Dois acordos e um golpe permanente – por Leonardo da Rocha Botega
Para “centrão” e bolsonarismo, pobres e democracia não cabem no orçamento

“Machado: Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
(…).
Machado: É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
Jucá: Com o Supremo, com tudo.
Machado: Com tudo, aí parava tudo.
Jucá: É. Delimitava onde está, pronto.”
O diálogo acima, entre o então ministro do Planejamento Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, foi tornado público em maio de 2016. A conversa ocorreu em março daquele ano, às vésperas da votação da abertura do processo político que culminou no golpe parlamentar que depôs a presidenta Dilma Rousseff. Naquelas falas, o objetivo e a estratégia do acordo golpista foram evidenciados.
A frase de Romero Jucá, “Tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria”, proferida após o trecho citado, não deixa dúvida quanto a preocupação dos principais expoentes do “centrão”: a autonomia que a presidenta vinha dando para as investigações da polícia federal e a não intervenção do governo na Operação Lava Jato. Para Machado, a “situação era grave”, pois, “eles” queriam “pegar todos os políticos”.
Alguns meses depois, se pode perceber que não era bem assim. Que os membros da Operação Lava Jato não tinham propriamente o objetivo de “pegar todos os políticos”, apenas aqueles que não correspondiam com a ideologia dos magistrados, ou seja, as esquerdas. Os demais, alguns que foram até presos como o próprio Jucá e o deputado Eduardo Cunha, foram somente efeitos colaterais da inquisição ideológica de Sérgio Moro.
Os diálogos entre os integrantes do ministério público e o juiz Moro, vazados em 2019 por um hacker e definidos como verídicos na Operação Spoofing, não deixam dúvidas sobre as práticas ilegais e a verdadeira intenção da Operação Lava Jato. Até mesmo o uso indevido de recursos públicos era articulado por aqueles que se apresentavam como os paladinos da moral e cruzadistas da “limpeza política”.
A divulgação da conversa de Jucá e Machado acabou não alterando o processo golpista. A deposição de Dilma Rousseff foi concretizada pelo Senado Federal em 31 de agosto daquele ano. Lula seria preso ilegalmente em 7 de abril de 2018. O “grande acordo nacional” seguiu em frente com o “centrão” encontrando um novo aliado, nascido sobre as ruínas do lavajatismo: o bolsonarismo.
Os trabalhadores e as trabalhadoras tiveram como resultado desse “grande acordo nacional” golpista uma Reforma Trabalhista, que transformou a precarização em regra, uma Reforma da Previdência, que fez com que muitos jamais não consigam se aposentar, e um “Teto de Gastos”, que atingiu fortemente as políticas sociais. Sem esquecer do negacionismo transformado em política oficial durante a pandemia da Covid-19.
O custo do “acordo”, explicitado por Jucá e Machado, foi alto para os trabalhadores e as trabalhadoras. Para o “centrão”, porém, foi extremamente lucrativo. O juiz da Lava Jato se tornou ministro da Justiça e não apenas “estancou” aquela “sangria”, como impediu que outras fossem investigadas. Além disso, o “centrão” ainda ganhou o controle sem transparência do orçamento nacional com as chamadas “Emendas Pix”.
O “grande acordo nacional” golpista de 2016 foi temporiamente derrotado, nas urnas em 2022 e no fracasso do levante fascista de 8 de janeiro de 2023. Mas, engana-se quem pensou que ele estava morto. Ela não está. O golpismo é permanente. Ganhou novos personagens e retomou a ofensiva. A derrota do governo na indicação do novo ministro para o STF e a aprovação do perdão aos criminosos do 8 de janeiro demonstram isso.
2026 é o ano em que o golpismo tem um único objetivo: retomar o governo para seguir avançando nos desmontes das políticas sociais e no controle do orçamento. Fim da escala 6×1 e resolver o endividamento das famílias nem pensar. Para o “centrão” e o bolsonarismo, os pobres e a democracia não cabem no orçamento. As eleições de 2026 serão sobre isso. Sobre resistir aos avanços do “novo grande acordo nacional” golpista.
(*) Leonardo da Rocha Botega, que escreve regularmente no site, é formado em História e mestre em Integração Latino-Americana pela UFSM, Doutor em História pela UFRGS e Professor do Colégio Politécnico da UFSM. É também autor do livro “Quando a independência faz a união: Brasil, Argentina e a Questão Cubana (1959-1964).





