Artigos

“Manual Prático da Vingança Lucrativa” – por Roselâine Casanova Corrêa 

Protagonista “planeja (...) a morte de cada um, sem uma gota de culpa”

O longa “Manual Prático da Vingança Lucrativa” (“How to Make a Killing”/2026) é um curioso suspense/humor negro, com reviravoltas inesperadas. No elenco, bons atores, como Glen Powell (o protagonista Becket Redfellow), Margaret Qualley (a namorada de infância Julia) e Jessica Henwick (a noiva Ruth), além do sempre brilhante Ed Harris (o avô bilionário Whitelaw Redfellow). Escrito e dirigido pelo estadunidense John Patton Ford, essa trama sombria, foi inspirada no clássico “As Oito Vítimas” (1907), do escritor britânico Roy Horniman. Estreou nos EUA e no Brasil em fevereiro/2026 e está disponível no Prime Vídeo.

O cuidado com as locações confere refinamento estético e uma fotografia primorosa do longa. As gravações ocorreram em grande medida na Cidade do Cabo (África do Sul). Para simular a atmosfera elegante e a opulência nova-iorquina, a produção utilizou edifícios locais e propriedades de luxo. Foram também elaborados cenários inteiros, na mesma medida em que as tomadas secundárias foram rodados na região de Nassau County (Nova York).

Os detalhes: 1) A icônica mansão da família Redfellow, foi toda construída pela equipe de design de produção. Elementos escaneados de mansões reais nos EUA foram usados para garantir a pompa arquitetônica na telona; 2) Para a sede da empresa familiar “Redfellow Investments”, a produção utilizou um edifício histórico em estilo Art Déco; 3) Com o objetivo de manter a autenticidade da ambientação urbana e os cenários da Costa Leste dos EUA, a equipe realizou algumas gravações em locações reais.

E há a delícia em ouvir o humorista e músico brasileiro Juca Chaves, com sua sarcástica canção “Take Me Back to Piauí” – lançada originalmente em 1970 – tocada na cena final e ao subirem os créditos do longa.

O protagonista Becket Redfellow é de uma família bilionária nova-iorquina. Contudo, foi criado longe dos parentes e sua fortuna, pela mãe, expulsa da mansão pelo avô, por haver engravidado de um rapaz pobre e sem futuro. Fica órfão cedo, porém, o oposto da mãe, é ganancioso e vingativo. Então planeja ficar com a fortuna da família, mesmo que para isso seja necessário eliminar os demais herdeiros. Planeja com cuidado a morte de cada um, sem uma gota de culpa. E se dá conta que é muito bom em planejar e executar seu projeto, já que não é pego pela polícia. Ao menos por enquanto!

A trama inicia com o protagonista no corredor da morte, em suas últimas 24h de vida. Está acompanhado de um padre, a quem inicia uma longa confissão acerca de como eliminou todos os entraves (leia-se, pessoas), para se tornar o dono de uma fortuna incalculável.

Cada um brilha à sua maneira, contudo, quem rouba a cena é Margaret Qualley, em seu papel de menina rica e mimada, envelopada em um figurino Chanel. A química entre Julia & Becket – amparada em uma relação de poder e submissão – sinaliza para um futuro sombrio. Seria muito mais que isso. O avô, Whitelaw Redfellow (Ed Harris), embora apareça apenas no início da trama (sob luz e sombras, como uma pintura de Caravaggio) e no final, com a face coberta de rugas e fúria, parece ser a única pessoa a parar o neto. Mas faz o contrário: o instiga a matar mais uma vez.

De fato, esses personagens são desprezíveis, porém carismáticos. Talvez beirem a psicopatia. Ou sejam apenas mau caráteres. Não raro, na atualidade, tende-se a nomear cafajestes desonestos como portadores de alguma disfunção psicológica. É mais fácil conviver com alguém sabidamente doente, do que aceitar a canalhice humana!

E você aí, pensando que houve spoiler? Equivocou-se.

Aqui, só foram narrados os primeiros atos!

Sobre os cenários, ver:

https://www.instagram.com/reels/DWGtnh9maRf

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”. Rose escreve sobre cinema, às quintas-feiras, nesse site.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo