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Pix, o revolucionário – por Orlando Fonseca

“É simplesmente um modelo democrático e republicano de negócios”

Governantes como Trump têm urticária ao ouvir falar em revolução ou sentir as vibrações de algo no gênero. É um medo histórico que acompanha a alma conservadora, desde os tempos da Revolução Francesa, e volta e meia aparece em políticos de direita, e nos casos mais graves, fascistas. É uma doença contagiosa, e podemos ver que a Casa Branca está tomada pela epidemia.

Vai daí que o seu Secretário de Estado, Marco Rúbio, decidiu taxar o Brasil, entre outras supostas razões por causa do Pix. Amigos, o Pix? Parece piada tomar uma decisão tão séria, porque o Pix estaria pondo em risco empresas americanas, por prejudicar a concorrência. Beira o risível, e só quem pensa ser admissível a subserviência ao Grande Irmão do Norte pode corroborar tal absurdo.

A revolução do Pix se deve à existência de um Banco Central independente e um sistema financeiro baseado em regramentos sólidos. Ao contrário dos questionamentos de Rúbio, o Pix ganhou espaço justamente por reduzir custos, eliminar intermediários e permitir que empreendedores recebam o dinheiro das vendas em tempo real. Ou seja, para isso é que serve o estado, talvez em colisão com a visão dos atuais governantes americanos, que têm se servido do estado.

O jornal americano “The New York Times” analisou o relatório das finanças de Trump em 2025 e destacou que, pelo menos, US$ 2,2 bilhões foram acrescidos a seu patrimônio. Inclusive, argumenta que uma transação com criptomoedas confunde a linha divisória entre política externa e iniciativa privada.

Na verdade, o anúncio oficial do tarifaço está baseado em desculpas; diz que não houve negociação, quando, na verdade mais de 30 reuniões têm sido realizadas desde março do ano passado. É uma medida de cunho político e eleitoral, visando beneficiar um aliado da direita. O chanceler brasileiro destacou que há uma expressa motivação política, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro.

Fato é, amigos, que o império americano está em ruínas, pois os EUA está deixando de ser o parceiro comercial mais poderoso, o que tem feito o fluxo da economia e do dinheiro buscar novas rotas. Isso me faz lembrar de um outro caso na história. Napoleão Bonaparte e a Revolução Francesa.

O exército de Napoleão foi o primeiro da história ligado à ideia de “nação”, ao contrário dos exércitos tradicionais, associados à aristocracia. A França era, naquele momento, uma ilha republicana, cercada de monarquias temerosas de que os ideias revolucionárias atingissem seus privilégios. Existia, portanto, um perigo real de a França ser invadida novamente, e a burguesia junto com membros do Diretório perceberam que o general Bonaparte era o homem certo para consolidar um novo regime.

Propuseram-lhe que utilizasse a força de suas tropas para assumir o governo. Isso também serviu para conter os jacobinos, preservar as conquistas da Revolução e frear a guerra com os países contrários aos seus ideais. Depois o general mudou de ideia, ao tornar-se imperador, e o seu sobrinho Napoleão III mudou o regime, mas aí já é outra história (naquele movimento cíclico nomeado por Marx como da tragédia para a farsa).

Na visão trumpista, para reavivar as glórias do Império americano é preciso aviltar os inimigos e fazer da América Latina o seu quintal. Mas a ordem política e econômica é outra: a China é um caso de sucesso capitalista, com controle estatal dos meios de produção.

O Brasil, em sua política de relações internacionais, defende o Multilateralismo; nossos principais mercados estão na Ásia (cerca de 50%), incluindo China, mas também Japão, Coreia do Sul, Malásia, Indonésia e Índia, que constituem a região mais dinâmica em crescimento econômico e demográfico, segundo declaração do diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda. O dólar, neste cenário, tende a perder a força de moeda transnacional, ou pelo menos, não ser mais a única.

No Brasil, portanto, a lógica é outra. O Pix tirou a dependência de dinheiro em espécie ou de cartões, que envolvem taxas e prazos maiores de repasse de valores. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, em parceria com Ipespe, “59% dos donos de pequenos negócios já consideram o Pix o principal meio de recebimento das vendas”. Mas o que incomoda, mesmo, os americanos é que o Pix não é uma medida governamental para gerar lucratividade às grandes corporações, e sim ajudar os trabalhadores e pequenos empreendedores a entrar no sistema financeiro. E isso tem cheiro revolucionário e esquerdismo.

Mas o Pix não é nada disso, é simplesmente um modelo democrático e republicano de negócios, que já despertou o interesse de 47 países, os quais firmaram acordos de cooperação técnica com o Banco Central do Brasil para transferência da tecnologia (Isso mede medo naquele Império falido do Norte). Não é minha opinião, mas a de um Prêmio Nobel da Economia, Paul Krugman, o qual sugere que “o Brasil inventou o futuro do dinheiro”. Toma! E por aqui não há Bonapartes – ao menos dentre os atuais governantes – pois já estamos cansados de a História se repetir em farsa.

(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.

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25 Comentários

  1. Resumo da opera. Deixando de lado a furia uterina contra a ‘Familia Cavalão’ e pelo fim do Cavalismo da midia e dos isentões bunda moles. Obvio que tarifaço agora, assim como o mimimi do PIX, seria utilizado politicamente pelo El Nine (há retardados que caem nestes papinhos). E prejudicaria em certa medida o Filho 01. Fica a pergunta: qual é a conta nesta historia? Qual a ‘racionalidade’? Se já deram a eleição como perdida existe o ‘depois’ já planejado. Ou pelo menos a expectativa.

  2. Resumo da opera. Canal France 24H. Analista diz que as taxações ao Brasil são simbolicas porque a maior parte dos produtos são exceções. Mas é um balão de ensaio, como as taxações anteriores cairam no judiciario estão testando o que irá acontecer com estas.

  3. ‘[…] pois já estamos cansados de a História se repetir em farsa.’ O que cansa é a ‘historia’ ser uma farsa.

  4. ‘E por aqui não há Bonapartes […]’. Infelizmente. Napoleão não só guerreou. Codigo Napoleonico ainda existe. Ele organizou a administração publica. Expandiu a infraestrutura. Promoveu a tolerancia religiosa. Provocou a independencia involuntariamente da America Latina. Napoleão III reformou Paris e outras cidades, uma revolução urbanista. Implantou a Revolução Industrial na França. Modernizou a agricultura. Implantou sistema de saude e incentivou o cooperativismo.

  5. “o Brasil inventou o futuro do dinheiro”. De que jeito se já existia não só na India como em outros paises? Cascata.

  6. ‘[…] mas a de um Prêmio Nobel da Economia, Paul Krugman, […]’. Falacia do apelo a autoridade. Ganhou o premio, assumiu a militancia e entrou na irrelevancia.

  7. ‘[…] que já despertou o interesse de 47 países, os quais firmaram acordos de cooperação técnica com o Banco Central do Brasil para transferência da tecnologia […]’. Cascata. A não ser que os imaginarios paises sejam Honduras, Somália, Bangladesh. Brasil é tecnologicamente atrasado e não é pouco. Fato.

  8. ‘[…] segundo declaração do diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda.’ Famoso pela sua lei: “o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Referencia ‘adequada’.

  9. ‘O Brasil, em sua política de relações internacionais, defende o Multilateralismo; […]’. Brasil pode defender o que quiser. Não tem importancia. E 1,5% das exportações totais do planeta e 1,1% das importações. E o preço da pobreza e subdesenvolvimento. Tupiniquins comem pé de galinha e alguns sem vergonha arrotam lagosta. ‘Autoestima’. Coisa de bobo alegre.

  10. ‘a China é um caso de sucesso capitalista, com controle estatal dos meios de produção.’ Logo não é capitalista. Existe iniciativa privada dirigida a uma economia de mercado. O controle do Estado é nos altos niveis administrativos, lembra o fascismo/nazismo. Alguns chamam de economia corporativismo ou capitalismo de Estado. Sucesso por lá só do marketing. Existe, exemplo, uma crise imobiliaria em andamento. Os preços dos imoveis cairam 40% do valor de pico em 2021. Mais de 90 milhões de apartamentos vazios pais afora. Quem achar ruim pode ir capinar o Deserto de Gobi.

  11. ‘[…] para reavivar as glórias do Império americano é preciso aviltar os inimigos e fazer da América Latina o seu quintal.’ A opinião dos eleitores ianques e o que conta. O resto é mimimi.

  12. Ler Marx para entender a Revolução Francesa é no minimo pouco inteligente. Simplificou a historia para ‘caber’ nas convicções dele. Napoleão assumiu depois da queda de Robespierre e do fim do terror que gerou instabilidade politica. Pais tinha entrado em estado de ‘revolução permanente’ e mão forte resolveu (Mao inventou a ‘Revolução Cultural’, não foi?). Napoleão III era fraco. Papel aceita tudo. Cabeça de ouro, pe de barro, já foi dito inclusive de SM.

  13. ‘Fato é, amigos, que o império americano está em ruínas,[…]’. Em decadencia. Pergunta: se os EUA esta em ruinas como está o Brasil?

  14. ‘O chanceler brasileiro destacou que […]’. Enviou um documento a Camara afirmando que ‘ha risco de os Estados Unidos fazerem uma intervenção militar em território brasileiro’. Disparate. Mostra que não só o Supremo Tribunal Cumpanhero tem problemas, credibilidade do Itamaraty é baixa.

  15. ‘[…] o anúncio oficial do tarifaço está baseado em desculpas; diz que não houve negociação, quando, na verdade […]’. O anuncio diz que a negociação não foi de boa fé. Esta escrito e gravado. Não adianta tentar enganar manipulando informações que estão fartamente disponiveis. E a idade. Truques velhos não funcionam mais.

  16. ‘O jornal americano “The New York Times” analisou o relatório das finanças de Trump em 2025 e destacou que, pelo menos, US$ 2,2 bilhões foram acrescidos a seu patrimônio.’ Antes da eleição o negócio é discutir os problemas dos ianques porque discutir os problemas brasileiros pode dar ruim.

  17. ‘[…] o Pix ganhou espaço justamente por reduzir custos, eliminar intermediários e permitir que empreendedores recebam o dinheiro das vendas em tempo real.’ Pix parcelado é um sistema de credito e não somente de pagamento. Quem fatura? Os bancos nacionais e as fintechs tupiniquins.

  18. ‘[…] ser admissível a subserviência ao Grande Irmão do Norte […]’. Kuakuakuakuakua! As pessoas vão ficando velhas e vão infantilizando. Kuakuakuakua! Quem achar ‘inadmissivel’ por favor contenha-se e não encha o saco dos outros. Se o Agente Laranja não da a minima para este povo porque eu daria?

  19. Melhorias financiadas pelo Estado da educação, saúde, aposentadorias, condições de maternidade, promoção dos esportes. O bem comum da comunidade tem precedencia sobre o individual. Abolição da renda não merecida, toda renda deveria ser fruto do trabalho (não aos ‘rentistas’?). Nacionalização das grandes empresas. Parece familiar? ’25-Punkte-Programm’. Manifesto Oficial do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP).

  20. ‘[…] e nos casos mais graves, fascistas.’ ‘Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado’ já dizia Benito Mussolini.

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