Em frente à escola, a cidade revela quem somos – por Marcelo Arigony
Espaços definidores, sim: faixa de segurança, meio fio e nosso comportamento

Todos os dias levo minhas filhas para a escola.
É um trajeto curto, mas que frequentemente me faz refletir sobre a forma como convivemos em sociedade.
Basta observar por alguns minutos a movimentação na entrada ou na saída de qualquer escola.
Pais preocupados com o horário. Motoristas tentando ganhar alguns segundos. Motocicletas procurando espaço entre os carros. Crianças atravessando ruas cercadas pela pressa dos adultos.
Mas existem duas cenas que sempre me chamam a atenção.
A primeira é a faixa de segurança.
Ela deveria ser o espaço mais protegido daquele ambiente. Afinal, estamos falando de crianças. Mesmo assim, não são raras as vezes em que veículos avançam antes da travessia terminar ou simplesmente ignoram quem aguarda para atravessar.
A segunda cena acontece junto ao meio-fio.
Muitos pais param apenas para deixar ou buscar os filhos, o que é perfeitamente compreensível. O problema é quando o carro permanece ali sem necessidade. O motorista pega o celular, responde mensagens, consulta redes sociais ou resolve qualquer outra questão enquanto outros veículos aguardam espaço para fazer exatamente a mesma coisa.
O resultado é conhecido: filas, congestionamento, manobras arriscadas e mais exposição ao risco para as próprias crianças.
O curioso é que, muitas vezes, essas atitudes não vêm de pessoas mal-educadas.
Muito pelo contrário.
São os mesmos pais e mães que encontramos nas apresentações da escola, nas reuniões, nas festas e nos eventos dos filhos. Pessoas cordiais, educadas, gentis e agradáveis no convívio cotidiano.
Mas algo parece mudar quando fechamos a porta do carro.
Como se o compromisso individual daquele momento se tornasse mais importante do que o direito dos demais.
Talvez por isso o trânsito seja um dos retratos mais sinceros da vida em sociedade.
Ele revela o quanto estamos dispostos a respeitar regras que existem para todos. Revela o quanto conseguimos abrir mão de uma pequena conveniência em benefício da coletividade. E revela, principalmente, o quanto conseguimos enxergar o outro.
Em frente a uma escola, essa reflexão ganha ainda mais importância.
Porque ali estão nossos filhos.
E a cidade que desejamos para eles depende, em grande medida, das escolhas que fazemos quando acreditamos que ninguém está olhando.
(*) Marcelo Arigony é Advogado e Professor, ex-Delegado da Polícia Civil. Ele escreve no site às quartas-feiras.





Resumo da opera. Das pessoas que envelhecem e nunca amadurecem, nunca viram adultos. Para resolver o problema dos colegios seria bom colocar agentes de transito com muitos talões de multa na hora da entrada e da saída.
‘[…] em grande medida, das escolhas que fazemos quando acreditamos que ninguém está olhando.’ ‘Tá’ bom Kant! Kuakuakuakuakuakua! Classe juridica padece do mesmo problema dos Vermelhos. Ideologias. Filosofia, altamente especulativa e teorica, como receita para ‘tocar’ o mundo. Num pais onde jogam uma moça da ponte sem nada para segurar.
‘E a cidade que desejamos para eles depende,[…]’. Fila de carros esperando? Maioria vai embora daqui assim que terminar a faculdade.
‘Revela o quanto conseguimos abrir mão de uma pequena conveniência em benefício da coletividade.’ Não existe ‘coletividade’. Nem ‘sociedade’. Não passam de masturbação mental nas salas com ar condicionado. Só não ve quem nao quer. E não adianta encher o saco.