Artigos

Já estamos cansando de falar de guerra – por Elen Biguelini

Infelizmente, o início de todos os séculos traz mudanças drásticas. E sempre muitas guerras. O inicio de um novo milênio não poderia ser diferente.

Estudantes de história aprendem que “o tempo não existe”, mas sabemos que é a partir do momento que conseguem conceber a passagem do tempo que as sociedades demonstram complexidade (entre outras coisas, claramente).

Outra coisa que aprendem os estudantes de história é que os acontecimentos tendem a se repetir.

Infelizmente, no momento atual, é isto que vemos: um grupo tentando eliminar outro; uma guerra desnecessária levando muitos à morte; um poderoso que se acha rei mandando matar inocentes.

Historiadores já avisavam, mas infelizmente a sociedade tende a não ver os sinais do fascismo acendendo. Isto porque movimentos radicais sempre ressurgem como resposta aos avanços pelos quais passamos, bem como a recessões e epidemias.

Foi assim na Alemanha nazista, é assim hoje.

Nos entristece ter que novamente puxar este assunto, quando poderíamos estar felizmente fazendo biografias de mulheres francesas que organizavam salões, mas mais uma vez o mundo nos assusta. Ataques, assassinatos, supostas armas nucleares. Isto tudo já vimos antes e, pelo jeito, (com a ressalva de que uma terceira GM poderia levar ao fim da raça humana) as veremos novamente.

Achamos que embates são intrínsecos a humanidade. Sempre haverão aqueles que não compreendem o outro, ou que inventam razões de sua suposta superioridade.

O mais dolorido é ver grupos previamente excluídos repetindo com outros o quê já foi feito com eles.

Infelizmente, às vezes temos a impressão de que não chegaremos a verdadeira igualdade e paz entre as nações em momento algum.

Com a globalização e a diminuição dos conflitos no Oriente Médio, já tínhamos esperança. Mas mais uma vez, os grandes avanços sociais causam medo aos conservadores. Dois passos pra frente, um pra trás. Só esperamos que este passo pra trás que foi dado nesta semana, não seja um pulo para o fim do mundo.

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

13 Comentários

  1. Resumo da opera. As coisas são o que são, nada mais, nada menos. O resto é mimimi. Quem enxerga o mundo só pelo noticiario é desinformado. Uma especie de caverna de Platão.

  2. ‘Só esperamos que este passo pra trás que foi dado nesta semana, não seja um pulo para o fim do mundo.’ Profetas do fim do mundo surge um em cada esquina toda semana. Malucos ou espertalhões. Na Academia, no ar condicionado ou nos cultos.

  3. ‘Dois passos pra frente, um pra trás.’ Chavão. Vermelhos não estão nem no mesmo ‘caminho’ que o resto da humanidade. Podem dar passos na direção que quiserem, podem inclusive dançar! Kuakuakuakuakuakua!

  4. ‘Mas mais uma vez, os grandes avanços sociais causam medo aos conservadores.’ Sim, estão todos fazendo xixi nas calças de medo. Kuakuakuakuakua! Discurso infantil! Kuakuakuakuakuakua!

  5. ‘[…] a diminuição dos conflitos no Oriente Médio, já tínhamos esperança.’ Não diminuiram, só sairam das manchetes. Guerra civil no Iemen e Siria. Entre 60 e 100 conflitos ativos existem atualmente dependendo do criterio. Maioria das pessoas ignoram até a zona desmilitarizada em Chipre, guerra entre Grecia e Turquia.

  6. Globalização é sonho do federalismo liberal e dos que desejam o fim do ‘capitalismo internacional’ para substitui-lo por outra coisa. O famigerado “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”. Existe também a noção errada de que paises com relações comerciais não entram em conflito. E um lugar comum. Os maiores parceiros da Alemanha Nazista antes da eclosão da Segunda Guerra eram Polonia e Checoslovaquia. Dependiam da União Sovietica para fornecimento de materias primas, petroleo, manganes, cobre e grãos.

  7. ‘Infelizmente, às vezes temos a impressão de que não chegaremos a verdadeira igualdade e paz entre as nações em momento algum.’ Problemas cognitivos são problema de psicologos ou psiquiatras. Quem tem só ‘impressão’ é ‘meio lentinho’, melhor arrumar uma consulta.

  8. ‘O mais dolorido é ver grupos previamente excluídos repetindo com outros o quê já foi feito com eles.’ ‘Outros’ agora são ‘vitimas’. Alguém viu as IDF construindo uma ferrovia, embarcando gente em Gaza e levando para uma ‘fabrica’ onde todos são exterminados e cremados? Submetidos a trabalhos forçados? Quem tem discurso de exterminio? Não seria o pessoal que grita ‘do rio até o mar a Palestina será livre’?

  9. ‘Achamos que embates são intrínsecos a humanidade.’ Temos certeza. Existem os que defendem utopias, é certo.

  10. ‘Isto tudo já vimos antes e, pelo jeito, (com a ressalva de que uma terceira GM poderia levar ao fim da raça humana) as veremos novamente.’ Sensacionalismo para ganhar clicks, tanto nas redes como na midia cumpanhera.

  11. ‘[…] quando poderíamos estar felizmente fazendo biografias de mulheres francesas que organizavam salões,[…]’. E comer coco de colherinha. Sim, porque tem um ‘nos’ embutido ali. Poderiamos estar jogando no tigrinho também. Coisas bastante burguesas.

  12. ‘Historiadores já avisavam, mas infelizmente a sociedade tende a não ver os sinais do fascismo acendendo.’ Porque os que tem o minimo de formação sabem o que é fascismo, olham o que acontece e sabem que não é. Não só os historiadores leem livros de historia. A geração que lutou contra o fascismo esta terminando de partir. O fato é relativamente recente. Existem inclusive militantes de esquerda que defendem ideias fascistas. Sem falar nos admiradores de Stalin ou Mao. Puro discurso ideologico utilizado como ferramenta politica.

  13. ‘Outra coisa que aprendem os estudantes de história é que os acontecimentos tendem a se repetir.’ Religião marxista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo