A pitangueira que virou dor de cabeça: crimes ambientais mais comuns do que você imagina – por Ana Luiza Arigony
“Para muita gente, é algo simples. Para a legislação ambiental, é infração”

Seu Júlio alugou sua antiga casa no centro para uma lojinha pequena.
Contrato simples, baixado da internet, sem uma linha sobre questões ambientais.
Tudo tranquilo – até que chegou uma notificação do órgão ambiental: uma pitangueira havia sido cortada sem autorização no pátio do imóvel.
Multa ambiental e determinação de recuperar a área.
Seu Júlio não entendeu nada:
– Mas eu nem sabia que tinham tirado essa árvore!
Quem havia cortado era o locatário, que queria “abrir espaço” atrás da loja e passou a serra sem pedir autorização ou consultar ninguém.
E como normalmente acontece, o primeiro a se incomodar foi o proprietário: apresentou defesa, respondeu ofício, explicou a situação.
Só depois conseguiu demonstrar que não havia sido ele quem praticou o ato – e que a multa deveria ser direcionada ao locatário.
Mas, mesmo assim, a obrigação de recuperar o dano ambiental ficou no colo do Seu Júlio.
Porque essa responsabilidade acompanha o imóvel, e alguém precisa devolver a área ao estado anterior, ou próximo disso.
Tudo isso… por causa de uma pitangueira.
A moral do causo:
Crimes ambientais urbanos surgem de atitudes pequenas – cortar árvore nativa, mexer na taquareira, queimar lixo, descartar entulho onde não pode.
Para muita gente, é algo simples. Para a legislação ambiental, é infração.
E quando o imóvel está alugado, o dono quase sempre descobre só depois, quando a multa ou a ordem de recuperar já chegou.
É aí que um bom contrato de locação faz diferença.
Ele precisa prever que:
– qualquer intervenção em vegetação exige autorização prévia;
• o locatário é responsável pelos atos ambientais que praticar;
• deve indenizar o proprietário por qualquer dano;
• e deve arcar com a recuperação da área, caso cause degradação.
O contrato não impede o dano,
mas garante segurança, inclusive o direito de cobrar depois de quem realmente causou o problema.
E essa proteção simples evita que uma pitangueira vire uma dor de cabeça enorme.
Observação do Editor: o “seu Júlio”, no caso é um personagem fictício, assim como o “causo” contado.
(*) Ana Luiza Arigony é advogada ambiental e mestranda em Engenharia de Produção pela UFSM. Ela escreve no site às terças-feiras.





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