Gravidez não é doença: as bobagens inovadoras da prefeitura de Santa Maria – por Giorgio Forgiarini
“Espero que pare por aqui e a Prefeitura reflita melhor antes de inovar de novo”

Inovações são boas quando acompanhadas de reflexão. Inovar por inovar, só para proclamar o novo, o diferente, o inédito, sem critério, sem cuidado, sem atenção, traz riscos, em especial o de se descobrir tarde demais que o “inédito” só o é porque no passado outros já haviam chegado à conclusão não ser boa ideia.
Alguém dentro da Prefeitura de Santa Maria achou que seria interessante inovar nas contratações de professores e professoras temporários. Fez incluir no instrumento de anamnese perguntas sobre o estado gravídico da mulher, ciclo menstrual, número de partos já realizados, abortos induzidos ou não e, inclusive, sobre episódios de tensão pré-menstrual.
Qual o objetivo disso? Não sei, aliás, difícil saber. O que importa é que é algo inédito. Nunca em nenhum processo de contratação realizado pelo Município de Santa Maria se tinha cogitado incluir tais questionamentos.
Não o foram porque isso é, não apenas proibido, mas criminoso. Segundo a Lei n. 9029 de 1995, é crime inserir em qualquer formulário ou questionário admissional perguntas ou questionamentos quanto ao estado de gravidez da mulher. Isso porque levanta a óbvia possibilidade de a mulher grávida ser preterida do cargo em função de sua condição.
É lícito, sim, ao ente público indagar quanto ao estado de saúde do candidato a cargo ou função pública. É possível, sim, questionar quanto a diagnósticos prévios, doenças preexistentes, principalmente aquelas degenerativas e incapacitantes.
Porém, gravidez não é doença, não é degenerativa, muito menos incapacitante. O número de partos realizados e o de gestações interrompidas não são do interesse de ninguém, senão da própria mulher. A frequência menstrual tampouco é informação relevante para aferir a aptidão da mulher para o desempenho de qualquer tipo de trabalho.
Sim, é importante o ente público saber o número de filhos e dependentes de cada um de seus trabalhadores. Porém “filhos” não são sinônimo de “partos” e se a intenção fosse saber o número de dependentes, se teria perguntado também aos professores homens, num questionário social, não num prontuário médico.
A propósito, aos homens, nenhuma pergunta quanto à saúde da próstata, espermogramas, níveis de testosterona, ações de investigação de paternidade finalizados ou em curso, nada. Se a Prefeitura de Santa Maria queria inovar, inovou. E espero que pare por aqui e reflita melhor antes de inovar de novo.
(*) Giorgio Forgiarini é advogado militante, com curso de Direito pela Universidade Franciscana, é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele escreve nas madrugadas de sábado.





Meu deus, um advogado que escreveu um artigo sem antes consultar que esse procedimento da medicina do trabalho não é algo “inovador” mas sim um padrão de muitos anos. Serve para ingressar não só no executivo mas tb no legislativo e serve para todos os cargos, não somente para professoras.
Gente, que loucura essas narrativas que até pessoas “inteligentes” vem caindo, hein?
Resumo da opera. E a lei? Contrata-se o minimo de mulheres possivel e com mais de 40 anos. Simples assim. Diminui-se os riscos.
‘A propósito, aos homens, nenhuma pergunta quanto à saúde da próstata, espermogramas, níveis de testosterona, ações de investigação de paternidade finalizados ou em curso, nada.’ Nada disto impede o homem de trabalhar ou gera licença. Se for problema serio de prostata o menor dos problemas é manter o emprego. Alas, aconselha-se a consultar um bom advogado para uma explicação sobre o principio da isonomia.
‘[…] inovar nas contratações de professores e professoras temporários.’ Socialização dos problemas. Prefeitura contrata alguem pelo prazo de 24 meses que recem engravidou. Vai entrar em licença em algum momento. Problema dela resolvido. Quem vai cobrir a lacuna? Prefeitura vai chamar mais alguem ou vai mandar a diretora se virar?
É um insulto, um desrespeito, uma violência a aplicação obrigatório deste questionário. O Prefeito precesi sentar nos seus banquinhos vermelhos, super faturados e refletir.