O problema da burocracia brasileira – por Giorgio Forgiarini
No caso do Brasil, o fato objetivo é que “ela nunca foi de fato implementada”

Críticas à burocracia são possíveis e em boa parte das vezes pertinentes. Porém, a crítica pela crítica é tola e, de per si, não tem qualquer sentido. Depositar na burocracia a responsabilidade por todas as mazelas de uma sociedade sem que se diga de maneira pontual quais são seus defeitos é, senão tolice, pura alienação.
Primeiro porque a burocracia é uma abstração. Não é um ente, um ser, ou uma coisa que se possa ver, tocar ou manusear. É uma ideia, ou melhor, uma porção de ideias cuja implementação e funcionamento depende de pessoas.
A burocracia em sua concepção moderna nasce de um conjunto de estudos alemães, quando ainda Prússia, relativos ao direito e à ciência da administração, que versam sobre o “bureausystem”, um novo método administrativo pensado para substituir as práticas típicas do modelo medieval, em que corpos colegiados ligados aos senhores feudais mandavam e demandavam ao seu bel prazer e sabor.
E é justamente isso o que a burocracia tentava evitar. Mandos e desmandos. Porém, a primeira pergunta que eu faria a quem critica a burocracia é: ela é efetivamente implementada no Brasil? Analisemos.
Um dos principais pressupostos da burocracia é o que se chama de “insulamento burocrático”: um isolamento perfeito entre as esferas política e administrativa, cujo objetivo é justamente impedir que o político dê ordens contrárias à lei e acumule poder em excesso. A ideia é conferir impessoalidade no trato da coisa pública.
O político dá ordens e servidores técnicos, especializados, após examinar sua legalidade e viabilidade, a executam da maneira mais breve, econômica e eficiente possível. É assim que deveria ocorrer.
Porém, no Brasil, corpos técnicos e especializados nunca foram plenamente constituídos.
Temos poucos especialistas em educação pública, em saúde pública, em proteção ao meio ambiente, em combate à criminalidade, em saneamento básico, em infraestrutura urbana, etc e, pior, não se quer pagar bem por eles.
Com isso, as decisões preponderantes com relação a temas caros à sociedade acabam sendo aquelas dos agentes políticos, pessoas legitimadas pelo povo, sim, mas com pouco conhecimento técnico sobre como fazer valer a vontade da população (para não falar de eventual falta de higidez moral).
Veja-se o trânsito urbano como exemplo microscópico, porém ilustrativo. Tivéssemos uma burocracia aperfeiçoada, teríamos engenheiros de tráfego e urbanistas analisando esquina por esquina de cada cidade para estabelecer qual o melhor modal de transporte para os cidadãos.
Não é o que acontece, bem sabemos, não apenas em Santa Maria, mas em qualquer outra cidade brasileira. Por aqui, um prefeito ou secretário abre e outro fecha uma rua como quem mexe na sua própria casa, pouco se importando para os efeitos diretos e indiretos da decisão na vida dos cidadãos. Culpa da burocracia? Certamente não. A burocracia viria justamente para evitar esse problema.
E assim, no Brasil, são também entabuladas as políticas públicas de educação, saúde, segurança pública, etc. Fundadas nessa fusão medonha entre político e administrativo. Baseadas em achismos, em vontades, ou quiçá, em interesses pessoais, coisas que uma burocracia aperfeiçoada viria justamente para evitar.
Em suma: o problema da burocracia brasileira é que ela nunca foi de fato implementada.
(*) Giorgio Forgiarini é advogado militante, com curso de Direito pela Universidade Franciscana, é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Maria. Ele escreve nas madrugadas de sábado.





Resumo da opera. Vermelhos são aficionados por controle estatal. Estado se metendo em tudo. Muitas regras. Muita gente para controlar. Quando olham o caso da China babam, controle la beira o total. Além do que está na vista não veem as mazelas. Exemplo? Grandes burocracias ganham ‘vida propria’. Viram um filtro. Consomem recursos que deveriam ir para outros destinos.
Se o Estado cria a burocracia existe a necessidade do despachante. Em cidades portuárias é bastante comum. Criaram a figura da união estavel. Não muito clara, um burocrata togada decide que certos namoros são uniões estaveis. Chama o despachante legal, cria-se o contrato de namoro para proteger o patrimonio. Como era antes? Não deu certo era cada um para seu lado.
Philip K. Howard, o autor do livro, cita um exemplo extremo. Precisavam erguer a pista da Bayonne Bridge em New Jersey. Como as tribos nativo-americanas eram nomades o projeto exigiu a consulta a 50 tribos. A licença ambiental terminou com 20 mil paginas. Foram envolvidas 55 agencias do governo. Das que tinham que dar permissões, 19 agencias (federais, estaduais e municipais) geraram 47 permissões. Por lá a burocracia também não foi implementada?
Não é problema tupiniquim. Um causidico ianque escreveu um livro anos atras. ‘The Rule of Nobody’. Excesso de normas. Perda de discricionariedade, não é mais ‘a coisa certa a fazer’, mas ‘o que as regras definem que pode ser feito’. Não há responsabilização. Vide o Elefante Branco do Cabidão, parado há anos e ‘o caso está na justiça’.
