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Dezembro – por João Luiz Vargas

“...O ano acaba, mas a esperança não precisa acabar com ele”

Os dias se fundem uns nos outros. O calor insiste, lembro que preciso beber mais água, como se, ao irrigar o corpo, também desfizesse os sulcos da alma que se abriram nas íngremes caminhadas deste ano que já se despede.

Hoje, ou talvez amanhã, sinto vontade de descer desse mundo cruel que tantas vezes transforma o amor em ódio e o afeto em rancor. Quem defende com firmeza a igualdade entre todos acaba contemplando o céu como quem procura abrigo, percebendo que ele protege a lua para que não seja esquecida, esse astro que simboliza paixão e amor, enquanto tentamos ignorar a dura realidade que nos cerca.

A mídia, cada vez mais presente e ampliada, apresentou recente avaliação técnica que confirmou o que já suspeitávamos. As notícias de tragédias são as mais acompanhadas pelas pessoas em qualquer lugar do mundo.

No meu ideal, todos seríamos amáveis, compreensivos e solidários, livres de preconceitos, dispostos a fazer ao outro aquilo que gostaríamos de receber.

Dezembro, com seus dias iguais, me fez sonhar acordado e, por isso, estou só. Quero descer antes que a monotonia me torne insensível e silencie o coração apaixonado que tenho pela vida.

E talvez seja isso que dezembro tenta nos lembrar. Enquanto o ano termina, ele nos convida a recolher o que ainda pulsa, a reparar o que trincou e a recordar que, mesmo entre cansaços e incertezas, ainda é possível recomeçar com suavidade. No fim das contas, o ano acaba, mas a esperança não precisa acabar com ele.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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