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Santa Maria não precisa de mais cargos – precisa de vergonha na cara – por Giuseppe Riesgo

O município “precisa de gente com coragem, que enfrente o sistema de frente”

É inacreditável o que estamos vendo em Santa Maria. Em um momento em que o Brasil atravessa uma das maiores crises fiscais da sua história – com rombo nas contas públicas, juros estrangulando a economia e famílias lutando para pagar o básico – a Câmara de Vereadores decide ampliar a máquina pública. Foram criados 26 novos cargos comissionados, duas diretorias administrativas e uma cota parlamentar de até R$ 3 mil mensais para reembolso de despesas com comunicação, deslocamento e material de gabinete. E tudo isso com dinheiro do contribuinte – aquele que acorda cedo, trabalha muito e vê pouco retorno.

Não existe argumento técnico, político ou ético que justifique esse tipo de medida nesse momento. Dizer que “os recursos existem” ou que “a lei permite” é o tipo de desculpa que destrói a confiança nas instituições. Ter o recurso não significa que ele deva ser gasto. Esse é o divisor de águas entre quem defende responsabilidade com o dinheiro público e quem está mais preocupado em manter privilégios e cargos para os seus.

Dito isso, é fundamental reconhecer quem faz diferente. O vereador Luis Roberto Meneghetti, do Partido Novo, foi um dos poucos que votou contra esse projeto. E não por acaso. Ele manteve a coerência que sempre teve: estado enxuto, combate a privilégios, respeito ao pagador de impostos. Ser coerente, muitas vezes, significa estar sozinho – mas é exatamente isso que separa quem tem compromisso com a população de quem tem compromisso com o sistema.

E vale lembrar: quem não tem coragem de dizer “não” aos privilégios dentro da Câmara, dificilmente vai enfrentar interesses quando estiver à frente de um Executivo. Santa Maria não precisa de mais cargos, nem de políticos que defendem a austeridade só em época de eleição. Precisa de gente com coragem, que enfrente o sistema de frente – e não daqueles aparecem nas quermesses da cidade tentando manter a velha pose de renovação.

(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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4 Comentários

  1. Resumo da opera. Agentes politicos se servem do publico. Servidores publicos servem na base do ‘é o que a casa tem para oferecer’. Como dizia Efeaga: assim não pode, assim não dá!

  2. Cabidão ainda vai implantar o plano original, quando o Elefante Branco ficar pronto, daqui umas duas ou tres legislaturas, terão que mudar para o predio novo porque ‘não cabe todo mundo no antigo’.

  3. Cabidão da Vale Machado é só mais um trem da alegria. A Instituição Fiscal Independente do Senado divulgou estudo afirmando até 2035 a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) corresponderá a 124,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

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