Duquesa de Maine – por Elen Biguelini
Uma vida cheia, com salões, música e intriga política pré-Revolução Francesa

Anne Louise Bénédicte de Bourbon-Condé era filha do quinto Príncipe de Condé, Henri III Jules de Bourbon-Condé (1643-1709) e de sua esposa Anne Henriette Julie von der Pfalz (1648-1723), que era Princesa do Palatinado (Pfalz, região da atual Alemanha) por nascença. Nasceu em 19 de março de 1692 na casa de seus pais no Hótel de Condé, em Paris.
Antes de se casar, recebeu na corte o título de “Mademoiselle d’Enghien” e posteriormente de “Mademoiselle de Charolais”. Ambos títulos relacionados a posição social paterna e a seu próprio sangue real.
Casou em 199 de março de 1692 com Louis Auguste de Bourbon, (1670-1736) duque de Maine e posterior Principe de Domes, filho do rei Louis XIV, o rei Sol, e de sua amante Françoise-Athénais (1640-1707), marquesa de Monstepan. É notório que esta união, assim como a pretendida com outro filho legitimado do rei, que faleceu antes do casamento, demonstra o desejo da figura de Louis XIV em “legitimar” o sangue dos filhos, ou “aproximá-los” àqueles que teriam mais direito ao trono do que seus filhos.
Após a união, o casal vivia no castelo de Sceaux, onde ela recebia ilustres visitantes em seu salão, onde dançava e tocava flauta, mas também participava da intriga política tão presente em uma Corte.
Frequentavam sua casa os mais ilustres literatas do período, como o dramaturgo Bernard Le Bouyer de Fontenelle (1657-1757), o iluminista Montesquieu (Charles Louise de Secondat, 1689-1755), o filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e Voltaire (François-Marie Arouet, 1694-1778).
Além dos salões, organizou em sua casa bailes de mascara de grande esplendor.
Quando o rei Louis XIV faleceu, deixou seu marido como herdeiro, mas as cortes parisienses não aceitaram que um filho legitimado e não legitimo assumisse o trono francês. A duquesa então incentivou seu marido a participar da Revolta de Cellamare contra o regente escolhido, o duque de Orleans Phillippe de Orleans (1640-1701). Descoberta a trama, ela e seu marido foram presos em 1719.
Como eram membros da família real, ainda que legitimado, a prisão do casal e de seus filhos significava separação e isolamento, mas não uma cela como as quais iriam ser destinadas ao povo, ou que a própria realeza francesa foi submetida após a Revolução Francesa.
Em 1720 já recebia novamente a corte em sua casa, o Château de Sceaux, ao sul de Paris.
Morreu em sua casa, no Hótel de Maine, em Paris no dia 23 de janeiro de 1753.
Três de seus filhos chegaram a vida adulta: uma filha solteira; um jovem que recebeu o título de Conde d’Eu, (título este que posteriormente será de seu descendente, o marido da nossa Princesa Isabel); e seu filho mais velho que herdou o título de seu pai, Principe de Domes, e morreu em uma batalha em Fontainebleau. No entanto, todos haviam falecido antes de sua mãe. Ela deixou então seus mais de três mil livros, uma herança realmente abastada em termos literários para o século XVIII, para um sobrinho.
Nota-se que a vida da duquesa demonstra justamente aquilo que a Revolução Francesa posteriormente tenta destruir, a opulência da família real francesa: salões, música, dança, bailes de máscara e intriga política com desejo de poder. Não espanta, então, o conhecimento de que sua tumba tenha sido destruída pelos revoltosos, apenas cerca de 40 anos após seu falecimento.
Referências:
Retrato da Duquesa, via Gallica. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b8409246j.r=duchesse%20de%20maine?rk=42918;4
Retrato da duquesa em um cavalo, via Gallica. Acesso via: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b8409244q.r=duchesse%20de%20maine?rk=85837;2
Arvore Genealógica da duquesa no Geneanet. Acesso via: https://gw.geneanet.org/frebault?lang=en&n=de+bourbon+conde&p=anne+louise+benedicte
Citação da Encyclopedia Britannica via wikisource. Acesso via: https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Maine,_Anne_Louise_B%C3%A9n%C3%A9dicte_de_Bourbon,_Duchesse_du
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p.91-92.
Página da wikipedia francesa sobre a duquesa. Acesso via: https://fr.wikipedia.org/wiki/Louise-B%C3%A9n%C3%A9dicte_de_Bourbon-Cond%C3%A9
Página sobre a duquesa na Royalpedia. Acesso via: https://royalty.miraheze.org/wiki/Louise_B%C3%A9n%C3%A9dicte_de_Bourbon
(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos no Site.





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