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Memória, Justiça e Prevenção: uma ferida que Santa Maria não pode esquecer – por Giuseppe Riesgo

“Tratar a memória da Kiss com seriedade é um compromisso com o futuro”

Treze anos depois da tragédia da Boate Kiss, Santa Maria ainda carrega uma marca profunda na sua história. Não apenas pela dor irreparável da perda de tantos jovens, mas também pela ausência de um espaço físico permanente que represente, com respeito e seriedade, a memória dessas vidas interrompidas.

A inexistência de um memorial, mausoléu ou monumento não é um detalhe. É um sinal claro de que essa ferida segue aberta. E uma cidade madura precisa ter coragem para enfrentar sua própria história – não para reviver o sofrimento, mas para reafirmar um compromisso coletivo: isso jamais pode se repetir.

Sempre tratei esse tema com o cuidado que ele exige. Reconheço as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, os entraves jurídicos, administrativos e emocionais que cercam qualquer decisão relacionada a esse episódio. Mas reconhecer dificuldades não pode significar aceitar a inércia. Santa Maria precisa, com responsabilidade e respeito às famílias, dar esse passo.

Lembrar é um ato de responsabilidade pública. Memória não é passado congelado – é aprendizado, prevenção e política pública. É transformar dor em ação concreta.

Desde a tragédia, a legislação brasileira e estadual avançou, e isso precisa ser reconhecido. Mas também é honesto dizer: ainda há espaço para melhorar. Precisamos de normas mais modernas, mais eficazes e mais seguras, sem abrir mão do rigor técnico e sem transformar a burocracia em um obstáculo à prevenção.

É fundamental aproximar o poder público de instrumentos modernos de prevenção de sinistros, inclusive do mercado de seguros. Prevenir não é reagir depois do desastre – é antecipar riscos, criar incentivos corretos e construir uma cultura real de segurança.

Nada disso é possível sem reconhecer o papel central do Corpo de Bombeiros. Homens e mulheres que atuam com coragem e profissionalismo, protegendo vidas todos os dias. Eles cumprem sua missão com bravura, mas precisam de mais estrutura, equipamentos modernos, recursos e investimento contínuo. Prevenção exige preparo, tecnologia e valorização permanente.

Tratar a memória da Boate Kiss com seriedade é um compromisso com o futuro. Com as famílias, com os jovens de hoje e de amanhã e com uma cidade que precisa lembrar para nunca repetir.
Essa pauta não é sobre o passado.

É sobre responsabilidade, justiça e prevenção permanente.

(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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