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CÂMARA. Audiência pública debate contrato com Corsan em meio a denúncias de contas abusivas

Prefeitura não compareceu ao encontro, nem enviou representação oficial

Comissão especial do Poder Legislativo analisa o contrato entre Corsan/Aegea e a Prefeitura de Santa Maria (Foto Júlia Vissotto/Câmara)

Por Maiquel Rosauro

O Plenário da Câmara Municipal de Santa Maria recebeu, na noite de segunda-feira (25), uma audiência pública para debater o contrato e os serviços prestados pela Corsan/Aegea no município. O encontro foi marcado por duras críticas ao Poder Executivo, que não enviou representantes oficiais. Apenas o engenheiro fiscal do contrato esteve presente.

As principais falas da noite cobraram uma postura contundente do prefeito Rodrigo Decimo (PSD) em relação à concessionária. O presidente da comissão especial que acompanha o contrato entre Corsan/Aegea e Prefeitura, Tubias Callil (PL), ameaçou levar adiante um projeto para municipalizar a água e destacou a omissão da Prefeitura diante do sofrimento da população.

O parlamentar relatou casos de cidadãos que tiveram um aumento vertiginoso nas faturas, enfrentam problemas crônicos de falta d’água e entrega de água com aspecto sujo nas residências.

“O contrato da Corsan/Aegea é do município e, portanto, de responsabilidade do prefeito, seja quem for. Quero cobrar uma atitude mais enérgica do prefeito como gestor público”, disse Tubias.

A vereadora Helen Cabral (PT), relatora da comissão, expôs o endividamento de famílias de baixa renda e mães solo, relatando uma conta de água que chegou a R$ 66 mil.

“Essa empresa tem sido predadora do povo santa-mariense, essa empresa virou uma indústria de multas”, disse Helen.

A vereadora Alice Carvalho (PSol) endossou o pedido de encerramento do vínculo e criticou a postura do Executivo.

“[Que o prefeito] assuma postura que seja mais condizente com o cargo que ele ocupa, que ele se comporte de fato como prefeito e rompa o contrato com a Corsan/Aegea, que ele crie as condições para que o santa-mariense se veja livre dessa empresa”, afirmou Alice.

Corsan/Aegea

A gerente de relacionamento institucional da Corsan/Aegea, Andréa Zanini, compôs a mesa para responder aos questionamentos e garantiu que o foco da empresa é investir na cidade, citando que há mais de R$ 50 milhões previstos para Santa Maria em 2026. Ela rebateu as acusações sobre a água barrenta e ressaltou que a atuação da empresa é amparada pelo marco legal do saneamento.

“Garantimos a qualidade da água que nós distribuímos em Santa Maria. Qualquer situação diferente dessa precisa ser imediatamente reportada pelos canais oficiais”, disse Andréa.

A representante da Corsan/Aegea ressaltou que o serviço é transparente, a partir do hidrômetro que cada família tem instalada em sua casa. Ela afirmou que os clientes precisam analisar suas faturas detalhadamente.

“Nós podemos estar cobrando o consumo e um novo serviço, pois o serviço de esgoto também prevê uma cobrança. Muitas pessoas pagavam apenas pelo serviço de abastecimento de água e tiveram a obra entregue no seu bairro. A partir daí, passam a pagar também o serviço de esgoto. Isso precisa ser verificado na fatura”, afirmou Andréa.

Ministério Público

Apesar de não estar presente fisicamente, o Ministério Público enviou um ofício via promotora de Justiça Giani Pohlmann Saad, lido durante a sessão. A promotora confirmou a existência de um inquérito civil avançado que apura as “práticas comerciais operacionais da concessionária Corsan/Aegea relacionadas à cobrança de tarifa de água e esgoto e ao atendimento ao consumidor municipal de Santa Maria”.

Diante da gravidade das denúncias e da falta de soluções imediatas, a comissão legislativa anunciou que a mobilização não vai parar no Legislativo. Tubias confirmou a realização de seis novas audiências públicas regionais em bairros e vilas para coletar mais provas e testemunhos, visando embasar um possível decreto legislativo para suspender os efeitos do contrato com a empresa.

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3 Comentários

  1. Gerente de relacionamento da empresa é psicologa. Respostas para ingles ver. Clientes para serem mandados a m. tem que utilizar os canais oficiais. Alas, preocupação são as contas, formalidades. Falta de agua, esgoto na rua, etc. em segundo plano.

  2. Isso é o que dá as privatizações. cobranças absurdas. cortes. sem escritórios. precarização. e sem o viés sociais. agora nas eleições vamos lembrar a população qual os candidatos que representam a privatizações e os deputados estaduais que aprovaram. e o povo pobre que paga a conta.

  3. Salvo a foto não ser do dia da audiência, há um representante da prefeitura na foto bem na esquerda, o que não condiz com subtítulo

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