“F1: O Filme”: realidade versus ficção – por Roselâine Casanova Corrêa
É ótimo, “para quem curte a tensão e a adrenalina das corridas de Fórmula 1”

Na ressaca da cerimônia do Oscar/2026, não houve nenhuma surpresa quanto aos vencedores, exceto na categoria de atriz coadjuvante, para Amy Madigan (“A Hora do Mal”). De fato, apostava-se nessa categoria em Teyana Taylor (“Uma Batalha Após a Outra”). Aliás, Taylor protagonizou um desconforto na premiação, por meio de um desentendimento com um segurança.
Feito o preâmbulo, vamos ao filme da semana. Sob a direção do estadunidense Joseph Kosinski – também produtor e autor da obra original – transitam nas pistas, dentre outros, Brad Pitt (Sony Hayes), Damson Idris (Joshua Pearce), Javier Bardem (Ruben Cervantes) e Kerry Condon (Kate). Além da participação do heptacampeão de Fórmula 1, Lewis Hamilton, interpretando a si mesmo e também um dos produtores de “F1: O Filme”. Seu lançamento nos cinemas brasileiros ocorreu em junho/2025, e está disponível no streaming Apple TV+.
A produção do longa iniciou em 2023 e, dizem, sob um orçamento milionário. Com sequências captadas em eventos reais, em meio a nomes consagrados da F1, como Verstappen, Leclerc, Carlos Sainz, Lando Norris, Hamilton e muitos outros pilotos. Conta com um carro construído especialmente para o longa, com 16 câmeras, o que permitiu as cenas em alta velocidade. As filmagens ocorreram durante as corridas do GP da Inglaterra. Do ponto de vista técnico, o filme é perfeito. Contudo, falta densidade na construção dos personagens e, talvez, até sintonia/cumplicidade entre os atores e os pilotos reais.
Sonny Hayes (Pitt) é um piloto aposentado ficcional, contudo, o ator declarou ter se inspirado no bicampeão espanhol Fernando Alonso, para compor seu personagem. A equipe APX GP também não existe no grid real da F1. A trama enfoca o retorno de Hayes às pistas, após décadas afastado – devido a um acidente – enfrentando desafios como mentor do novato Joshua Pearce. O longa concorreu em quatro categorias no Oscar/2026 e levou a estatueta de Melhor Som, merecidamente.

Acerca do que se sabe entre realidade versus ficção:
1) Embora a trama seja fictícia, está ancorada em acontecimentos reais. Boa parte das cenas vistas no longa foram gravadas nos mesmos circuitos em que acontece a Formula 1, o que conferiu maior realismo à produção;
2) A personagem Kate McKenna foi inspirada em Bernie Collins, uma estrategista de engenharia que trabalhou para a Aston Martin;
3) Sonny Hayes foi inspirado em Martin Donnely, um piloto que quase teve sua vida encerrada após um acidente (1990). Em uma corrida em Jerez (Espanha), Donnely foi ejetado de seu carro e sua Lotus desintegrada. Embora tenha se recuperado e participado de uma corrida (1993), não retomou a carreira como piloto profissional;
4) O acidente de Joshua Pearce é inspirado no incidente que ocorreu com Romain Grosjean (2020) e pelo episódio que quase ceifou a vida de Niki Lauda (1976). Sua Ferrari bateu, incendiou e o piloto ficou preso, sofrendo graves queimaduras;

5) A dinâmica entre Sonny e Joshua parece ser inspirada na relação entre Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que correram juntos pela McLaren.
Uma sacada de Kosinski que deu certo: inseriu sua equipe fictícia junto às equipes reais nas filmagens. E declarou que “o filme não parece menos dramático do que a realidade”. Essa assertiva consiste no maior mérito do longa: transportar o telespectador para as pistas, para os ajustes dos carros, para as discussões entre pilotos, mecânicos e engenheiros, para o frisson inerente às corridas de Fórmula 1.
Mesmo o roteiro não estando ancorado na profundidade dos personagens, para quem curte a tensão e a adrenalina das corridas de Fórmula 1, é um ótimo filme. Com todas as suas fragilidades!
(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”. Ela escreve sobre cinema, às quintas-feiras, no site.





‘[…] e, dizem, sob um orçamento milionário.’ Entre 200 e 300 milhões. Breakeven entre 500 e 750 milhoes. Apple sempre divulga 200 milhões. Filmagem aparentemente foi no UK, se for o caso as informações devem ser publicizadas por conta do incentivo fiscal. Bilheteria 633 milhões mundialmente. Diria que um pouco de lucro vai ter por conta do vod. Pitt embolsou 30 milhões. Barden entre 3 e 5.
Brad Pitt. ‘Range’ absurdamente limitado. Não é um Leonardo Di Caprio que alem de não ter range tem a expressividade de um tijolo. Depois do botox piorou. Ianques vão mais pela aparencia, atuação é com os/as britanicos(as).
Teyana Taylor. Mulher bonita. Cantora, autora de letras de musicas, atriz, modelo, dançarina, coreografa e editora de video. Andou estudando na Escoffier. Tem um monte de premios. Uma hora ganha ou fica feio para a Academia.
‘[…] exceto na categoria de atriz coadjuvante, para Amy Madigan (“A Hora do Mal”).’ Tinha sido indicada uma vez e tem 75 anos. Esposa de Ed Harris.
‘ Aliás, Taylor protagonizou um desconforto na premiação, por meio de um desentendimento com um segurança.’ Encostou a mão nela quando tentava voltar ao palco para uma foto. Podia ser uma regra ou ele pode ser um mala. Vai parar na terceira divisão do serviço de segurança.