Resumo da opera. Perderam o respeito. A eleição vai ter uma ‘conta’ a ser paga. Dependendo das repercussões e do humor da população Rato Rouco pode até se reeleger. Mas corre o risco de ser impichado.
Bets. Governo atual exigiu das empresas uma ‘joia’ de 30 milhões de reais. Tributo sobre a receita bruta dos jogos (descontados os premios) de 18%. Os ganhadores de apostas tem imposto retido na fonte de 15%. Apesar disto metade dos sites, é o que dizem, é clandestino. Governo usa o discurso habitual, ‘estão ganhando demais’, ‘são culpados pelo endividamento’, ‘temos que arrecadar mais’.
Em tempo. Não é possivel usar o CPF dos menores, mas dos avós e pais é.
‘As eleições de 2026 serão sobre isso.’ Podem ficar acoando isto, ninguém vai prestar atenção.
‘Para o “centrão” e o bolsonarismo, os pobres e a democracia não cabem no orçamento.’ Os Vermelhos é que não cabem no orçamento! Não sabem o que é trabalhar!
‘Fim da escala 6×1 e resolver o endividamento das famílias nem pensar.’ Medidas eleitoreiras. Redução da jornada sem se preocupar com as consequencias, negocio é angariar votos. Endividamento das familias é um band-aid, vão se endividar de novo. ‘Vamos bloquear o CPF nas Bets’, como se não fosse possivel usar o CPF dos filhos.
‘A derrota do governo na indicação do novo ministro para o STF e a aprovação do perdão aos criminosos do 8 de janeiro demonstram isso.’ Demonstram que perderam o respeito pelo Rato Rouco. Caiu a lorota de que se fosse ele no governo no lugar de Dilma, a humilde e capaz, não teria havido impeachment. Alas, esquecem que no periodo da votação ele foi para um hotel em BSB e prometeu mundos e fundos.
‘Além disso, o “centrão” ainda ganhou o controle sem transparência do orçamento nacional com as chamadas “Emendas Pix”.’ Emendas são limitadas a 2% da receita corrente liquida do ano anterior. É 1,5% para deputados e 0,5% para senadores. Espantalho porque a gastança estéril do governo nos outros noventa e tantos por cento não querem discutir. Para estes perdularios não interessa eficiencia, o negocio é gastar, jogar dinheiro nos problemas.
‘[…] uma Reforma Trabalhista, que transformou a precarização em regra, uma Reforma da Previdência, que fez com que muitos jamais não consigam se aposentar, e um “Teto de Gastos” […]’. Infantil. O Brasil possivel é o que cabe no bolso dos brasileiros. Não tem como ser a Suiça com a renda da Jamaica.
Bom lembrar que segundo o New York Times a operação Lava a Jato começou a cair quando chegou perto do Supremo Tribunal Cumpanhero. ‘Amigo do amigo do meu pai’. Bom lembrar que Gilmar mendes trocou de voto na hora que o Tucanato começou a cair e a operação chegar perto das togas. Bom lembrar que Gilmar Mendes publica um ‘Curso de Direito Constitucional’ pelo instituto dele e o co-autor é Paulo Gonet, o PGR. Fatos.
‘[…] apenas aqueles que não correspondiam com a ideologia dos magistrados, ou seja, as esquerdas.’ Dentro da Lava a Jato saiu a delação de Delcidio Amaral. Implicou Aecio Neves na lista de furnas. José Serra foi implicado na Lava a Jato por ter recebido grana da Odebrecht. Ação trancada por Gilmar Mendes. Aloysio Nunes foi implicado na Lava a Jato por ligações com Paulo Preto. O mesmo Aloysio ganhou cabide de Rato Rouco na Belgica. Fatos.
‘[…] e a não intervenção do governo na Operação Lava Jato.’ Que prendeu o Rato Rouco. Que quase foi nomeado ministro usando imBessias como office boy.
Dilma, a humilde e capaz, herdou a gastança do governo Molusco com L., abstemio, honesto e famigerado dirigente petista. Pegou o fim do boom das commodities que beneficiou o governo anterior. Triplicou a aposta. Controlou preços e juros. Resultou numa recessão. PIB encolheu 3,5% em 2015 e 3,3 em 2016. Desemprego bateu nos 13,7%. São fatos. Só por isto já merecia ser impichada.