OBSERVATÓRIO. A aritmética da dor. E a reinvenção
Se fazem, neste momento em que a comuna está ainda visivelmente anestesiada, todas as ilações. É um retrato muito triste, que atinge praticamente toda a população, que não consegue se desvenciliar da dor. E demorará, é a presunção possível, muito tempo, até que a cidade volte a sorrir a pleno.
Ana, amiga do colunista que começa a vencer a própria tristeza, outro dia, via feicebuqui, disse algo para o que se deve prestar atenção: “Santa Maria precisa se reinventar”. É provável. Mas há a necessidade de lideranças capazes de sair da letargia. E agir. Já.
Inclusive para que se pare de contabilizar o que já é naturalmente comovente. Como calculou, num momento em que estava absorto, também envolvido pela tragédia, outro amigo da coluna, o médico Luiz Fernando Weber.
“Claudemir, indagou, você já se deu conta de quanto tempo de vida se perdeu naquela boate? Num momento a esmo, fiz esse cálculo. Tomando uma idade média das vítimas entre 20 e 22 anos e expectativa de vida mínima (e põe mínima nisso) de 65 anos, se terá algo como 10 mil anos perdidos. Não é de doer?”.
É. E esse sentimento real, ainda que nada aritmético, precisa ser vencido. De alguma maneira. Há que se reinventar – como disse a Ana.





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