
Reproduzido do site do Correio do Povo / Texto e foto de Diego Nuñez
O PT gaúcho está em uma encruzilhada que pode começar a ser desatada nesta semana. Há, no partido, três possíveis pré-candidatos para duas vagas majoritárias: uma para governador do Rio Grande do Sul e outra para uma das cadeiras gaúchas no Senado Federal que estarão em disputa. Na pauta, estão os nomes de Edegar Pretto, presidente da Conab que concorreu ao Palácio Piratini em 2022, Paulo Paim, atual senador, e Paulo Pimenta, deputado federal ex-chefe da Secom.
No sábado, o PT reuniu pela primeira vez seu diretório estadual desde a eleição do deputado Valdeci Oliveira para comandar a sigla no RS. Na oportunidade, Edegar e Pimenta oficialmente se colocaram à disposição do partido para concorrer.
Ambos, desde que Paim anunciou que não seria mais candidato após 23 anos como senador da República, vinham trabalhando neste sentido – com Edegar ao governo e Pimenta ao Senado. Quando Paim voltou a sinalizar intenção de ir à reeleição, as cartas se embaralharam.
Os três se reunirão com Valdeci em Brasília nesta quarta-feira. A intenção é tirar uma decisão conjunta de forma a unificar o partido para negociar com aliados já com pré-candidatos definidos.
A tendência atual é de que se mantenha a construção que vinha ocorrendo anteriormente, com Edegar e Pimenta. Neste cenário, Paim deixaria o Congresso Nacional após três mandatos consecutivos.
“Pode esperar uma unidade do nosso partido. O presidente Valdeci tem a capacidade de encontrar a solução. É uma boa questão para discutir no nosso partido. Fui no diretório e fiquei muito feliz com essa unidade para formar aqui no RS um palanque potente para o presidente Lula. Vamos fazer todo esforço para constituir essa frente democrática e popular. Nessa condição, estou é feliz por ver naturalizada no partido a minha pré-candidatura”, afirmou Edegar Pretto à reportagem.
“Estamos com um bom problema. Difícil é para o partido que nem nome tem para apresentar. Nós estamos com nomes sobrando. Esse é um debate que começa agora. Estamos discutindo entre nós, temos comissões para tratar do assunto. É um diálogo muito franco e democrático que faremos, sem esquecer que queremos continuar dialogando com os demais partidos. Nomes que estão se apresentando são importantes, não só do Pimenta, do Edegar e do Paim, mas da Manuela (d’Ávila) e da Juliana (Brizola, PDT)”, afirmou Valdeci.
Esta primeira reunião será o ponto de partida para uma série de conversas regionais que culminarão em um encontro estadual do PT, previsto para ocorrer em 29 de novembro, onde o partido deve referendar uma decisão.
Aliança com PDT sai apenas com intervenção nacional
No encontro do sábado, os posicionamentos do diretório estadual buscaram afastar uma aliança com o PDT. Pessoas próxima à pedetista Juliana Brizola, que aparece bem colocada em recentes pesquisas de intenção de voto, demonstram confiança em ter o PT com a vice-candidatura.
Não é esta, no entanto, a perspectiva dos petistas gaúchos. Pesa, principalmente, contra o PDT ter dado sustentação ao governo Eduardo Leite (PSD) em seus dois mandatos.
Até o final de novembro, o PT deve definir um pré-candidato para liderar uma chapa ao Palácio Piratini e passará a articular com aliados como PSol, PSB, PCdoB, PV e Rede, além do PDT.
A chance da famigerada Frente Ampla ocorrer pode vir de Brasília. O governo Luiz Inácio Lula da Silva pleiteia o apoio do PDT na tentativa de reeleição do presidente da República. Também quer aliança com os pedetista em outros estados em que o PT terá candidato.
Em troca, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, pede o apoio petista à candidatura de Juliana Brizola no RS. Uma decisão de cima para baixo não é praxe no PT. Historicamente, Lula costuma respeitar e legitimar as decisões dos estados. Mas, em um cenário de acirramento na disputa nacional e em que Juliana mantenha os bons índices nas pesquisas, uma costura entre as duas legendas não pode ser, de imediato, descartada.
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Essas escolhas precisam ser bem calculadas, é crucial afastar/derrotar a camarilha bolsonarenta e seus devaneios de poder. Como disse alguns anos atrás, um político da fronteira, representante do ogronegócio, “essa gente é tudo o que não presta”, se referindo aos negros, indígenas e demais minorias. O tempo passou e mostrou quem realmente não vale um tostão furado.
Paim não quer largar o osso. Basico.