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UFSM. Em busca de uma universidade inclusiva

Há problemas como carência de recursos humanos e políticas de permanência

Na Universidade, contudo, também é possível reconhecer avanços importantes

Por Fritz Nunes (Com arte de Italo de Paula) / Da Assessoria de Imprensa da Prefeitura

No dia 17 de abril de 2019, o site da UFSM publicou uma matéria jornalística cujo título era “UFSM é uma das universidades mais inclusivas e diversas do mundo”. Conforme o texto, uma revista britânica da área de educação fizera um levantamento entre 462 universidades de 76 países, que enviaram dados referentes ao ano letivo de 2017. Na classificação geral, a UFSM figurou no 301º lugar, enquanto que em dois aspectos a instituição foi ranqueada entre 101ª a 200ª posição.

Apesar desse reconhecimento internacional, ainda que de quase uma década atrás, a situação da UFSM no que se refere à inclusão dos mais diferentes segmentos, conforme os depoimentos registrados por essa reportagem, está bastante longe de uma realidade ideal, com questionamentos em relação ao apoio estrutural para que esse processo inclusivo possa avançar.

Jesse Cruz, professor do curso de Dança-Licenciatura e coordenador administrativo do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) da UFSM, avalia que falar em universidade inclusiva “exige ir além do discurso institucional e observar como a inclusão se materializa no cotidiano”.

No caso da UFSM, ele diz que é possível reconhecer avanços importantes, sobretudo na ampliação do acesso por meio de políticas de cotas e ações afirmativas que contemplam estudantes negros, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e, mais recentemente, pessoas trans. Para Jesse, esse movimento “indica uma abertura institucional às diferenças. No entanto, inclusão não se esgota no ingresso, pois ela depende de permanência com qualidade, participação e reconhecimento. Nesse ponto, a efetividade ainda é desigual”.

Para Neila Baldi, diretora da Sedufsm, existe a inclusão do ponto de vista do acesso, mas questiona as dificuldades de permanência das e dos estudantes. “Não temos ideia de como é o acompanhamento, até porque sabemos que temos poucos técnicos e técnicas. Então, o/a estudante entra, mas pode ser que seja reprovado por dificuldade inerentes à sua condição e que muitas vezes, nós, docentes, não temos a capacitação para fazermos adequação.”

O sentimento da docente, que é do curso de Dança-Licenciatura, é de que “muitas vezes nós, docentes, vamos aprendendo na tentativa e erro, e os/as estudantes nem sempre são atendidos/as como deveriam, por uma falha estrutural. O que vivemos na Universidade hoje é o que a escola básica sofre há anos, a inclusão sem adaptação: sem profissionais para atender aos/às estudantes, muitas vezes sem espaço físico adequado, e sem capacitação.

Na avaliação de Jesse Cruz, os entraves para uma inclusão efetiva são múltiplos e interligados. “Há limitações materiais, como acessibilidade arquitetônica incompleta, escassez de tecnologias assistivas”, mas também “insuficiência de políticas de permanência, como moradia, alimentação, bolsas”. Além disso, o professor observa que há também barreiras simbólicas e pedagógicas que pesam tanto quanto as físicas.

O desafio do ensino com inclusão

Liliana Ferreira, docente do departamento de Fundamentos da Educação e coordenadora do Kairós- Grupo de Pesquisas sobre Trabalho, Políticas Públicas e Educação-, entende que na atualidade vivemos um período em que cabe a professoras/es realizar seu trabalho pedagógico e, nesse processo, zelar pela inclusão de todas e todos. “Incluir é uma demanda humana, ou seja, quer-se pertencer, e ao pertencer, ser aceito como se é, para juntos, construir um trabalho coletivo”, define ela.

No entanto, ressalta Liliana, ao assumir-se que alguém está em processo de inclusão, implicitamente, está-se dizendo que é portador de alguma diferença e, portanto, já se estabelece uma cisão. “Como professores, temos dificuldades em agir naturalmente nos processos inclusivos, pois estes exigem olhares, ações e discursos encontrem todas e todos os sujeitos”. Para a coordenadora do Kairós, os processos educativos realizados para o trabalho pedagógico no Ensino Superior, se realizados há mais tempo, não contemplaram orientações para inclusão. “Está-se aprendendo no próprio trabalho pedagógico, o que exige vigilância, atenção e cuidado”, frisa

No entendimento de Liliana, à UFSM cabe o apoio nesses processos, “mas não no âmbito de gabinetes e setores. Necessita-se de apoio durante a aula”, enfatiza. Ela acrescenta ainda que existe um suporte importante para casos de estudantes com deficiência visual, auditiva, com a presença de intérpretes, porém, a diversidade é bem mais ampla. “Nos casos de estudantes que ingressaram por cotas, não se recebe orientação, nem sequer acerca das peculiaridades educativas de cada sujeito e de sua cultura”, comenta ela.

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