neste Regimento.”

Ao menos dois importantes pedidos de informação que a CPI havia feito ao Executivo Municipal — ainda não haviam sido respondidos à época do ato de extinção. Logo, os prazos estavam regulares e legalmente suspensos.

Esse dispositivo foi aplicado pela CPI da Corsan de 2023, também relatada por esta vereadora, e em outras CPIs, propostas por outros vereadores, sem qualquer contestação jurídica, como demonstrado a seguir:

CPI com finalidade de investigar o cumprimento dos termos previsto no processo licitatório do Shopping Independência em Santa Maria / RS.

Início: 29/04/2021

Final: 30/12/2021

Duração: 9 meses

CPI para apurar ações e omissões do governo municipal no enfrentamento à pandemia do Covid-19 no Município de Santa Maria.

Início: 18/05/2021

Final: 02/12/2021

Duração: 7 meses

CPI com finalidade de investigar possíveis irregularidades nos atendimentos de urgência e emergência nas Unidades de Pronto Atendimento 24h na cidade de Santa Maria/RS.

Início: 05/05/2021

Prorrogado em: 02/10/2021 – 5 meses depois

Duração: 8 meses

CPI com finalidade de investigar possíveis omissões e negligencias de Poder Executivo Municipal no acompanhamento e fiscalização das casas de acolhimento de crianças e adolescentes no Município. 

Início: 05/05/2021

Prorrogado em: 02/10/2021 – 5 meses depois

Duração: mais de 5 meses

CPI para investigar o Termo Aditivo e conformidade ao novo marco regulatório do saneamento básico (Lei 14.026/2020).

Início: 27/03/2023

Final: 19/12/2023

Duração: 9 meses

O que mudou? A conveniência política.

A CPI FOI CONDUZIDA COM RIGOR E CONFORME O REGIMENTO

Os prazos da CPI foram acompanhados e registrados pela secretaria da Comissão com pleno conhecimento da Procuradoria. Inclusive, foi solicitada manifestação formal da Procuradoria sobre a contagem de prazos, mas o parecer — emitido no dia 18/06 e que só chegou ao conhecimento desta vereadora, na segunda-feira, cinco dias depois — ignora o art. 163, § 6º, dispositivo fundamental à matéria.

NOVA CPI NÃO ANULA A MANOBRA: É ENCENAÇÃO LEGISLATIVA

A tentativa do governo de justificar o fim de uma CPI com a abertura de outra não engana ninguém. A nova CPI não tem o mesmo objeto e não substitui a investigação sobre a concessão irregular firmada com a Corsan/Aegea em 2024.

Não se combate corrupção com CPI de fachada.

A VERDADE PRECISA SER DITA:

A extinção da CPI da Corsan não foi um ato técnico, foi uma manobra política. Uma ação deliberada para impedir que a verdade viesse à tona e que responsabilidades fossem apuradas.

Já estamos estudando medidas judiciais para anular o Ato Legislativo nº 57/2025, restabelecer a CPI da Corsan e garantir o direito do povo de Santa Maria à fiscalização, à transparência e à justiça.

Não recuaremos. Seguiremos lutando até o fim.

Santa Maria, 27 de junho de 2025.

Vereadora Helen Cabral (PT)”

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2 Comentários

  1. Novela para autopromoção. Mas é de surpreender a omissão dos meios de comunicação, evitam falar mal da empresa. E o exercito de passadores de pano para cia. Mostra força do tucanato bunda mole.

  2. O advogado que assinar essa ação é rasgar a constituição. A corsan está ruim mas a vereadora helen com esse discurso de vítima consegue ser pior. que vergonha!!! quantas páginas teve essa cpi será?

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