‘Culpa da burocracia? Certamente não. A burocracia viria justamente para evitar esse problema.’ Porque não tem burocracia. E se para colocar uma sinaleira numa rua fosse necessario licitação, audiencia publica, aprovação no Conselho Municipal de Transportes, Conselho Municipal de Saude, Conselho de Meio Ambiente (muda a qualidade do ar), Conselho de Educação (se for perto de uma escola), etc.?
Transito de SM segundo falam tem um engenheiro de trafego. Mesmo assim, com um bom computador, o sistema poderia ser simulado com bons resultados. Mesmo um sistema simplificado com as vias principais. Alem disto falta dinheiro para automação. Existe um problema adicional, muitos bocabertas dirigindo e pela falta de fiscalização regras de transito são coisas da Globo. No que diz a parte tecnica muita coisa no qualitativo, no ideologico e no aspecto politico. Existem vias expressas, como a Medianeira, com sinaleiras a cada 50 ou 100 metros. Porque certas pessoas estão preocupadas com a velocidade dos acidentes na base do aleja mas não mata. Pessoas pedem sinaleiras e quebra-molas e são atendidas. Gente pedindo coisas nas radios. Não se multa fila dupla em entradas de colegios. Cruzamentos que deveriam ser fechados não são (vide Forum). Tudo porque bate nas urnas.
‘[…] teríamos engenheiros de tráfego e urbanistas analisando esquina por esquina de cada cidade para estabelecer qual o melhor modal de transporte para os cidadãos.’ Jenial. Não existe espaço adequado para desenho. Corpo tecnico (como na engenharia e no urbanismo) é um conjunto de pessoas que decide com base em dados, ciencia e resultados. Corpo burocratico é uma estrutura hierarquica equipada com ‘administradores’ (ou causidicos no caso do direito) que ‘garantem’ o estrito cumprimento de regras, execução de processos e cadeia de comando sem se preocupar com o resultado.
Nesta hora sai a asneira ‘mas eu li bastante a respeito’. É um tipo de homeschooling?
‘Veja-se o trânsito urbano como exemplo microscópico, porém ilustrativo.’ O que advogados entendem de transito urbano? Esquecem que se ignorarmos o sistema legal para todos os feitos só tem segundo grau?
‘[…] agentes políticos, pessoas legitimadas pelo povo, sim, mas com pouco conhecimento técnico sobre como fazer valer a vontade da população […]’. Maioria é de analfabetos funcionais. ‘Vontade da população’? Kuakuakuakuakua? Manifestada em canetaços de cima para baixo? Com ‘manufatura do consenso’, finge-se que a maioria desejava alguma medida, a imprensa é cumplice. Porque para as ‘zelites’ o povo é uma criança a ser levada pela mão, ‘muito ignorante’, ‘são burrões’, ‘atrasados’. Um dos motivos pelos quais a ‘democracia’ está em crise mundo afora.
‘Temos poucos especialistas em educação pública, em saúde pública, em proteção ao meio ambiente, em combate à criminalidade, em saneamento básico, em infraestrutura urbana, etc e, pior, não se quer pagar bem por eles.’ Desculpa dos Vermelhos é sempre a mesma: tem que ter mais gente pendurada nos cabides e ganhando muito bem. Cresce o numero de pessoas em atividades meio e faltam nas atividades fim. O mesmo acontece com o dinheiro. O ‘especialista’ geralmente é alguém com diplomas numa determinada area sem nenhuma convivencia pratica com os problemas. Estes são ‘adivinhados’ numa sala com ar condicionado e as soluções são copiadas sem levar em conta as diferenças.
‘[…] cujo objetivo é justamente impedir que o político dê ordens contrárias à lei e acumule poder em excesso. A ideia é conferir impessoalidade no trato da coisa pública.’ Cacoete do pessoal do juridico. ‘Era para ser assim, a lei diz que tem que ser assim, logo é’. Só que não. A vista de todos.
‘E é justamente isso o que a burocracia tentava evitar. Mandos e desmandos.’ Obvio que não. Quanto maior o controle do Estado sobre a população, maior o numero de normas e maior a burocracia. Qual o ‘serviço’ publico que melhor funciona no Brasil? Receita Federal. Server para o quê? Arrecadar dinheiro para o Estado. Alas, o nome do supercomputador que a Receita usa, existem muito poucos no pais, se chama T-Rex.
‘Primeiro porque a burocracia é uma abstração. Não é um ente, um ser, ou uma coisa que se possa ver, tocar ou manusear.’ Kuakuakuakuakua! Quer dizer que a prefeitura de SM criou o Espaço Poupa Tempo a troco de nada? E o Tudo Facil estadual? Para as pessoas não terem que ficar pulando de repartição em repartição (as vezes num movimento ioio) colecionando assinaturas, carimbos e papeis?
‘Depositar na burocracia a responsabilidade por todas as mazelas de uma sociedade […]’. Ninguém faz isto. Facções criminosas não são culpa da burocracia. Filas do SUS idem. Gastança desenfreada do governo idem. Roubalheira idem.
Os primeiro tabletes com escrita proto-cuneiforme há 3 mil anos na cidade sumeria de Uruk, antiga mesopotamia, mostrava o controle de rebanhos, estoques de grão e cerveja nos depositos dos templos.